Reprodução assistida - contar ou não aos filhos?

Reprodução assistida

Segundo a Organização Mundial de Saúde, de 8% a 10% dos casais de todo o mundo têm algum tipo de dificuldade para gerar filhos. Estudando esses pares foi constado que a infertilidade ou esterilidade atinge, em média, homens e mulheres da mesma forma, 40% de cada um dos sexos. Em 20% dos casos ambos apresentam infertilidade.

A fim de realizarem o desejo de serem pais, muitos casais recorrem aos doadores de gametas. A maior dificuldade é quando chega a hora de contar às crianças a sua verdadeira origem. Dr. Roberto Lazaro Silveira, psicólogo, psicoterapeuta e orientador de pais, fala da importância de se contar a verdade: "Se a mentira for descoberta poderá surgir um sentimento de traição e posteriormente o rancor e revolta contra si mesmo".

O psicólogo afirma que, em seus subconscientes, as crianças sabem que há um mistério sobre elas. Essa desconfiança pode se dar de duas formas, uma delas é pelas características físicas diferentes dos demais familiares. "Ou por meio de assuntos que escapam no dia a dia e colocam a ‘pulga atrás da orelha’ da criança, além do silêncio decorrente da presença repentina da mesma, ou seja, a criança surge e muda-se de assunto", aponta Dr. Roberto Silveira.

Todos os pais, biológicos ou não, sabem exatamente como revelar o segredo aos pequenos, é o que garante o psicoterapeuta. Um conselho do Dr. Silveira é nunca dizer "nós não somos seus pais", mas sim "nós somos os seus verdadeiros pais". "É imprescindível que os pais não aguardem até que a criança tenha a iniciativa de perguntar através da desconfiança", diz o psicólogo.

A maioria das crianças pergunta como nasceu. "A essa questão responda de forma simples: ‘algumas crianças são adotadas outras nascem da barriga da mãe’. Provavelmente, a criança perguntará ‘e eu? ’. Se os pais se sentirem inseguros para revelarem sozinhos podem contar com o auxilio de psicoterapeutas", orienta o Dr. Roberto. "Os pais devem encontrar o seu modo de irem narrando a história sobre as origens para seu filho, que seja condizente com o nível de desenvolvimento e curiosidade da criança, com sua linguagem e com a cultura familiar", completa.

Fazer uso de historinhas para criar o clima propício também é uma opção. "Como psicólogo que optou pela psicanálise proposta por Jung recomendo a inspiração em histórias de mitos, lendas e contos de fadas, pois acredito que não existe nada de novo debaixo do sol, ou seja, os acontecimentos se repetem quando as vivências ressoam no inconsciente coletivo e revelam os padrões de comportamentos", diz.


É preciso ficar atento aos danos psicológicos que a descoberta de uma mentira pode gerar às crianças. "Sentimentos de traição, rancor e ódio dentre outros negativos, quando ocorrem, se devem a fatores que coexistiram e contribuíram para um complexo de rejeição ou superproteção, que pode ser a compensação dessa mesma rejeição", revela Dr. Silveira. "Os danos provenientes dessas reações carregadas de sentimentos negativos poderão fazer surgir tempestades em copos d'água", complementa.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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