Aleitamento materno: horários da amamentação, benefícios e cuidados

Veja aqui como armazenar o leite materno, recomendações do Ministério da Saúde e dicas para as mamães
aleitamento materno benefícios e horários

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O aleitamento materno tem uma ampla diversidade de benefícios para mãe e o bebê. Além de promover um vínculo de carinho e afeto entre mãe e filho, a amamentação pode reduzir o risco da mãe desenvolver uma série de doenças.

Uma pesquisa divulgada em junho deste ano, por exemplo, feita pelo Hospital Kaiser Permanente, na Califórnia (Estados Unidos), com mais de 4 mil mães, sugeriu que o aleitamento reduz os riscos de a mulher ter diabetes do tipo 2 (versão mais comum da doença, geralmente causada por má alimentação) depois de ter diabetes gestacional. Outra, da Universidade de Virgínia (Estados Unidos), descobriu que crianças alimentadas com leite materno têm 50% menos chance de sofrer morte súbita (durante o sono, que ocorre por causas desconhecidas).


Para falar mais sobre a importância da amamentação, a ginecologista e obstetra Silvia Herrera, especialista em Medicina Fetal do Salomão Zoppi Diagnósticos nos contou tudo o que você precisa saber para passar por este período da forma mais saudável. Confira:

Os benefícios do aleitamento materno para o bebê

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Do ponto de vista nutricional o leite materno é o mais completo por ter nutrientes, proteínas, açúcares, gorduras e vitaminas , além de água na quantidade certa para a fase do bebê. Chamamos o leite materno de alimento vivo, sua composição vai mudando de acordo com a necessidade do bebê. Por exemplo, assim que o bebê nasce o leite da mãe é chamado colostro, é mais grosso e amarelado que o leite, riquíssimo em proteína e anticorpos. Outro bom exemplo é que a composição do leite materno em prematuros costuma ser diferente de bebês de termo e isso acontece pois o leite materno se molda às necessidades do feto.

Outra fator relevante é a produção de anticorpos, o que garante proteção ao bebê contra infecções respiratórias, diarreia, infecção de ouvido, até alergias. Como alimento vivo a mãe produz anticorpos baseados no ambiente dela, passa isso por meio do leite e protege o bebê que estará neste ambiente. A proteção vai muito além do que os primeiros anos de vida, existem estudos mostrando que bebê amamentados possuem menor risco de desenvolver na vida adulta: Diabetes tipo II, colesterol alto, hipertensão e obesidade. Além disso, a sucção do peito é mais difícil do que a mamadeira e isso traz um melhor desenvolvimento dos músculos da face, o que melhora a dentição, o desenvolvimento da fala e ajuda a ter uma boa respiração. Também diminui risco de morte súbita e, segundo o Ministério da Saúde, diminui em 13 % o risco de morte antes de 5 anos. Já o leite industrializado não tem nenhuma dessas características citadas anteriormente.

Alimentação indicada durante o período do aleitamento materno

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A mãe precisa ter uma alimentação saudável, equilibrada em relação à quantidade de carboidrato, proteína e gordura saudável. Não existe algum alimento específico para que tenha mais leite, isso é mito. Evitar bebida alcóolica, café, chocolate e uma dieta muito rica em açúcar que podem estar relacionados a possíveis cólicas do bebê, porém é preciso testar para identificar o que está causando o desconforto no bebê. É sempre importante tomar bastante líquido, a amamentação dá muita sede e quando sentidaem excesso é um sinal da natureza para a mãe se hidratar bem. Além do descanso para ter uma produção adequada de leite.

Como armazenar o leite materno

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A melhor forma de armazenamento do leite é em recipientes herméticos, vidro quando ele possa ser esterilizados e também existem saquinhos descartáveis atualmente para isso. A recomendação do Ministério da Saúde é não deixar transbordando, precisa deixar 2 dedos de folga no recipiente para evitar contaminação. Pode ficar no freezer ou congelador por até 15 dias e na geladeira um dia. Ao tirar é interessante datar para saber que está valido. Para utilizar depois, recomenda-se amornar em banho-maria,nunca em micro-ondas ou ferver ele direto.

Cuidados para tomar durante a amamentação: leite empedrado, produção de leite e indicações

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Amamentar é um ato de amor, mas não é por isso que significa ser fácil, muito pelo contrário, as dificuldades são comuns e estar informada e buscar ajuda faz parte desse delicado processo. A primeira dificuldade é a dor geralmente causada por fissuras, rachaduras no mamilo ou por ingurgitamento mamário (a mama empedrou), que pode levar até a infecção das mamas, que é um quadro de mastite e provoca febre alta e muita dor.

Para as fissuras é preciso primeiro corrigir a pega do bebê, ele precisa abocanhar todas a auréola do mamilo, também precisa colocar no mamilo só depois que a boquinha esteja bem aberta. Hoje não se recomenda mais uso de buchas ou pomadas antes do nascimento, mas banho de sol nos mamilos ajuda, além de produtos à base de lanolina. Uma tecnologia nova e ainda pouco divulgada é o laser, excelente método indolor e rápido para a cicatrização. Para ingurgitamento atécnica é o esvaziamento das mamas, pois é comum no início a produção de leite ser muito maior que o que o bebê consegue ingerir, então recomenda-se o esvaziamento manual ou por bombinhas. 

Também existem conchas para drenar o leite em excesso. Para as mastites é necessário o uso de antibióticos. Outra questão bem comum é a queixa de baixa produção de leite e o que mais se estimula a produção de leite é a sucção. Ingerir cerveja preta não é indicado e nem de bebidas alcóolicas, esse é um dos mitos da amamentação. O stress crônico também diminui a produção de leite, então afastar-se dos “palpiteiros” que mais estressam do que ajudam é um bom começo, além de ter alguém para ajudar nos cuidados com o bebê para que a mãe possa descansar mais. Outro fator importante é aumentar a ingesta de água, pois a hidratação materna é um fator fundamental e muitas vezes está tão corrido que nem água a mamãe bebe.

Quais os horários e a frequência indicada para o aleitamento?

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O Ministério da Saúde recomenda que o aleitamento seja feito conforme a demanda do bebê, à livre demanda. Não existe, portanto, um horário e frequência indicada. Alguns pediatras sugerem que depois que o bebê cresça um pouco a mãe ajude a deixar essa frequência de três em três horas. Existe um tempo ideal que é esvaziar bem a mama para que a criança receba sempre o começo rico, em água, e o fim, rico em gordura. Caso dê outro peito e não terminar, na próxima mamada começa por esse mesmo. Assim a criança estará bem hidratada e nutrida.

Amamentação e aleitamento materno no Youtube

Por Thamirys Teixeira

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