Conheça a primeira mulher a narrar um gol de Copa do Mundo

A jornalista, de 20 anos, foi a vencedora do concurso "Narra quem sabe", em que o canal esportivo elegeu as melhores narradoras do país.
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Foto: Divulgação

Já tinha passado da hora de ter uma mulher narrando futebol na TV brasileira. E mais, narrando um Gol da Copa do Mundo! E é com alegria que anunciamos que esta falta de representatividade feminina pôde finalmente ser quebrada no último dia 14 de junho. O marco foi dado pela jovem jornalista Isabelly Morais, de 20 anos, e celebrado por milhares de mulheres aspirantes a carreira de jornalista esportiva.

Três dias depois do marco, no primeiro jogo do Brasil, a repercussão foi ainda maior! Além dela, outras duas mulheres, Vanessa Riche e Bárbara Barbosa, goleira da seleção, formaram a equipe de transmissão na FOXSports.


“Eu esperava que tivesse um certo barulho por ser um canal grande, internacional, mas não desse tamanho. Estou muito feliz com a forma como as pessoas abraçaram a ideia de ter uma mulher como narradora. Dá um recado de que é possível”, disse a revista Cláudia.

Isabelly, que tem uma tragetória cheia de desafios e inspirações, contou a esta reportagem da revista Cláudia que começou a  trabalhar com jornalismo esportivo há menos de um ano.

Estudante do sexto período de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais, ela saiu aos 17 anos da casa da família, em Itamarandiba, cidade de cerca de 35 mil habitantes no interior de Minas. Sempre teve o sonho de trabalhar com jornalismo esportivo, mas nunca tinha pensado em ser narradora. “É difícil você se projetar em algo que não tem exemplo, né? Eu não via as mulheres narrando, achava que era inalcançável. Eu sempre gostei de narração de rádio, como os narradores conduzem o jogo, os perfis, mas nunca pensei nisso pra mim.” 

Sua trajetória como narradora surgiu por acaso, por sugestão do jornalista José Augusto Toscano, seu chefe na rádio Independência, em Belo Horizonte. Quando ela entrou em contato via Facebook com ele pedindo um estágio, ele perguntou se Isabelly narraria futebol. Começou na rádio em julho de 2017. Foi produtora, repórter de campo, comentarista e apresentadora até estrear, em novembro do ano passado, como narradora no jogo entre América e ABC. “Narrar na rádio é muito mais difícil e desgastante, precisa ser bem mais rápido, descrever mais, criar uma cena. Na TV, você cansa quem está assistindo se falar o tempo todo, dá para respirar. São duas formas de se conhecer como profissional da voz.” Para Isabelly, não dá para dizer se homens ou mulheres narram melhor. “A voz feminina é mais leve, mais aguda, mais suave. Tem uma pegada especial e peculiar. É bela. Não devemos tentar imitar a narração masculina. O que já deveria existir há muito tempo é a coexistência dos dois.”

Ainda de acordo a revista Cláudia, Isabelly chegou a FOXSports por meio do projeto “Narra Quem Sabe“, liderado pela jornalista Vanessa Riche. Ela selecionou três narradoras para compor o time que participa da cobertura da Copa. As duas colegas de Isabelly são Manuela Avena e Renata Silveira. “Nós três nos apoiamos muito. Qualquer uma que narrar a final da Copa, vamos ficar felizes, porque representamos todas.”

“O futebol é um ambiente machista, não tenho a menor dúvida. Se um homem faz uma análise e fala bobagem, ok. Se a mulher fala algo que alguém discorde, dizem que está errando porque é mulher, então é um tipo de justificativa que se usa. Tem muita mulher que gosta de futebol e é neglicenciada. Em rodas de conversa, ela começa a falar e não levam muito em conta porque é mulher. É muito machista, a gente tem que se atentar a isso. Tenho certeza que há várias Isabellys pelo Brasil, meninas que se interessam pelo jornalismo esportivo. Tem Isabellys sobrando, mas faltam Toscanos, que identificam as pessoas e dão oportunidade. Nosso momento é de discutir o empoderamento feminino. O lugar da mulher no mercado de trabalho e onde ela quiser.”

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