Osteoporose: sintomas, tratamentos e origem da dor

Entenda tudo sobre osteoporose de acordo com a médica especialista Dra. Veronica Magalhães
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Foto: Reprodução

Quando passamos por um check up médico, nossas maiores preocupações são a pressão alta, diabetes e outras doenças que ouvimos falar com frequência, mas uma delas precisa ser melhor monitorada: a Osteoporose!A Osteoporose é uma doença crônica que se caracteriza pela diminuição de massa óssea corporal, com o surgimento de ossos ocos, finos e fracos, tornando-os mais predispostos a fraturas. 

Ela pode ocorrer em mulheres após a menopausa, homens após os 50 anos (ou até mais jovens devido outra doença prévia), pessoas que usam medicamentos cronicamente como os corticoides e pessoas que fazem tratamento para câncer de mama ou próstata que usam medicamentos para inibir os hormônios sexuais (estrogênio e androgênio).


Segundo uma auditoria da International Osteoporosis Foundation (IOF), a prevalência de Osteoporose em São Paulo (Brasil), utilizando os critérios de diagnóstico da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi de 33% das mulheres na pós-menopausa. Estudos realizados na Argentina, Colômbia e México mostraram prevalências de 19%, 30% e 17%, respectivamente, também nas mulheres na pós-menopausa. Por tratar-se de uma doença relacionada, principalmente, ao envelhecimento é previsto que a prevalência da doença cresça pois a população de todas as regiões do mundo está ficando mais idosa.  

Sintomas da osteoporose – entenda a origem da dor

Costuma-se dizer que a Osteoporose é uma doença silenciosa, pois quem tem, geralmente, não relata um sintoma óbvio, como por exemplo, febre ou tosse como numa gripe. Porém, já há estudos na literatura científica discutindo que a Osteoporose pode sim causar um sintoma muito comum: a Dor! Existem várias teorias para explicar porque a Osteoporose pode causar Dor, uma delas seria o fato da destruição do osso (reabsorção do óssea) gerar um ambiente ácido, que provoca dor. Uma causa comum de Dor na Osteoporose é a fratura de vértebra: pode acontecer da pessoa apresentar uma dor nas costas que nunca foi investigada e, quando se faz o exame de raio-X, aparece claramente uma vértebra torácica ou lombar fraturada, que é a causa da dor. Outra questão relevante de se mencionar é o Inflammaging, ou seja, a inflamação crônica de baixo grau e persistente associada ao envelhecimento e que está relacionada a múltiplos problemas de saúde no idoso como doenças cardiovasculares, anemia crônica de difícil tratamento, síndrome metabólica, infecções e a própria Osteoporose entre outros.

 

Como identificar a osteoporose?

A consulta médica com o especialista é muito importante pois o médico, através da história clínica do paciente e exame físico, pode suspeitar da doença e solicitar exames de sangue, de urina, de imagem (raio-X de coluna) para auxiliar no diagnóstico e a densitometria óssea (DEXA). A densitometria é um tipo de raio-X usado para quantificar a massa óssea. É um exame relativamente simples de ser feito - não é necessário nenhum preparo especial ou jejum, apenas deve-se evitar remédios que contenham cálcio. O exame dura cerca de 15 a 30 minutos. Conforme o resultado da densitometria, o médico determina se o paciente tem massa óssea normal, tem osteopenia (estágio entre o osso normal e o osso com osteoporose) ou osteoporose. Pacientes que já tem fratura por osso frágil já são considerados pacientes com osteoporose estabelecida. O médico também pode calcular o risco de fratura do paciente baseado em fatores de risco como história familiar de fratura de quadril, tabagismo, etilismo, antecedente de artrite reumatoide, densidade mineral óssea entre outros fatores. 

A Osteoporose tem cura? 

Infelizmente, assim como a pressão alta, a Osteoporose não tem cura, mas calma, ela pode ser controlada com o tratamento adequado! O objetivo do tratamento da Osteoporose é justamente evitar que o paciente tenha uma fratura. E se o paciente já tem uma fratura prévia? Neste caso, o objetivo do tratamento é evitar que o paciente tenha novas fraturas. Sabemos que quanto mais o paciente tem fraturas, mais a sua qualidade de vida fica comprometida. O tratamento da Osteoporose envolve medidas não medicamentosas e medicamentosas. 

Osteoporose e alimentação

As medidas não medicamentosas incluem a ingestão adequada de cálcio através da alimentação e suplementação caso o médico ou nutricionista avaliem que o paciente não está ingerindo a quantidade diária necessária.Além disso, para que o cálcio seja adequadamente absorvido no nosso intestino é necessário que estejamos plenos em vitamina D. Por meio da exposição ao sol, dos raios do tipo ultravioleta B, o nosso organismo sintetiza a vitamina D. Infelizmente, não nos expomos ao sol apropriadamente, pois vivemos em ambientes fechados dentro de nossos carros, moradias ou trabalho. Assim, os médicos podem recomendar a suplementação da vitamina D, considerando os níveis séricos ideais.

Fraturas de osteoporose

Importante lembrar que as fraturas por osteoporose ocorrem devido traumas de baixo impacto como queda da própria altura. Dessa forma, cuidados dentro de casa (retirar tapetes escorregadios, usar barras de apoio no banheiro / chuveiro, iluminação adequada dos ambientes, uso do corrimão nas escadas etc), no ambiente de trabalho e ambientes externos (ruas, calçadas) são essenciais para evitar as quedas.

Atividades físicas para quem tem osteoporose

Para garantir uma boa saúde óssea, também é recomendado a prática de atividade física. A American Association of Clinical Endocrinologists (AACE) apoia fortemente a atividade física ao longo da vida visando a saúde cardiovascular, prevenção da osteoporose, e saúde geral. Exercícios podem incluir caminhada, tai chi, subir escadas, dançar e outros atividades. A atividade física tem ação direta no osso (impacto) e o fortalecimento muscular dos membros inferiores é importante para reduzir as quedas. A avaliação médica é recomendada antes de iniciar um programa de exercícios em um indivíduo com osteoporose.Todas essas medidas, na verdade, deveriam iniciar desde a infância, pois é ao longo desta fase e da adolescência que fazemos nossa “poupança” óssea. O pico de massa óssea varia conforme os estudos, sendo relatado como ocorrendo tanto aos 17-18 quanto até os 35 anos de idade. Esse seria o período que deveríamos ingerir quantidades apropriadas de cálcio e praticar exercícios para evitar problemas futuros. 

Tratamentos para a osteoporose

Quanto ao tratamento medicamentoso, o médico determinará qual a melhor opção para cada caso. Existem vários tipos de medicamentos para a Osteoporose que podem ser tomados via oral diariamente, semanalmente ou mensalmente; também existem medicamentos de uso subcutâneo diário ou semestral e medicamento de uso intravenoso anual. O mais importante é que o paciente tome corretamente o medicamento prescrito, não esquecendo as doses, pois a não tomada correta da medicação leva a uma perda da proteção dada pelo medicamento.Por fim, a Osteoporose é uma doença comum no mundo todo, associada ao envelhecimento da população e cuja pior consequência são as fraturas por fragilidade óssea, que podem comprometer a independência do paciente. Porém, a Osteoporose tem tratamento e as fraturas podem ser evitadas! Procure seu médico e converse com ele sobre isso!

Fonte: Dra. Verônica Magalhães - Médica formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especializada em Administração de Hospitalar e em pesquisa clínica medica por Harvard. Atualmente trabalha com Biotecnologia, destacada gerente médica em diferentes laboratórios no ocidente.

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