Novidades em saúde infantil e doenças respiratórias em crianças

Novas técnicas em Pediatria e o mercado atual e futuro e crescimento das doenças respiratórias nas crianças – Medica Veronica Magalhaes
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Foto: Pexels

Segundo as Nações Unidas, a população mundial continua crescendo, apesar da baixa fertilidade observada. Há 10 anos o crescimento populacional era de 1,24% ao ano. Hoje, está crescendo por volta dos 1,10% ao ano, gerando um adicional de 83 milhões de pessoas anualmente. A população mundial é projetada para aumentar, chegando a 8,6 bilhões em 2030, 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões até 2100.A Geriatria e a Gerontologia são áreas da saúde muito promissoras neste contexto, considerando o envelhecimento da população. Contudo, se levarmos em conta os dados acima, a Pediatria continua a ser uma área interessante para os profissionais de saúde. 

Conforme a última Demografia Médica no Brasil 2018, a Pediatria é a especialidade com maior preferência entre os médicos recém-formados em geral e é também a preferida das mulheres. O número de médicos cursando programa de residência médica de Pediatria em 2017 foi de 3.448, representando quase 10% de um total de 35.178 vagas de todas as especialidades médicas. A duração do programa de residência médica em Pediatria, reconhecido pelo Comissão Mista de Especialidades (CME), é de 2 anos e passará para 3 anos a partir de 2019. Também existem áreas de atuação opcionais (adicionais) nos programa de residência médica de Pediatria no Brasil como Alergia e Imunologia Pediátrica, Cardiologia Pediátrica, Infectologia Pediátrica entre outros, que duram até 2 anos.  

Apesar de ser uma especialidade essencial, este ano a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já apontou que há um déficit de 3.305 leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) específicos para bebês que nasceram antes de 37 semanas e que apresentam quadros clínicos graves ou que necessitam de observação. A própria SBP indica que a proporção ideal de leitos de UTI neonatal deve ser de, no mínimo, quatro leitos para cada grupo de mil nascidos vivos, porém, de acordo com o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil (CNES), há em funcionamento 8.766 leitos do tipo no país todo (públicos e privados), o que corresponde a uma razão de 2,9 leitos por grupo de mil nascidos vivos. Se considerados apenas os leitos oferecidos pelo serviço público, esta taxa cai para 1,5 leitos/1.000. Considerando que no Brasil, nascem quase 40 prematuros por hora, ou 900 por dia, a quantidade de leitos se mostra insuficiente. 

A prematuridade é uma questão relevante visto que o número de mulheres que engravidam pela primeira vez com mais de 30 anos de idade dobrou e houve aumento de 80% dos casos de gravidez naquelas com mais de 40 anos de idade. Entretanto, vários outros temas estão sendo bem discutidos atualmente em Pediatria como violência doméstica, amamentação, mortalidade infantil, suicídio, uso de vitamina D, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDHA), sarampo e imunizações em geral, autismo e doenças respiratórias.

As doenças respiratórias na infância estão sempre na pauta dos Pediatras, não somente por causa do inverno, mas pela poluição ambiental a que estamos todos expostos hoje em dia. A questão se tornou tão significativa, que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o assunto desde 2015, sendo que este ano ela está coordenando a Primeira Conferência Global em Poluição do Ar e Saúde, que ocorrerá agora em Genebra (Suiça) de 30/10 a 01/11/2018 e abordará a melhoria da qualidade do ar e o combate às mudanças climáticas, visando salvar vidas que estão sendo perdidas por estes malefícios. As mensagens chave da OMS em relação à qualidade do ar e a saúde incluem o fato de que ao reduzir os níveis de poluição do ar, os países podem reduzir a carga de doenças tais como derrames, doenças cardíacas, câncer de pulmão e doenças respiratórias crônicas e agudas, incluindo asma; que em 2016, 91% da população mundial vivia em locais onde os níveis de qualidade do ar não eram compatíveis com o preconizado pelo guideline da própria OMS entre outras mensagens.

No caso das crianças, uma das doenças respiratórias mais comum é a asma, que sofreu um aumento durante a última década por causa de mudanças no padrão epidemiológico como o clima e a industrialização das comunidades. Ainda existem algumas controvérsias sobre a relação entre poluição do ar e asma. Estudos sobre a poluição atmosférica e os efeitos na saúde da população têm demonstrado que, mesmo quando os poluentes se encontram abaixo dos níveis determinados pela legislação, estes são capazes de provocar efeitos na saú¬de das pessoas.Um estudo realizado em Teerã (uma das cidades mais poluídas do mundo) avaliando poluentes atmosféricos tais como o monóxido de carbono, o ozônio e o dióxido de enxofre mostrou uma relação significativa entre as concentrações no ar de dióxido de nitrogênio, ozônio e o dióxido de enxofre e admissão hospitalar devido à asma em, revelando que os níveis de poluentes podem ser significativamente prejudiciais para as crianças antes que o índice diário de qualidade de ar atinja níveis considerados perigosos.

Há muitos estudos analisando a associação de poluen¬tes com problemas de saúde no estado de São Paulo. Em 2006, por exemplo, um estudo feito na cidade de São Paulo já iden-tificou a relação de partículas inaláveis ao aumento de 4,6% nas internações por asma em crianças. Outro estudo, realizado em São José dos Campos, mostrou forte correlação entre internações por asma em crianças com a presença de poluentes atmosféricos (material particulado e dióxido de enxofre). Os principais poluentes monitorados que servem de indicadores da qualidade do ar e são es¬colhidos por sua frequência de ocorrência e os seus efeitos adversos são material particulado (que engloba uma série de poluentes tanto sólidos como líquidos que podem ficar suspensos na atmosfera devido ao seu tamanho reduzido), dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio, compostos orgânicos voláteis e óxidos de nitrogênio.

Mas, na prática, o que pode ser feito para controlar ou reverter a poluição do ar? Na verdade, são necessárias políticas em transporte, planejamento urbano, geração de energia e na indústria  visando a redução da poluição do ar tais como o uso de tecnologias limpas que reduzam as emissões de chaminés industriais; melhor gestão de resíduos urbanos e agrícolas, incluindo a captura de gás metano emitido a partir de locais de resíduos como uma alternativa à incineração (para uso como biogás); garantir o acesso a soluções energéticas domésticas limpas e acessíveis para cozinhar, aquecer e iluminar (exemplo: energia solar); mudança para geração de energia limpa nos transportes; priorização de redes urbanas de trânsito rápido, de caminhada e de uso de bicicleta nas cidades, bem como viagens ferroviárias interurbanas de mercadorias e passageiros; uso de combustíveis com um menor teor de enxofre; melhorar a eficiência energética dos edifícios e tornar as cidades mais verdes e compactas e, portanto, eficientes em termos energéticos; etc.

Pra tudo isso ser feito, certamente, é necessário que nossa sociedade esteja mais ciente sobre o quanto a poluição do ar é nociva para nossa saúde e exigir que as políticas públicas para controle da qualidade do ar sejam efetivamente executadas. 

Por Medica Veronica Magalhaes

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