Você sabe o que é uma candidata laranja?

Mulheres que são candidatas a cargos públicos, mas não tem nenhum voto - nem delas mesmas. Algumas nem sabem que estão concorrendo nas eleições!
candidato laranja

Foto: Reproução/Pexels

Você já ouviu falar de candidatas laranja? Nas eleições municipais de 2016, 16.131 candidatos não tiveram nem um voto sequer – nem o próprio. De cada dez dos "sem-votos", nove eram mulheres (14.417 candidatas). Os dados vieram e um levantamento pedido pela até então ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mostram a recorrência das candidatas laranja. Depois disso, outro levantamento feito na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral a pedido da Revista AzMina e do Intercept pelo pesquisador da USP Henrique Xavier comprovou mais casos desta fraude eleitoral.

Este "fenômeno" acontece quando os partidos recrutam mulheres como candidatas laranjas para cumprir a cota obrigatória de 30% de mulheres nas coligações, como determina uma lei em vigor desde 2009. Algumas mulheres candidatas participam da fraude muitas vezes até sem saber que estão concorrendo. Quem participa desta situação está sujeita a serprocessada e punida por fraude, além de ficar inelegíveis no futuro.

Toda essa sujeirada vem de um problema estrutural: a falta de incentivo da participação das mulheres na política. Justamente para mudar este quadro e aumentar o número de mulheres nestas posições estratégicas para o país, a legislação obriga os partidos, nas eleições para deputados, vereadores e senadores,  que tenham no mínimo 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo.

mulheres na política cotas

Mas só receber poucos votos não é garantia que uma candidata seja laranja. De acordo com a ex-ministra do TSE Luciana Lóssio, nenhuma candidata que zerou as urnas pode ser chamada de laranja antes de um julgamento. “É possível existir casos que homens ou mulheres busquem se candidatar e desistam”, explica.

Hoje, já estão sendo tomadas medidas para corrigir esses problemas. Agora, além das cotas é obrigatória a destinação de pelo menos 30% do dinheiro do fundo partidário e reserva de pelo menos 30% da visibilidade da propaganda eleitoral para as mulheres, o que pode não só diminuir o número de candidatas laranjas, como também garantir maior representatividade no resultado das eleições. 

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