Xô, preconceito! Cadeirantes podem ter vida sexual ativa

Vida sexual dos cadeirantes

Foto: Arquivo/MBPress

Assim que Dai Macedo e Rafael Magalhães apareceram juntos em fotos publicadas na web logo se tornaram alvo de comentários preconceituosos e machistas. O motivo? O rapaz é cadeirante e a morena foi vencedora do concurso Miss Bumbum 2013. Por conta do estereótipo de "casal perfeito" adotado por algumas pessoas, críticas como "coitado do cara, só fica no desejo" e muitas outras duvidaram da capacidade de satisfação sexual dos dois.

Sobre isso, Dai garante: "As pessoas acham que existe diferença entre o meu namoro com ele e o de pessoas que não são cadeirantes. Mas somos um casal como outro qualquer, nossas relações sexuais são normais".

Apaixonada pelo bonitão há 8 meses, a Miss Bumbum contou que conheceu Rafael pelo Facebook, mas que desde o começo ele já avisou sua condição e até enviou imagens para deixar a situação bem clara. "Foi essa sinceridade que me instigou a conhecê-lo. Tanto que quando a gente só trocava mensagens eu já estava apaixonada. Quando nos vimos pessoalmente só melhorou", revela.

Como os pombinhos asseguram, o preconceito sofrido não chegou a abalar a relação. No entanto, não podemos fechar os olhos. Como o Dr. Celso Marzano, urologista, sexólogo e terapeuta sexual há mais de 30 anos, afirma: "Existe uma cultura machista de que sinônimo de masculinidade e virilidade é ter pênis ereto e penetrar a mulher". Mas a relação sexual vai muito além.

Antes de tudo, é importante saber que um portador de necessidades especiais tem condições de ter vida sexual ativa, sim. Vai depender do grau de lesões neurológicas que sofreu.

"A vida sexual continua, com adaptações necessárias que são aprendidas e ensinadas às suas parcerias. Existem diversas possibilidades, como a descoberta de novas zonas erógenas, e tudo isso faz parte do processo de reabilitação", elucida o médico.

Após uma lesão, é comum o rapaz perceber a ereção dificultada, a sensibilidade diminuída e até ausência de ejaculação. No entanto, existem medicamentos e até estratégias que são pró-ereção e possibilitam a ejaculação.

"Mesmo sem nenhuma sensibilidade na região, estímulos manuais ou orais no local são capazes de promover a ereção por reflexo. O fato de conseguir ter uma ereção já é psicologicamente muito significante para aquele homem. Fora isso, o estímulo a outras regiões do corpo podem levar a pessoa a atingir uma intensa sensação de prazer similar ao orgasmo, denominada para-orgasmo."

Cadeirantes, além manter relações sexuais tranquilamente, ainda podem engravidar suas parceiras. A ideia de que o sêmen tem qualidade baixa é puro mito. Marzano esclarece: "Se o cadeirante consegue ejacular, a possibilidade de engravidar é igual a de qualquer outro homem fértil".

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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