Virgem aos 30: até que ponto faz sentido?

Balzaquiana e virgem

Foto: Hero/Corbis

Apesar de a liberdade sexual estar super em alta nos dias de hoje há mulheres que vivem na contramão desse novo cenário e ainda não se envolveram na cama com ninguém. Dependendo da religião e da criação, manter a virgindade é uma atitude nobre. Mas quando esta é adotada por balzaquianas, nem sempre é vista com a mesma normalidade.

É fato que ser virgem aos 30 anos não é tão incomum quanto parece nos tempos atuais, mas a postura se torna um problema quando a moça se guarda para o tão sonhado príncipe que idealizou em sua mente. Segundo o psicólogo e psicanalista Marcelo Toniette esse comportamento pode ter relação com o fato de mulheres ainda serem educadas como se fossem frágeis, dependentes de um homem provedor.

"Não é a toa que o tema relacionado à princesas seja o mais buscado para festas infantis das meninas. Porém, o príncipe encantado montado num alazão nem sempre surgirá nos caminhos da futura mulher", diz. Alegar que ainda não encontrou o cara certo é um discurso até aceitável, desde que esta pessoa seja real.

"O importante é não idealizar, seja o parceiro, seja o momento, pois o cenário vai ficando complexo demais, a ponto de sua realização se tornar quase impossível", lembra. Com isso, a mulher deixa de perceber potenciais parceiros para focar no homem que se encaixa no seu sonho. "Cabe a ela encontrar meios para que exista um equilíbrio entre aquilo que é sonhado e o que é viável", orienta Toniette.

O psicólogo pensa que a reação dos homens sobre o assunto se divide. Eles podem valorizar o fato de a mulher não ter tido relações sexuais anteriores ou enfatizar demais esse aspecto, a ponto de a mulher em si ser colocada em segundo plano. Mas, independente da postura do parceiro e das pressões sociais, vale ressaltar que só a mulher sabe quando chega o seu momento.

"O desejo de vivenciar a sexualidade se dá por uma junção de fatores, como a estrutura familiar, a escola, a religião, a situação socioeconômica entre outros", defende Marcelo. A perda da virgindade envolve ainda outras situações, entre elas o conhecimento do corpo e da forma que gosta de ser estimulada, o desejo de compartilhar a intimidade e de tocar e ser tocada pelo outro.

Há sim mulheres que se sentem bem em se manterem virgens depois de tantos anos, mas a partir do momento em que nasce a vontade de fazer sexo nasce com ela a necessidade de se refletir sobre os motivos que estão inviabilizando a prática. "Às vezes, a pessoa tem uma concepção tão negativa do sexo que acaba gerando um conflito com o seu desejo de vivência", comenta Toniette.

Uma forma de virar o jogo sugerida pelo especialista é promover a própria estimulação e o prazer. A masturbação pode ser um caminho interessante e útil para a mulher conhecer o próprio corpo e, assim, criar algumas referências que lhe ajudarão no momento em que existir o encontro sexual com um parceiro.

Para que essa primeira experiência sexual seja proveitosa, a mulher precisa superar qualquer tipo de pressão direta ou indireta e respeitar seus limites e os conceitos que considera importantes para si. Cabe a ela perceber o seu momento, sem se sentir pressionada ou estranha numa sociedade na qual tudo parece transpirar sexo.


"Se ainda não aconteceu, vale refletir sobre os meios para tornar a prática possível, se esse for o desejo da mulher. O mais importante não é a pessoa se engajar em ‘perder a virgindade’, mas em se permitir experimentar uma nova situação, na qual o sexo seja parte integrante", diz Marcelo. "Assim, a mulher terá um ‘ganho’ de uma experiência a mais na sua vida", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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