Vida sexual sem preconceito

Vida sexual sem preconceito

Quem assiste à novela "Viver a Vida", vê um romance surgindo da relação de Luciana (Alinne Moares) e Miguel (Mateus Solano). Nada de diferente, não estivesse a jovem numa cadeira de rodas, por conta de um acidente que a deixou tetraplégica. O jovem casal pode se tocar, se beijar, trocar carinhos, mas e o tabu em relação ao sexo?

O psicólogo com Paulo G. P. Tessarioli, especialista em sexualidade humana, garante que não importa a condição física da pessoa, é na mente que boa parte da sexualidade se manifesta. "A imaginação, quando estimulada pelo contato com algum tipo de conteúdo sexual, ativa o desejo sexual fazendo com que o corpo responda a esses estímulos através da ereção peniana, no caso dos homens ou por meio da lubrificação, como nas mulheres".

E isso pode acontecer inclusive em quem apresenta algum tipo de deficiência física. "Algumas limitações e dificuldades sexuais são comuns, mas é possível chegar lá também", destaca Paulo. A terapia sexual ajuda neste processo a superar as limitações impostas pela deficiência física. "Dependendo das limitações, a penetração é possível, sempre considerando algumas adaptações, como por exemplo, a escolha por determinadas posições em que o corpo fique mais apoiado".

Mas segundo Paulo, é necessário sempre tirar o foco da penetração. "O nosso maior órgão sexual é a mente. Tirar foco das limitações físicas também ajuda a potencializar a mente para o sexo. A mente encontra formas de minimizar estas dificuldades e proporcionar prazer".

Dependendo da dimensão do trauma sofrido, nos casos em que as sequelas dificultam o caminho entre desejo, excitação e orgasmo, os estímulos não são suficientes. Nesse caso, é necessário, por exemplo, praticar a masturbação com mais frequência. "Novas maneiras de estimular o corpo são necessárias para buscar respostas mais adequadas e satisfatórias. Na atividade sexual todo o corpo pode estar envolvido e não só os órgãos sexuais".

O orgasmo também varia de acordo com o trauma sofrido. Nos casos de lesão medular, o orgasmo pode ser obtido com estimulação física (masturbação) e a ejaculação pode ser retrógrada. Nesse caso, o esperma vai parar na bexiga, fenômeno conhecido como "orgasmo seco". "As sensações psicofisiológicas são as mesmas, mas não há ejaculação visível", explica Paulo. Por conta disso, a infertilidade pode ser uma conseqüência. E nesse caso, a melhor saída é reprodução assistida.


Para Paulo, o mais importante é ressaltar que a sexualidade da pessoa com deficiência física cria um dilema conhecido: a possibilidade de ter uma vida sexual feliz sem que o foco esteja na penetração. "A sexualidade não pode ser resumida apenas às ações dos órgãos sexuais - pênis e vagina. Há que se haver uma descoberta da sexualidade na pessoa portadora de necessidades especiais. A maior limitação está na cabeça, na forma de pensar a sexualidade. Não é possível comparar, mas é possível alcançar um grau de satisfação quando se supera o preconceito", finaliza.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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