Viciadas em sexo

Viciadas em sexo

Homens estão mais ligados ao sexo por razões óbvias. Desde sempre, eles foram criados para ter relações sexuais a fim de procriar e perpetuar a espécie. Aqueles que buscam a prática em dose exagerada podem ter esse comportamento associado à compulsão.

Embora muita gente não acredite, as mulheres também fazem parte desse grupo, só que em menor quantidade. Pelo menos é a constatação do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proard) da Unifesp. "Podemos dizer que mais de 90% dos pacientes são do sexo masculino. Em uma pequena amostragem constatamos que há 1 mulher para 15 homens", atesta o psiquiatra Aderbal Vieira Jr. Responsável pelo ambulatório de dependentes não químicos e sexo patológico, o psicoterapeuta acredita que seja possível ter mais mulheres por aí que sofram com a compulsão, mas muitas além de não saberem ao certo se são dependentes também não buscam ajuda com medo do preconceito. "As pessoas até entendem se isso acontece com um homem, porém com elas é diferente", aponta o psiquiatra.

Em busca de saciar o vício, homens ou mulheres acabam comprometendo seus relacionamentos, pois vão em busca de vários parceiros ao mesmo tempo, amantes e relações extraconjugais. Além de se expor intimamente e não saber escolher os seus companheiros, mulheres correm o risco do sexo sem proteção e, principalmente, de serem agredidas.

Conforme o psiquiatra, não é somente a prática do sexo em si que pode prejudicar mulheres compulsivas. Fantasias sexuais freqüentes ou mesmo a masturbação excessiva são responsáveis por comprometer a rotina de muitas delas. "Após a prática, elas até se arrependem. Como os dependentes de álcool, por exemplo, há sim o prazer para saciar aquela vontade", acrescenta Aderbal que dos poucos casos que atendeu ele cita uma paciente que não buscava casas de Swing, mas começou a freqüentá-las por conta da dependência. "Já outra tinha seis amantes ao mesmo tempo e, claro, não conseguia administrar isso", conta.

Assim como todo transtorno, não há cura. Segundo o psiquiatra é preciso que o comportamento seja mudado e adequado com o estilo de vida de cada um. "Mais ainda. É necessário entender o quanto ele é prejudicial para que o paciente possa viver tranquilamente. Geralmente usamos a psicoterapia cognitivo-comportamental para depois partir para os medicamentos", diz.

Esses são usados em dois casos, quando o paciente precisa de algo mais potente para se controlar antes de começar o tratamento psiquiátrico, ou quando o comportamento compulsivo está associado com ansiedade ou medo.

"Dessa forma tratamos primeiro esses transtornos para que ele esteja preparado para o tratamento da compulsão sexual", explica. Geralmente, a terapia é prolongada e exige muito do paciente, por isso Aderbal afirma que muitos conseguem superar o comportamento, outros controlá-lo, e há também aqueles que não se recuperaram e abandonam o programa. Outra questão citada pelo psiquiatra é que não existem muitos especialistas nessa área no Brasil.


Homens e mulheres que queiram procurar ajuda podem agendar uma consulta no próprio PROAD, através do telefone (11) 5579-1543. Já a Universidade de São Paulo mantém dentro do PROSex. Programa de Reabilitação e Orientação Sexual, um serviço de orientação através da internet. As dúvidas podem ser solucionadas através do e-mail sosex@kaplan.org.br, com atendimento via MSN. Basta adicionar o e-mail que um especialista pode respondê-las na memsa hora ou mandá-las em até 48 horas. As perguntas também podem ser enviadas diretamente através do endereço (http://www.kaplan.org.br/sosex.asp).

Por Juliana Lopes

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