Transtorno do desejo sexual

Transtorno do desejo sexual

Para muitas mulheres, o prazer e o desejo sexual caminham juntos, de mãos bem dadas, protagonizando uma vida debaixo dos lençóis sadia, ativa e bem agitada. Mas para cerca de 35% delas, um vilão assola as quatro paredes: o transtorno hipoativo.

Esse mal, de nome esquisito, já foi chamado de frigidez. Hoje se sabe que essa diminuição do desejo e das fantasias sexuais pode chegar até uma ausência completa, gerando sofrimento intenso para o casal.

"Além da pouca inspiração para criar ocasiões onde os encontros íntimos ocorram (diminuição da sensualidade), há uma iniciativa sexual pobre (baixa erotização). Enquanto a primeira pode até influenciar no comportamento, a segunda leva a uma diminuição nos pensamentos e fantasias, além de pouco prazer nos jogos sexuais", explica o ginecologista e obstetra Eliezer Berenstein.

O médico Henrique Oti Shinomata, também ginecologista e obstetra, explica que o diagnóstico desse transtorno é eminentemente clínico, devendo-se considerar a partir de um mínimo de seis meses dos sintomas. "Existe uma perda do desejo sexual que frequentemente associa-se com problemas de excitação sexual ou com dificuldades para atingir o orgasmo. É importante investigar o parceiro, pois se o mesmo possuir alguma disfunção erétil poderá desencadear o transtorno de desejo sexual hipoativo (TDSH) na mulher", detalha.

Segundo ele, essa alteração da sexualidade é uma das disfunções mais difíceis de serem tratadas e, por isso, a mulher deve buscar ajuda com profissionais especializados. "Na maioria das vezes, são causadas devido a problemas psicossociais, muito mais que patologias orgânicas". Eliezer completa dizendo que é necessário investigar, em primeiro lugar, o que representa para o casal a falta de interesse ou desejo sexual da mulher. "Se este casal estiver vivenciando uma crise de hostilidades ou de outros tipos (econômica, familiar), o transtorno pode ser passageiro".

Os dois médicos lembram que exame físico feito é importante, bem como a avaliação laboratorial, a qual deve ser feita de acordo com a história e os achados do exame físico, podendo então ser descartada uma causa orgânica.

Fatores como alterações hormonais (hipotireoidismo, aumento da prolactina, diminuição da testosterona), doenças genitais, diabetes, doenças cerebrais, estresse, ansiedade, medicações e drogas, como cigarro e bebidas alcoólicas, podem desencadear o problema. O pós-parto também pode levar ao transtorno. "Aqui vários fatores contribuem para a diminuição do desejo sexual, desde as condições da genitália, amamentação, cuidados ininterruptos com o recém-nascido, depressão pós-parto e características hormonais da própria amamentação", explica Eliezer.

O melhor tratamento para esse tipo de transtorno visa à redução da ansiedade e ao aumento do prazer sexual. "Deve-se, como ponto de partida, informar precisamente ao casal quanto aos diversos fatores que influenciam o desejo sexual e quais os aspectos causais observados na avaliação clinica deles", diz Eliezer. Segundo ele, é preciso disposição do casal para a compreensão dos problemas identificados e disposição daquele que não apresenta o problema. "É essencial também melhorar o processo de comunicação entre o casal", afirma.

Henrique diz ainda que alguns medicamentos, como o sildenafil e o flibanserin estão em testes para atenuação do problema. Esse tipo de medicamento age como ativador da resposta sexual.

É ele quem afirma que é na idade adulta onde se encontra a maior frequência desse tipo de problema, principalmente perto da menopausa, no período do climatério. "É o momento onde aparecem várias situações que acentuam as alterações psicossociais, a Síndrome do Ninho Vazio, onde os filhos já não dependem mais do cuidado materno, alterações da imagem corporal (flacidez e rugas), por exemplo".

O mesmo médico lembra ainda da importância da atitude proativa do parceiro, que precisa ser mais sedutor e romântico para que a mulher consiga se completar na relação conjugal. "Como há certa diminuição da lubrificação e da libido, característica dessa fase, o companheiro precisa ser muito mais carinhoso na pré-relação e muito mais potente para que a mulher consiga chegar a satisfação plena. Com o parceiro assim, o transtorno de desejo sexual hipoativo dificilmente se manifesta".


Para não confundir com uma simples baixa na libido, vale a dica de Eliezer. "Nas disfunções temporárias a queixa está direcionada para o foco sexual e não a sua progressão".

Por Sabrina Passos (MBPress)

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