Tchau, tabu! Você tem intimidade sexual com seu parceiro?

tabu intimidade sexualidade

Foto - Brooke Fasani Auchincloss/Corbis

O que é intimidade sexual? Estar nu na frente de alguém, fazer isso durante anos ou saber exatamente onde fica cada pelo do corpo do parceiro? É mais do que isso. Ser sexualmente íntimo de alguém significa dividir todos os segredos que envolvem sua sexualidade e, para isso, é necessário manter um diálogo sem tabus.

A maioria dos casais mantém uma quantidade razoável de preconceitos em seus relacionamentos. Estes vêm no rastro de um forte pudor enraizado na criação familiar. Como diz a psicóloga Maria Teresa Reginato : "Todos temos algum tabu ou inibição que a intimidade real pode dissolver - à exceção de fobias e traumas, que demandam uma interferência profissional".

A inibição está presente ao longo da história das famílias e é fruto da sociedade patriarcal, como explica Maria Teresa.

"O assunto foi dominado por homens e as mulheres castas [virgens] não deveriam abordar o tema. Assim, a educação das crianças, majoritariamente delegada às mulheres, ficou deficiente nesse aspecto. O homem [criado por mulheres que não falavam sobre sexo] ficou ‘encarregado’ de iniciar meninos e esposas. Eles recebiam apenas a visão masculina da sexualidade, conhecendo quase nada de seu corpo e desejos. E assim se seguiu."

Para se ter ideia da quantidade de preconceitos que são passados de tempos em tempos e que até hoje atrapalham relacionamentos, fizemos uma listinha dos principais. Quais desses tabus existem em sua relação?

- Homens e mulheres precisam chegar ao orgasmo ao mesmo tempo;

- O que estimula um deve, necessariamente, estimular o outro na mesma proporção;

- Eu conheço muito bem o meu corpo, mas acho a masturbação errada;

- Não dá para falar sobre sexo. É sempre uma crítica ruim quando dizemos que não gostamos de algo;

- Fantasias sexuais são um reflexo da realidade. Só ameaçam a segurança e confiança do parceiro;

- Ele quer tanto de sexo anal. Preciso fazer isso por ele;

- Não uso vibrador em forma de pênis porque é uma forma de traição;

- Não conhecia essa posição. Onde você está aprendendo? Está me traindo?;

- Broxar é inaceitável!

Viu só quantos? A consequência desses e outros tabus é a deficiência da sexualidade do indivíduo, que impede o prazer e pode até gerar dor. Isso causa insatisfação e frustração na pessoa e em toda a relação conjugal, atrelando uma imagem negativa ao sexo.

Se toque!

Não adianta negar. O sexo é parte fundamental em uma relação prazerosa a dois e não pode ser negligenciado. Para que a situação não cause perda de interesse sexual ou a procura de atividades mais prazerosas fora do relacionamento, aposte no diálogo. A sexóloga Fabiane Dell’Antonio, da Hot Flowers (http://www.hotflowers.com.br/), instrui: "É necessário que cada um exponha o que gosta ou não, suas preferências, necessidades de inovação e dificuldades".

Para dizer exatamente onde gosta de ser tocada ou o que a excita, é necessário que você se conheça. E isso não serve apenas para as mulheres, mas para os rapazes também. O autoconhecimento é fundamental para que o orgasmo de ambos não seja prejudicado.

Chega de fingir!

Além disso, mulheres: não finjam orgasmos! Isso nada mais é do que uma mentira no relacionamento. Se o seu parceiro não está acertando a mão na missão de lhe dar prazer, deixe isso claro. Instrua-o sobre o que você mais gosta ou o que te deixa desconfortável. Não tenha medo de dizer "coloque o dedo mais para cima" ou "isso, amor, está ótimo". Além de evitar situações desagradáveis, ainda é um estímulo positivo para que seu companheiro faça o que mais lhe agrada.

Se vocês não conseguirem se abrir por conta própria, procurem ajuda especializada. "Mulheres e homens com dificuldades na vida sexual devem buscar ajuda de profissionais da saúde especializados em sexologia. É importante identificar a causa e tratá-las individualmente e em casal", indica a sexóloga.

Não sacrifique seu prazer por vergonha de dizer o que gosta. E não acredite nas "verdades universais" que camuflam a maioria dos "assuntos intocáveis do sexo".

Por Juliany Bernardo (MBPress)

Comente