Sexy agora é brega!

Há pouco tempo atrás comentei numa festa que finalmente as tendências da indústria da moda apontam para um corpo mais coberto - ou seja, para a sensualidade adivinhada e não exposta e óbvia como vem acontecendo nas últimas décadas.

Várias pessoas se manifestaram querendo saber como é isso. Pois é: estamos tão desacostumadas ao exercício de seduzir com sutileza que nem sabemos mais como é que é. Mas Marilyn Monroe um dos ícones de sensualidade do cinema e do século 20 sabia. Ela dizia que o corpo era pra ser visto e não para ser coberto. E sabia como ninguém mostrá-lo. Só que a sua idéia de mostrar o corpo era muito diferente da das popozudas e cachorras de hoje - daí seu sucesso retumbante.

Ela sabia que a questão não era mostrar, mas descobrir o corpo da maneira certa. O seja: é para ser só um pouquinho. É para ser com muita parcimônia, regulando aquele pedaço de pele que vai se exibido. É para ser uma parte por vez: pernas, colo, barriga ou braços. Jamais mostrar tudo junto. É para ser mostrado apenas o que está suuuper em ordem. Senão recorre-se a transparências.

E finalmente é para mostrar e descobrir seu corpo idealmente “sob medida” O que quer dizer isso? Que você vai medir, e calcular com cuidado o que vai mostrar. E não confiar em decotes e fendas oferecidos pela loja onde comprou a peça. Vai adequá-los ao seu corpo pra valorizar o que mostra, jamais expondo-o demais desnecessariamente.

Pois é. Quem disse que descobrir o corpo é fácil? Que o diga Rita Hayworth outra mulher deslumbrante que até hoje faz os marmanjos suspirarem enquanto faz um strip tease de longos minutos na tela apenas para tirar... adivinhem - uma única luva!

Sexy é brega! Está decretado por todos os desfiles vistos no último São Paulo Fashion Week: os estilistas decretaram guerra ao estilo gostosa popozuda. Agora roupas declaradamente sensuais passaram a ser, digamos... mal vistas.

“Esse negócios de siliconada e muito decotado está ficando brega”. Palavras de Ronaldo Fraga um dos nossos talentos nacionais. Ufa que alívio! Isso quer dizer que agora as mulheres não vão mais se sentir na obrigação de se parecer com a última gostosa das revistas de tv.

O que não quer dizer que o erotismo passou a ser brega, nada disso. Apenas que, finalmente nos permitirão viver nossa feminilidade da nossa maneira. Ou seja, a sensualidade continua a existir, mas é mais presumida do que exibida. O corpo fica mais preservado embora igualmente erotizado. Como assim?

Bom, vocês já ouviram falar de desejos ocultos não é mesmo? Pois então, daqui pra frente talvez comecemos a trabalhar nossas paixões e desejos de dentro para fora, como aconselhou a estilista Miuccia Prada, precursora dessa tendência dizendo que deveríamos estudar e ler mais... Pois é. Miuccia é otimista.

Não acredito que ex-Barbies ou popuzudas de plantão vão se transformar da noite para o dia em filósofas elegantérrimas. Porém, certamente, o fato de as vitrines pararem de exibir tops minúsculos, transparências impossíveis e micro saias, talvez as ajude a perceber que o buraco, com o perdão do trocadilho chulo é muito mais em cima - no caso, pertinho do cérebro.

Jornalista, escritora e palestrante, Claudia Matarazzo é autora de vários livros sobre etiqueta e comportamento: “Visual, uma questão pessoal”, “Negócios Negócios - Etiqueta faz parte”, “Amante Elegante - Um Guia de Etiqueta a Dois”, "Casamento sem Frescura", "net.com.classe", "Beleza 10", "Case e Arrase - um guia para seu grande dia", "Gafe não é Pecado" e "Etiqueta sem Frescura"

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