Sexualidade de cinema - o que está por trás dos pôsteres de filmes

Sexualidade de cinema

Uma Cilada para Roger Rabbit. Foto: Divulgação

A divulgação de um filme não se resume a um bom trailer. Quando vamos ao cinema o que mais vemos são cartazes de longas que tentam de todas as maneiras nos passar um rápido resumo do roteiro e nos convencer a vê-los na telona.

Entre cartazes que provocam risos e até medo, há outros que nos atraem por conta do apelo sensual e sexual. E são justamente esses que resultaram numa lista bacaninha feita pela revista inglesa "Total Film", que selecionou os 50 pôsteres de filmes mais sexy de todos os tempos.

O Vila Mulher selecionou 10 deles e contou com os comentários do psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Jr, também diretor do Instituto Paulista de Sexualidade sobre cada deles. Confira:

Uma Cilada para Roger Rabbit

Na opinião de Oswaldo, o uso de desenho é uma forma de burlar a censura individual, pois olha-se já sabendo que não é a realidade, e disfarçadamente, já se pode soltar o desejo e sentir-se atraído. "O desenho pode incluir o que seria considerado descaradamente sexual. Um exemplo é o vestido vermelho com as costas e ombros nus e a longa abertura para visualizar a perna", comenta. "Considerando ser um desenho, podemos também compreender que, se fosse uma mulher assim vestida, haveria algo sexualmente explícito, uma vez que este formato de vestimenta não é comum, algo que as pessoas já sabem ser muito sexual", completa.

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

Barbarella

"Através de um argumento ficcional, algo já compreendido que não existe, a personagem pode se exibir sexualmente, mesmo que não se encaixe num contexto de realidade. Assim temos mais uma forma de burlar a autocensura de cada pessoa, que observa o cartaz ou assiste ao filme. "Novamente, este formato implica na existência de uma censura social sobre visuais com expressão sexual, mas quando é notadamente ficcional, assim pode!", diz o psicoterapeuta.

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

Lolita

O especialista pensa que o uso de signos relacionados ao sexo - o coração, o vermelho e a metáfora do pirulito (socialmente infantilizando, mas erotizando na subjetividade) - tudo isso conduz o observador a compreender que se trata de algo sexual, incluindo o nome no diminutivo, como supondo alguém que se submeta. "O mesmo significado encontramos no olhar por cima das lentes dos óculos, indicando a busca de fazer algo que não seja diretamente percebido pelos demais", comenta.

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

Shame

"Este cartaz já demonstra a possibilidade do explícito sexual ser apreendido por quem olha. O cartaz já afirma ser o filme de conteúdo sexual, produzindo expectativas direcionadas", afirma.

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

9 ½ Semanas de Amor

"O cartaz pressupõe um filme mais sexual, no qual a mulher é responsável pela atração sexual. As circunstâncias de sombra de persianas com a mulher como que mexendo debaixo da saia, instiga a pessoa a observar e se estimular sexualmente", explica Oswaldo.

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

O povo contra Larry Flynt

"O filme retrata o personagem principal sendo motivo de uma crucificação pela exposição sexual. Comparado a Cristo, com a bandeira estadunidense cobrindo-lhe os genitais, ele mesmo cobre o genital feminino, como representando-se no contato sexual genitalizado", descreve o especialista. "Usando o contexto associado ao sexo, o filme discute as estruturas sociais mais do que situações sexuais, mas usa o tema sexo para chamar a atenção".

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

Sabor da paixão

"Símbolos como a pimenta e um suposto lençol branco na base conduz quem observa a pensar em sexualidade. Outro fator nesta direção é a boca ligeiramente entreaberta, além do olhar direto e pupilas dilatadas que demonstram interesse sexual".

Sexualidade de cinemaualidade de cinema

Foto: Divulgação

007 - Somente Para Seus Olhos

Oswaldo ressalta que, historicamente, as armas têm sido associadas a poder e sexo. E neste caso, James Bond é diretamente associado a esta questão. "O cartaz mostra um homem apontando uma arma para as pernas abertas de uma mulher também armada, reforçando a ideia de situações agressivas associadas ao sexo".

Sexualidade de cinema

Foto: Divulgação

O pecado mora ao lado

"A exibição do corpo para o prazer do outro redobra-se pelo cartaz, anunciando que o filme permite a um homem estimular-se com a exposição corporal incomum. Mesmo que em vestido branco, supostamente angelical, sem sexo...", analisa o psicoterapeuta. "O homem vestido totalmente, com mãos no bolso, inativo, só olha. Subentende-se que o sexo pode, desde que não seja genitalizado... o sexo meio escondido, meio aparente, tem sido justificado como mais erótico, e apenas desvia a atenção do prazer do sexo genitalizado para o novo prazer que pode produzir. Assim o homem na rua pode apenas olhar, sem tornar-se incômodo".

Sexualidade de cinema

Foto: Divulgação

A primeira noite de um homem

"O cartaz passa a mensagem da inocência frente a quem lhe pode ensinar sobre sexo e a passagem da vida infantil para o mundo adulto. O sexo é deduzido pela perna com meias vistas pelo rapaz. O filme revela ainda que existem pessoas adultas que ensinam adolescentes a serem sexualmente adultos, mesmo que o sexo de adultos com menores seja execrado e postule medos e terrores. Não querem que exista, mas existe..."

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente