Revendedoras testam produtos eróticos sim!

Revendedoras de produtos eróticos

Óleo Phanta - lubrificante que causa sensação de calor (Kama Shastra). Foto/Divulgação Rede Mel

Quem assistiu ao filme brasileiro "De Pernas pro Ar" se divertiu com Maria Paula interpretando uma revendedora de produtos eróticos para lá de animada, que usava boa parte dos produtos que comercializava em sua Sexy Shop. Mas será que esse perfil de vendedora existe só na ficção?

Não mesmo! O Vila Mulher conversou com uma revendedora de produtos eróticos de Goiânia que testa os produtos antes de oferecer às clientes. "Eu costumo usar alguns produtos para saber se são bons. Gosto de manter a qualidade do que eu vendo e ofereço produtos de acordo com o meu gosto próprio. Se eu não gosto, não vendo", garante Vanessa Sofia Noer, Relações Públicas, de 23 anos, que trabalha para a Rede Mel.

Vanessa namora há quatro anos e faz do seu parceiro uma cobaia. "Ele acha meu trabalho divertido e colabora bastante", conta. Quanto aos produtos mais procurados, a revendedora conta que tudo depende da experiência da cliente. "As iniciantes procuram pelos géis comestíveis e bolinhas explosivas. E quem procura pelos fetiches costuma adquirir óleos de massagem, penas, máscaras, vendas para os olhos e velas que se transformam em produtos para massagem", revela.

Aos poucos, elas entram na fase dos brinquedinhos. Entre eles estão os vibradores. Os mais vendidos são os menos realísticos, com textura e com um plug a mais, para quem deseja experimentar outras sensações, como o sexo anal. "As casadas não compram este tipo de produto, com receio de que o marido possa pensar. Já as solteiras compram mesmo", afirma.

A Relações Públicas trabalha em uma empresa de software e procurava uma ocupação extra, mas queria algo diferente. Depois de pesquisar tornou-se revendedora de produtos eróticos em março de 2010. Para fazer as vendas, Vanessa atende clientes depois do expediente e aos fins de semana. "Também firmei parceria com salões de beleza e, quando tenho oportunidade, faço a revenda dos produtos para grupos de mulheres nesses locais, por meio de brincadeiras e demonstrações".

Vanessa conta que para comecializar este tipo de produto é preciso que a revendedora se torne amiga da cliente. "Eu procuro deixá-las bem à vontade para fazer perguntas. Normalmente elas querem saber qual a sensação que determinado produto traz e eu tento explicar, mas sem entrar em detalhes que possam constrangê-las", diz.

Algumas de suas clientes compram semanalmente e gastam entre R$ 40 e R$ 50 por vez. "As casadas são as que compram mais, porque os produtos que eu vendo são voltados para fomentar a interação do casal. Elas sabem muito bem do que seus maridos gostam. Já as solteiras nem sempre se sentem à vontade para comprar produtos e usar na cama com o parceiro", diz Vanessa.

E quando questionada sobre um comentário feito pelo ator Antônio Pedro no filme - de que mulher não pode saber mais do que homem na cama - a revendedora discorda. "A gente sempre tem que deixar o homem dominar, mas quando a mulher toma iniciativa eles também gostam. Os rapazes não têm o costume de levar novidades para a cama. É a mulher que faz isso pelos dois. E os produtos são comprados por elas para serem usados no parceiro", alega.


Para quem deseja ingressar nesse meio, Vanessa conta que precisa ser criativa e desinibida. "Uma revendedora de produtos eróticos deve pesquisar novidades, interagir e confiar naquilo que está vendendo. E tem que usar! Não todos os produtos, mas alguns. Faz parte do processo. Se não passarmos uma boa imagem do produto, a cliente vai ficar constrangida e não terá uma experiência com o produto", completa.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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