Retrato: comportamento sexual do brasileiro

Retrato comportamento sexual do brasileiro

Depois de dois meses de pesquisas em 2008, o Ministério da Saúde acaba de concluir o maior estudo sobre o comportamento sexual do brasileiro. Mais de 8 mil homens e mulheres das cinco regiões do Brasil foram entrevistados, todos entre 15 e 64 anos. E a partir dos dados colhidos, a intenção do governo é usar as informações como auxílio na execução e até avaliação de políticas para Aids ou outras doenças sexualmente transmissíveis. “Essa pesquisa é importante para basear o nosso trabalho e até as políticas públicas com relação à prevenção e à promoção da saúde”, afirmou Juny Kraiczyk, assessora técnica da Unidade de Prevenção do Departamento de DST/Aids.

Entre as diferenças mais significativas apontadas na pesquisa estão àquelas encontradas entre homens e mulheres. Elas tiveram três vezes menos parceiros casuais do que eles, no ano anterior a pesquisa. E, durante a vida ativa, pelos menos 10% dos homens entrevistados já tiveram relação com alguém do mesmo sexo. Entre elas, o número é de 5,2%. A vida sexual dos homens começa antes: 36,9% com menos de 15 anos. Entre elas, o percentual cai pela metade.

A comparação dos resultados da pesquisa de 2008 com os dados de quatro anos atrás acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. Segundo os dados, o brasileiro tem feito mais sexo casual. Em quatro anos, o número (que era 4%) mais que dobrou. E a pesquisa identificou ainda uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.

Esta foi a primeira vez que a pesquisa analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. E os dados mostram que 16% dos brasileiros traem - dos 43,9 milhões que viviam com o companheiro, 7,1 milhões tiveram parceiros eventuais, no mesmo período. E são eles quem mais traem: 21% contra 11% delas.

“Mas é muito importante atentar para o fato de que as pessoas que mais fazem sexo casual são as que mais se cuidam e usam preservativos”, alerta a Juny. “Assim, as mulheres casadas ou em relações estáveis, por exemplo, continuam as mais vulneráveis”.

Ela explica que isso se deve muito a dificuldade da mulher em negociar o uso de preservativos e impor alguma forma de prevenção. “Somado a isso, temos o fato de que o preservativo feminino ainda é pouco usado. A mulher, que sempre foi quase proibida de se tocar, ainda encontra dificuldades em assumir seu uso”, pondera. Hoje, o Ministério da Saúde mantém um “Plano Nacional de Enfrentamento da Feminização da Aids”, visto que o número de mulheres com a doença vem aumentando, inclusive entre as que têm relação estável.

Quer saber de outra luz vermelha? Nas parcerias casuais fora da relação estável, o uso de preservativo é baixo. Entre as mulheres, 75% assumiram não usar camisinha em todas as vezes que fizeram sexo com o parceiro eventual, correndo risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis.

A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids foi realizada por técnicos do Ibope em e as características sociodemográficas se assemelham às do Censo do IBGE: metade eram homens, entre 25 e 49 anos.

A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz.


Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente