Quilometragem sexual

Quilometragem sexual

A lista de quantos homens você já foi para cama não é diretamente proporcional a beleza ou feiúra do seu caráter. Longe disso. Ainda mais agora, em tempos de liberação sexual e igualdade entre os gêneros. Mas sim, ainda há um tabu enorme quando o assunto é quantidade!

No caso das mulheres, quem é mais experiente corre infelizmente o risco de ser tachada de "rodada". Então, será que vale contar sobre seu passado sexual para o novo príncipe? E será mesmo que a "quilometragem" importa?

"Racionalmente, não há necessidade de contar. O importante mesmo é desfrutar de um relacionamento de qualidade e guardar na lembrança o que foi bom do passado. Ficar contando, para montar currículo, é típico de adolescente, de quem inicia a vida sexual", aponta a terapeuta sexual Carla Cecarello.

Os homens mais machistas preferem a negação. "Melhor não saber mesmo. Me sinto mal em saber que minha namorada já foi pra cama com outros caras. Prefiro não falar sobre o assunto", confessa Paulo Dias, de 29 anos. Os casais mais liberais falam sobre o assunto naturalmente e acham que o diálogo enriquece as experiências. "Eu sabia que ela não era virgem quando começamos. Logo, outros já tinham estado com ela. É legal dividir experiências, sem envergonhar o outro, claro", completa Ricardo Pires, de 35. Ele acha que criar situações embaraçosas é infantilidade. "Comentários pejorativos, que indiquem preconceito, não levam à nada, nem numa relação superficial", completa. "As pessoas tem experiências antes de passarem pela nossa vida e ponto final".

Outros homens não se importam em assumir que queriam mesmo era casar com uma mulher virgem. Leonardo Silva, de 26 anos, é um deles. "Mas como sei que isso não existe, me conformo. E acho que não começaria um relacionamento sério se soubesse que a menina rodou demais", disse. Ele garante que apenas um número "muito alto" o faria mudar de ideia e desistir da menina. "Acho que mais de dez já é bastante", opina.

Roberto Lopes, de 36 acredita que o homem apenas pergunte sobre isso quando já tem alguma intimidade. "Num primeiro momento, se tiver sentimento, acho que todo homem se importa. Mas depois releva e tenta não considerar", acredita. "Eu, particularmente, não ligo", garante. "Só não gosto de comparações e muito menos que fique lembrando as experiências anteriores".

Mário Peixer, de 29 anos, afirma que é mentiroso o homem que diz que não quer saber sobre a "quilometragem" da mulher. Ele garante que se a menina não é da cidade e ele não conhece ninguém com quem ela já tenha transado, não há problema, mesmo se tiverem sido muitos. "Mas não namoraria uma menina que sei que dormiu com vários caras conhecidos, principalmente numa cidade pequena, como a que moro", admite. Para ele, se passou de duas dúzias, o número é alto. Mário admite ainda que exista preconceito com as mulheres mais "experientes", principalmente se essa experiência é pública. "Vejo muito homem comentando, falando sobre isso. Apontam a namorada de alguém e dizem que já transaram, só para aumentar a moral. Com mulher é bem mais complicado. O homem ainda é muito machista quando se trata de sexo", confessa.


Carla concorda e diz que a cultura ainda é mesmo opressiva. "Se a mulher que tem muitos relacionamentos deixa isso público, pode sofrer consequências como não encontrar marido ou namorado e acabar mal falada. Ainda mais se a ‘experiência’ for numa cidade pequena, num grupo de amigos ou no ambiente de trabalho", afirma a terapeuta. Mas ela lembra ainda que as próprias mulheres são preconceituosas. "Se conhecem um homem que teve poucas namoradas, já questionam sua sexualidade. E é preciso lembrar que a maioria dos homens são educados e criados por mulheres. Somos nós, então, que alimentamos esse círculo vicioso que valoriza a virgindade e crítica a experiência", pondera.

O melhor então é ter na mente que todo mundo tem passado - você e ele. E aprender a conviver de maneira civilizada com o que já passou, sem pudores, pode curar muita síndrome de posse. Vale apenas ficar de olho de que lado você quer ficar. Se contar vai melhorar a relação, bom para vocês dois. Mas, às vezes, o ditado ‘aquilo que os olhos não veem, o coração não sente’, pode evitar muita crise desnecessária.

"A experiência é muito importante porque é através dela que a gente aprende a se questionar, a perceber o que é bom e o que precisa melhorar. Assim, acaba aprimorando o desempenho. Não precisa trocar de parceiro toda hora, mas é preciso considerar que múltiplas experiências têm um lado muito positivo", finaliza.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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