Profissão - Coordenadora de canal pornô

Profissão  Diretora de canal pornô

Assistir cerca de 15 filmes pornôs por semana, essa é a função de Marcela Leone, coordenadora de programação do Sexy Hot. Primeiro canal adulto de TV por assinatura com conteúdo nacional, ele pertence a Playboy do Brasil Entretenimento, joint venture formada pela Globosat e Playboy TV América Latina.

Junto com mais duas pessoas da equipe, ela recebe filmes pornôs de várias distribuidoras, a maioria estrangeiros, e avalia quais deles estão de acordo com a temática do canal, que também atua com o formato hard (cenas de sexo bastante explícitas). O seu trabalho inclui observar também cenas gays para o canal For Man, que por ano chega a estrear cerca de 210 títulos de produtoras brasileiras, americanas e européias.

"A cada ano nos surpreendemos com as pesquisas. Na última, feita há dois meses, o público feminino do Sexy Hot representou 51% da programação. Por isso, cada vez mais procuramos longas que agradem a elas", conta.

Conforme Marcela, as produções americanas ainda são as que mais investem no público feminino, cujo roteiro envolve uma história mais elaborada "que faça sentido e, claro, sem cenas de lésbicas. Mas percebo que as produções nacionais também se preocupam com isso. Hoje temos mais ofertas e de qualidade", acrescenta.

Depois de três anos na profissão, ela diz que chegou a ficar chocada nos primeiros dias de trabalho. "Eu ficava me perguntado: estou sendo paga para ver filme pornô?". Hoje em dia, ela tira de letra, tanto que às vezes a sexulidade é um assunto comum na mesa de bar. "Me pego falando alto e nem percebo. Agora é como assistir novela das oito" (risos).

A sua principal função é fazer uma espécie filtragem do que pode ou não ser transmitido no canal. Que tipo de cenas não são permitidas?

O canal exibe cenas de sexo explícito, mas nada de sexo com animais, gestantes ou que remeta à infância (atrizes menores de idade). Também não entra cenas com urina ou fezes ou que envolva qualquer tipo de religião. Temos um manual a seguir, mas usamos sempre o bom senso. Muita coisa é discutida aqui na redação. Quando vejo que alguém está sendo mal tratado ou chorando, não colocamos mesmo.

Além dos filmes, o canal também trabalha com programas? Qual deles é mais voltado para o público feminino?

O canal tem dois programas. Um deles é o "Zona Quente", que mostra os bastidores do sexo no país. A equipe vai até casas de swing, festas temáticas e mostra o set de produção dos filmes adultos. Já o "Boa de Cama" é voltado exclusivamente para elas. São vários quadros com assuntos que vão desde dicas sobre as melhores posições, lingeries ou brinquedinhos eróticos.

Como vocês reagem com o aumento do mercado pornô na internet e, principalmente, com a pirataria?

Claro que a internet é muito mais acessível para quem gosta de ver filmes adultos. Mas a gente sempre bate na tecla da segurança. Ao assinar o canal, a pessoa não corre o risco de vírus, se a gente comparar com a internet. Também abrimos o serviço do canal para o site. A pessoa pode só assinar o site ou só a TV, é uma questão de escolha.

Existe alguma interatividade com a programação da TV e do site?

Sim, toda a sexta-feira nós produzimos o "Inetersex", uma espécie de "Intercine", aquele programa da Rede Globo. Colocamos uma tema, por exemplo, "Onde o sexo é mais gostoso", e três opções de filmes para cada situação: na praia, no motel, etc. A pessoa pode votar pela internet ou pelo controle remoto.


Desde que você começou a trabalhar nessa área, qual foi a cena que mais te chocou?

Como eu também trabalho para o For Man, vejo cenas de homossexuais, bissexuais e transexuais. O que mais achei estranho foi ver um travesti com mulheres, totalmente diferente. Essa temática gay tem uma audiência expressiva. Nós também vendemos muitos filmes separados, a La carte, para este público. Mas agora, já faz parte da minha rotina.

Por Juliana Lopes

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