Por onde anda Bruna Surfistinha?

Bruna Surfistinha

Ela já vendeu mais de 300 mil exemplares, com a história de uma vida (nada) fácil. Raquel Pacheco - ou Bruna Surfistinha - soltou o verbo e, em 2005, lançou seu primeiro livro, “O Doce Veneno do Escorpião”. Um ano depois, e já fenômeno editorial, ela assumiu a própria identidade e publicou “O que aprendi com Bruna Surfistinha”. Agora é a vez de ousar ainda mais. “Na Cama com Bruna Surfistinha”, o mais recente trabalho de Raquel, também virá lacrado, com o selo de recomendação de leitura para maiores de 18 anos.

Segundo ela, este livro é mais apimentado do que os outros dois, já que o foco principal é sexo. Desde a época que se prostituía e tinha um blog, Raquel recebia muitos e-mails de mulheres pedindo dicas e conselhos sexuais. Então, decidiu tirar as principais dúvidas neste livro. “Com ele, a leitora pode tanto aprender técnicas que considero como fundamentais para realizar um sexo oral inesquecível para o parceiro, como dicas para um strip-tease especial”, conta. Nos outros livros havia mais detalhes da sua vida pessoal. Nesse, o objetivo é apimentar a vida sexual dos leitores.

A história de Raquel (e Bruna) surpreende a maioria das pessoas porque ela deixou o lar rico para viver da prostituição. Esse espanto, segundo ela, é porque a garota de programa carrega um estereótipo de vir de família pobre e sem condições para arrumar um trabalho considerado normal perante a sociedade. “Mas posso afirmar que não fui a primeira de uma família com boa condição financeira que buscou a prostituição para ganhar dinheiro. Isso é mais comum do que as pessoas podem imaginar”. A diferença é que a maioria das companheiras de Raquel na vida fácil tem como lema a discrição. Ela não.

Raquel conta que o que levou ao mundo da prostituição foi dinheiro. “Ele é um vício, quanto mais temos, mais queremos. Por ter tido tudo o que queria materialmente e uma vida bastante cômoda, não queria sair da casa dos meus pais e perder a comodidade pela qual estava acostumada”, confessa. A prostituição foi a única maneira que ela encontrou de manter o padrão.

“Comprei um jornal com anúncios de vagas de emprego e, nas últimas páginas havia apenas anúncios de casas de prostituição”, conta. Instigada pelos anúncios que prometiam R$ 2 mil por semana, achou que era tudo que precisava. Aos 17 anos, fingiu que ia à escola e nunca mais voltou. “Quando percebi que aqueles anúncios não passavam de ilusão, já era tarde demais”, lamenta. “Apesar dos pesares, gostei daquela vida, tinha que encarar momentos horríveis, mas, por gostar muito de fazer sexo, encontrei entre as pernas, a chave para a liberdade. E a tão desejada independência financeira”.

Em entrevista para o Vila Dois, Raquel fala mais sobre a vida que escolheu - e porque resolver deixar. Madura, diz que tem os pés no chão, mesmo com toda fama que a mídia lhe deu. “Estou preparada para cair no esquecimento”. Em 2005, já decidida a largar a prostituição, conheceu o namorado e teve certeza que era mesmo hora de parar. “Tive medo de sentir falta de sexo em abundância ou do fato de ganhar dinheiro todos os dias, mas hoje sei que valeu a pena”.

O que mudou depois da publicação dos seus livros?

Eu não esperava o sucesso que conquistaria ao dividir a minha história com a sociedade e os frutos que colho ao ter dado a cara à tapa, me surpreendem até hoje. A principal mudança é que minha vida se tornou mais agitada, pois muitas oportunidades surgiram e estou focada em projetos que apareceram após os livros. Para aproveitar esta fase e fazer o máximo de limonada que consigo com um limãozinho, tenho de abrir mão de coisas que ainda não consigo conciliar, por falta de tempo, como a faculdade de Psicologia que tanto quero fazer.

No seu blog diz que você largou a prostituição. Bruna Surfistinha nunca mais?

Comecei a fazer programa já sabendo que não seria por muito tempo. Logo na primeira semana coloquei na cabeça que eu não ia querer me prostituir por mais de cinco anos. No segundo ano já comecei a cansar da situação de ir para a cama várias vezes por dia, eu tinha os meus momentos de prazer, mas nunca consegui me ver fazendo a mesma coisa durante a vida toda, gosto de novos desafios. Em 2005, quando completaria três anos, sabia que seria o último, então passei a me preocupar com o futuro, o período pós-prostituição. Mesmo não sendo religiosa, acredito que Deus foi muito bom comigo, acreditou em mim e me ajudou bastante nesta fase. Não é a toa que dizem que Ele não dá asas a cobras. Quanto a voltar a me prostituir algum dia, tenho certeza que isso não acontecerá mais. Aliás, essa á uma das poucas certezas que tenho.

Bruna Surfistinha  entrevista

E a vida de garota de programa, valeu à pena?

Hoje vejo que tinha que ter passado por aquela fase, foi importante para mim em vários aspectos, mas tudo o que tinha que ter vivido como prostituta, vivi. Vi e fiz de tudo no "mundinho da prostituição". Não posso afirmar que valeu totalmente a pena porque só eu sei os momentos que tive de encarar. Mas em contrapartida, conheci pessoas boníssimas e nos últimos meses como garota de programa, conheci o homem com quem aprendi o que é o amor verdadeiro. Além disso, eu acabei me conhecendo também, o fato de ter passado todos estes anos sem a família por perto, aprendi a cuidar de mim e a tomar decisões sozinha. Em três anos, amadureci muito, embora tenha cometido alguns erros no meio do caminho. Não me arrependo por ter sido garota de programa.

Quais seus projetos atuais?

Não posso ainda divulgar os meus projetos atuais, pois gosto de ser uma caixinha de surpresas, mas em 2009 todos se concretizarão. O principal deles é uma boutique erótica, apenas para as mulheres, mas os homens aproveitarão dos benefícios de maneira indireta. Minha vida atualmente é focada nos meus projetos, mas não deixo de me dedicar à vida a dois, que vai muito bem também.

E a família?

Ainda não houve uma reconciliação. Neste ano, completamos seis anos de distância. Ao mesmo tempo que estamos próximos, estamos longe. Mas já consegui lidar com esta situação, respeito o tempo e a decisão deles. É uma conseqüência que pago pela minha fuga aos 17 anos. Assumo que não fui um exemplo de filha, mas na nossa história não há vilão ou mocinho. Ambas as partes erraram em algum momento. Acredito muito que algum dia, nós nos encontraremos novamente e colocaremos todos os pontos nos is. Mas este dia chegará apenas quando nos perdoarmos. Não posso dizer pelos meus pais, mas eu espero muito por este dia.

Seu primeiro livro deve virar filme. Como está esse projeto?

Faz alguns meses que não tenho contato com a produtora TV Zero, responsável por este projeto. Não quero interferir em nada, pois a partir do momento que eles compraram os direitos autorais, a minha história está nas mãos deles. Por ser uma equipe muito boa, confio na conclusão deste projeto e por isso mesmo não me preocupo com nada. É claro que estou bastante ansiosa, mas no fundo a minha ficha ainda não caiu. Falo deste filme como se fosse de alguma amiga muito querida, mas não meu. É difícil de acreditar que haverá um filme baseado na minha vida.

O que acha da relação das mulheres com o sexo?

Está progredindo cada vez mais, pois elas estão se libertando dos tabus. Posso perceber isso com o contato que mantenho com minhas leitoras, que demonstram se preocupar com o próprio prazer. A mulher está aprendendo que pode se entregar ao prazer, ao sexo, sem medo da reação do parceiro e sem a encanação se está o satisfazendo ou não. Antigamente a maioria se preocupava apenas em satisfazer o homem, fazia sexo por fazer. Hoje este grupo é a minoria. Acho engraçado o tabu sobre masturbação feminina, por exemplo. Posso estar enganada, mas a ala feminina não se sente à vontade para comentar sobre este assunto ou simplesmente não se masturbam. Conheço mulheres que não se masturbam de jeito nenhum e não sabem o que estão perdendo.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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