Pole dance exercita e aguça a sensualidade

Quem não lembra da bela Demi Moore, no filme Striptease, e, mais recentemente, a atriz Flávia Alessandra, na novela global "Duas Caras", dando uma boa demonstração da prática da pole dance. Hoje, há muitas mulheres aprendendo a técnica que, além de tonificar os músculos do corpo, é uma incrível arma de sedução.

Às vezes esportiva, outras vezes sensual, a pole dance teve seus primeiros movimentos apresentados no Mallakhamb, uma espécie de ioga tradicionalmente indiana. Somente nos anos 80, na Inglaterra, passou a ser praticada de maneira artística.

A popularização da prática é tanta que algumas mulheres até compram a barra para fazerem os movimentos em casa. É o caso da Gabriela Valente, 21 anos, que pratica pole dance há 10 meses e há cinco possui uma barra em casa. Pagou R$ 700. "Não me arrependo do investimento. Aqui no Brasil ainda não temos uma barra giratória - que é meu sonho de consumo. Então temos que importar", conta. Ela explica que pratica a dança com intuito esportivo e, quando vai às baladas que tenham barras, mostra o que sabe. Mas dispensa os movimentos vulgares. "A beleza da pole dance está na união de força com a leveza e graciosidade, assim como várias modalidades circenses ou acrobáticas. E eu pretendo começar a competir em breve", revela animada.

Corpo sarado sem academia

A pole dance é uma boa saída para quem não gosta de academia. Foi assim que a professora Renata Wilke se interessou pela modalidade. Com título de especialista e formação na Argentina, ela pratica a dança há seis anos e dá aulas há três. "A pole dance trabalha a musculatura, alongando e fortalecendo pernas e braços. E diferente do que muitos pensam, concentramos a força no abdômem e não nos braços para a prática dos movimentos".

Pesando 60 quilos e usando manequim 38, ela garante: "Todo o meu corpo é trabalhado na pole dance. Ele define abdôme, reduz massa gorda, aumenta a massa magra e reduz a celulite. Hoje peso mais e uso numeração menor".

Gabriela, que tem aulas com Renata, confirma que ganhou mais força e definição nos músculos superiores e perdeu gordura na região das pernas. "Já tinha também uma boa flexibilidade, mas com a pole dance, passei a forçar mais e agora os espacates estão perfeitos", comemora. A jovem conta que buscou mais informações sobre a dança quando viu na internet notícias de que Britney Spears, Miley Cyrus e Madonna estavam mantendo a forma com pole dance e praticando os movimentos em seus shows. Foi no YouTube, se encantou por um vídeo da campeã mundial, Felix Cane, mas só deu o primeiro passo quando terminou um namoro. "Eu fiquei mal e resolvi que precisava dar uma animadinha nessa vida. Fiz uma aula experimental com a Renata Wilke, sai toda dolorida, mas muito feliz. Desde então eu não parei", explica.

Quem também fez carreira dando aulas de pole dance foi Alexandra Valença. Responsável pelos belos movimentos de Flávia Alessandra na novela, ela também deu aulas para todo o elenco de apoio de "Duas Caras", incluindo Juliana Knust, e também para a atriz Letícia Spiller. Há sete anos dando aulas e com o corpo bem definido, conta que está abaixo do peso por conta do excesso de aulas. "Estou sempre fazendo dietas de engorda. Dou muitas aulas e em São Paulo e em Ribeirão Preto e não consigo comer regradinho, de três em três horas", explica.

Um passo de cada vez

A pole dance está dividida em três níveis: básico, intermediário e avançado. No básico a mulher adquire consciência corporal, força e aprende a dar giros. No intermediário, começam as inversões (movimentos de cabeça para baixo) e acrobacias. E no avançado a aluna aprende a fazer inversões com giros e começa a se profissionalizar. Há ainda o master, que torna a praticante uma especialista. "A aluna leva de um a ano a um ano e meio para passar por todos os estágios", explica Renata. E como todo exercício físico, há restrições. Pessoas grávidas, com problemas de coluna, labirintite ou 20 quilos acima do peso não devem praticar.

Gabriela garante que não teve grandes dificuldades para fazer os movimentos. "É normal que eles não saiam de primeira, mas com o treino a coisa acontece. Acho que o que poderia ser uma dificuldade para algumas pessoas é a força que você tem de fazer e a dor de algumas posições que repuxam a pele", diz. "Mas é muito satisfatório realizar um movimento mais difícil ou que você tenha treinado muito para fazer", completa.

A jovem afirma que ainda vê um pouco de resistência nas pessoas quando fala da dança. "Elas dão risada e os meninos fazem aquela cara de safado. Mas depois que você mostra que pole dance é uma modalidade acrobática, a coisa muda. Meus amigos olham as fotos do meu Orkut e ficam impressionados".

Alexandra conta que já sofreu preconceitos por conta do trabalho: "Foi muito difícil desmistificar o pole dance, até as pessoas entenderem que não era uma dança de stripper e sim as strippers usavam". E continua: "Infelizmente, as pessoas estão vendo que essa dança dá dinheiro e querem trabalhar sem ter uma boa capacitação. O público não sabe os perigos que estão correndo. Pole dance é um exercício muito sério. Se não fizer tudo com cautela pode machucar o corpo".

Segundo Renata, apenas 5% dos homens praticam pole dance. Mas a procura vem aumentando tanto que ela pretende abrir um horário na sua academia somente para eles. "Fora do Brasil, esse interesse da ala masculinas é bem comum, só que lá eles usam o mastro chinês, como no Cirque du Soleil, e trabalham apenas a força física e não a sensualidade". E quando o assunto é Olimpíada, a professora lamenta: "Isso ainda vai demorar muito. A pole dance ainda não possui um órgão de regulamentação".

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Onde praticar

A boutique erótica A2 Ella afirma que é a primeira loja no país a possuir em suas dependências uma sala separada para aulas de pole dance. "Não podemos negar que a personagem de Flávia Alessandra impulsionou a busca pelas aulas. E mesmo com o fim da novela, a procura ainda é grande", revela a gerente Joice de Paula.

Todos os meses, o local dedica uma semana para os cursos, ministrador por Rosana Resende. Por R$ 400 a mulher faz quatro horas de aula, sendo uma hora por dia. "As aulas são individuais e têm como foco a sensualidade. E não é necessário um preparo físico. A professora trabalha de acordo com as possibilidades de cada mulher", explica Joice.

A academia de pole dance da Renata Wilke (http://www.poledancebrasil.com.br) também é bastante procurada. Atualmente são 158 alunos e uma caixa de e-mails diariamente cheia de pedidos de informações sobre o curso. Os preços variam: R$ 150 (uma vez na semana) e R$ 220 (duas vezes na semana). Isso no plano mensal. No trimestral são R$ 120 (uma vez por semana) e R$ 190 (duas vezes por semana). As aulas têm duração de uma hora e podem ser individuais ou em grupo de oito pessoas.

Renata ressalta que foi a primeira pessoa a fazer uma barra para ser vendida. O preço é R$ 550. "Comprei fora do Brasil e adaptei para se ter em casa", conta. Segundo a profissional, a barra deve ser de aço inox cromado, que dá mais aderência ao corpo. Nada de alumínio ou aço escovado, porque escorregam muito. "Evite também comprar uma barra de ferro pintada, porque ela queima a pele", alerta.

Alexandra vende barras de dois tipos: as de pressão que são removíveis (R$ 800) e a giratória (R$ 1.300), que é novidade no Brasil. "Vendo também o queijo (palco), a R$ 2.000", completa. A professora possui alunas em São Paulo e em Ribeirão Preto. A aula em grupo custa R$ 180 (uma vez por semana) e R$ 250 (duas vezes por semana). As aulas duram uma hora e meia. Quem prefere aulas particulares paga R$ 100 por hora.

E para quem não pretende levar tão a sério a modalidade, mas está disposta a fazer uma surpresa no Dia dos Namorados, Renata oferece curso de pole dance apenas para essa função. "Com uma média de cinco aulas, ensinamos cinco ou seis movimentos e uma inversão. Nesse caso mostramos também como dançar de salto alto e tirar o sobretudo".


Barras de pole:

A2 Ella: http://www.a2ella.com.br/index.php/barra-de-pole-dance.html

Renata Wilke - http://www.poledancebrasil.com.br/2010/04/30/home-pole-barra-de-pole-dance-removivel/

Alexandra Valença - alexandrajornal@hotmail.com

XPole - http://www.xpole.com.au/about.htm

Por Juliana Falcão (MBPress)

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