Personagens gays do cinema mundial

Personagens gays do cinema mundial

O segredo de Brokeback Mountain (2005). Foto Reprodução IMDb

O jornalista paulistano Stevan Lekitsch, sempre presente nas edições da Parada Gay de São Paulo, fez uma ampla pesquisa sobre o universo LGBT que resultou no livro "Cine arco-íris - 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras" (Edições GLS - 272 páginas, R$ 65,90). O autor vasculhou produções desde os anos 40 até 2009 e fez resenhas das que possuíam no elenco um personagem gay, lésbico, bissexual ou transexual, sendo ele o foco da trama ou não. Ao todo são 270 filmes.

Lekitsch é ativista gay e garantiu que assistiu a todos os longas citados. Para ele, iniciativas como essas ajudam a reduzir o preconceito. "Quanto mais você fala no assunto, mais as pessoas ficam acostumadas com ele. Acaba virando banal", disse em entrevista à revista Época.

Entre os filmes encontrados na lista estão "Festim diabólico", "Filadélfia", "Instinto Selvagem", "Carandiru" e "Cazuza - O tempo não para". Nem as pornochanchadas foram esquecidas. "Na década de 70, era tudo muito liberal. Era o fim da repressão sexual. Todo mundo era de todo mundo", comenta. "Quando a moral começou a ser consertada, alguns atores ficaram com certo receio de suas carreiras serem prejudicadas", lembra.

O filme que virou símbolo da luta contra o preconceito, "O segredo de Brokeback Mountain", não podia faltar no livro, mas o autor analisa o seu enredo com algumas ressalvas. "De certa forma, ele passa um mau exemplo. Fala de um homem casado que trai a mulher com outro homem. Sabemos que isso acontece, mas o filme confunde quem está tentando entender algo. Não é esse o caminho", pondera.

Personagens gays do cinema mundial

Cine arco-íris - 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras. Foto/Divulgação


Stevam vê o Brasil como um dos países mais avançados no que diz respeito aos direitos e à proteção dos homossexuais. E lembra que falta a comunidade LGBT fazer a sua parte. "Os gays são desunidos politicamente. Falta articulação para fazer pressão. A bancada evangélica é muito bem articulada. Eles conseguem eleger quem eles querem. Os gays precisam marcar seu território também na política".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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