O príncipe em mim

O príncipe em mim

A experiência não mente: nada melhor para os cabelos que uma boa ducha fria de vez em quando.

A experiência também ensina: todas as mulheres atuais, antigas e futuras, já levaram, estão levando e/ou vão levar um banho gelado algum dia.

Estou falando de vocês. Solteiras. Comprometidas. Ficantes. Amantes. Namoradas. Amigas.

Frustradas.

Cada rótulo marca um momento das nossas vidas. E o mais perigoso de tudo: nos define enquanto mulheres.

E isso me deixa maluca.

Por que esse rótulo depende, quase que exclusivamente, da decisão de um homem.

E uma decisão inconveniente, um banho de água fria, derruba qualquer uma. Qualquer uma. Somos todas farinha do mesmo saco.

Quando a água fria é repentina e impactante o suficiente para te fazer perder o fôlego e descarregar toda a adrenalina de uma vez, a promessa de cura é muito maior. É como tomar injeção: dá medo antes, aflige durante e dói pra caramba depois.

Mas passa.

E você reconhece que, no final das contas, foi para o melhor.

O problema não é a injeção. O grande perigo chama-se chocolate belga. Tentador, irresistível e quase impossível de encontrar. É aquele que você nunca pensou que um dia pudesse ser seu. Aquele que parece ter sido feito pra você, porque sabe exatamente do que você precisa.

Mas esse chocolate é uma arma silenciosa, gentil e fatal. Você sabe que eventualmente vai acabar, mas vive como se não houvesse o amanhã. E quando acaba, a sensação de perda só não é maior que a certeza de que aquilo, o consumo e fim, certamente vai te engordar, dar espinhas, ou no mínimo uma bela dor de barriga. Mesmo bem intencionado, esse chocolate causa um estrago caro, e que demora a consertar.

Mas vou te dizer uma coisa. Se esse chocolate faz tanta falta, você não está almoçando direito. Sempre há algo mais sério - e profundo - por trás do problema.

Porque tudo o que você procura e encontra nesse homem de quem tanto precisa, acredite, não é de crédito total dele. Tudo o que falta na sua vida, e esse cara aparece milagrosamente para preencher, está ligado a uma ausência muito mais profunda e pessoal sua.

Ele é divertido? E não está então na hora de rever quem são os amigos? Com quem você convive? Que tipo de programação você tem seguido no seu lazer?

Ele levanta sua autoestima? E que investimento você realmente está dando para a sua carreira, relações pessoais e aparência?

Mas eu te entendo. De verdade. Mesmo garantida, emancipada, e de espadas à mão, uma decisão inconveniente de um homem rompe qualquer armadura e atinge nosso coração em cheio.

E quando isso acontecer, seja mais crítica do que vítima. É assim mesmo que você quer viver? É essa a mulher que você quer ser? É para isso que você foi criada? Para viver na saudade e não na ação? Sempre à mercê da vida de outra pessoa?

Encontre na sua vida o que - e não "quem" - está faltando. Seja você o príncipe encantado que você está procurando para te salvar. Faça da sua vida algo melhor do que aquela que você viveria com ele. Não aguarde na fila pela circunstância ideal. Crie-a.

Outra: não espere conquistar o príncipe para descobrir que o que você tem na vida agora são os mesmos problemas antigos, e, agora, mais um sapo "coachando" no seu ouvido. (soquinho no sapinho!)

Pode ter certeza: tudo o que você sente por esse homem vai passar. Inclusive a imagem romântica que você faz dele agora.

Aceite que tudo é temporário. Ênfase em "tudo". Tudo passa, inclusive sua juventude (que todo mundo sabe que vai dos 15 aos 115) e as oportunidades que a vida te oferece.


E se você fica esperando sua vida começar, na ilusão de que ele, aquele cara maravilhoso - pffff! -, vai cair na real e bater na sua porta com um buquê de flores, você apenas assiste ao inevitável: seu tempo, sua vez, passarão.

Afinal de contas, amor faz bem pra pele. Um banho de água fria fortalece o cabelo.

Mas creme rejuvenescedor algum recupera o mais lamentável da vida:

O tempo perdido.

Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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