O livro das grandes bundas, da editora Taschen

O livro das grandes bundas

Coleção de arte erótica da editora alemã Taschen

Enquanto os homens americanos exaltam os seios grandes, os brasileiros têm o bumbum como a sua preferência nacional. Mas parece essa ideia está se invertendo. Enquanto que no Brasil o número de cirurgias plásticas para turbinar os seios já está no topo da lista, parece que o bumbum mais avantajado começa a se destacar também lá no Hemisfério Norte.

Na opinião de Dian Hanson, responsável pelas coleções de arte erótica da editora alemã Taschen, o bumbum sempre foi popular entre os países latinos. "Alguns dizem que é porque eles (os latinos) estão mais em contato com seus corpos do que as pessoas em climas mais frios. Em climas do norte, a mama tem sido popular por mais de 50 anos, começando com a II Guerra Mundial. Isso pode ser devido à ansiedade que a guerra fez aos homens e a necessidade do conforto da mãe, associado aos seios. Agora eles veem as nádegas como uma fonte de estimulação sexual".

O depoimento faz parte do seu mais recente livro The Big Butt Book (O livro das grandes bundas) previsto para ser lançado na primavera americana, em abril ou maio do próximo ano, primeiro nos Estados Unidos e Europa e mais tarde no Brasil, segundo o jornalista Thiago Lucas.

A obra é a quarta da série, que começou com "seios grandes", com 65 mil cópias vendidas. Em seguida foi a vez do livro dos maiores pênis. Depois de muita resistência - os editores pensavam que a obra apenas iria interessar aos gays - ela publicou o livro que foi sucesso de vendas. O próximo foi "The Big Legs Book".

Para Dian, a última publicação sobre o bumbum também promete. A obra terá a participação da Mulher Melancia (Andressa Soares), nomeada como referência na America Latina, que será citada no capítulo do jornalista. Em entrevista ao Vila Dois, Thiago conta como foi o processo de criação e a relação das mulheres com a sexualidade hoje em dia.

Como surgiu a oportunidade de você escrever para a Taschen?

Tudo começou em 2007, quando soube através de um amigo que dois editores da Taschen eram brasileiros. Julius Wiedemann e Daniel Siciliano Bretãs trabalhavam no departamento dos títulos de Webdesign e Pop Art. Ficamos em contato até que descobri a Dian Hanson, que cuida dos títulos eróticos da casa. Soube que ela estava cuidando de um livro sobre trabalhos de arte homoerótica, com desenhos picantes de relações sexuais entre homens, não afeminados, muito pelo contrario, grandes e bem masculinos. Entrei em contato com ela para saber quando sairia o livro, porque gostaria de escrever a respeito. Nesta troca de e-mails soube dos primeiros lançamentos. Depois fiquei informado do interesse dela em fazer um somente sobre bundas e nessas conversas ela acabou me chamando para falar sobre a Andressa.

Dessas conversas que você teve com a Dian, quais foram as suas impressões sobre ela? Afinal, você gosta de estudar sobre o comportamento sexual e já entrevistou algumas autoras.

Gostei da atitude dela antes de lançar o "The Big Penis Book". Como Dian era grande conhecedora do universo do fetiche e por ter sido editora de grandes publicações do gênero, entre 75 e final da década de 90, ela teve essa ideia, mas a Taschen não sabia se ia deslanchar tão bem. Assim que o primeiro da série foi publicado, Dian foi ganhando reconhecimento do dono da Taschen, o Sr. Benedikt Taschen. Ele então chegou até ela e disse que deveria bolar um outro livro de partes do corpo. Ela disse ok, mas que teria que ser sobre pênis. A Dian é assim, um tanto ousada e gosta de ir contra a normalidade, eu diria. Vivendo em meio a uma subcultura, como a do fetiche, e tendo amigas como Vanessa del Rio, ícone do porno, entre outras personalidades. Então ela bateu de frente com Benedikt e o departamento de vendas, porque eles achavam que o livro seria sucesso apenas para gays. Mas aconteceu o que ela sempre dizia, foi um sucesso entre as mulheres. Dian sempre acreditou que mulheres consomem pornografia sim, mas de um jeito diferente dos homens, sem se excitar tanto.

Você acha que o próximo, sobre bundas, vai atrair os dois públicos e fazer tanto sucesso nos Estados Unidos como o primeiro da série, sobre seios? Arriscaria fazer uma previsão?

Acho que os seios eram preferência antes pelo simples fato de que eram os únicos que ficavam a mostra. Lembra do século 19 ou antes? O que se viam eram apenas decotes e parte dos seios. Hoje a liberdade é maior, o tabu do sexo anal também está sendo quebrado aos poucos. Acho que existe um certo ganho de poder, uma mulher com uma bela bunda manda mais, envolve também uma questão de status.

Como é relatado isso no livro?

A série fetiche traz sempre um apanhado histórico sobre a parte do corpo em questão. Esse falará sobre quatro décadas, acho que dos anos 60 até hoje. O capítulo da Mulher Melancia é um dos oito, e conta como a Andressa foi descoberta: quando ela começou numa rádio, em um programa de madrugada. Ela foi escolhida pelos ouvintes, que pediram para ver uma foto sua, postada no site logo em seguida. Abaixo das fotos surgiram os comentários de que parecia que estava carregando uma melancia na mochila, daí o nome, alías, Garota Melancia ou Mulher Melancia, ambos estão registrados. O restante do livro foi escrito pela própria Dian. Ela fala dessa questão de estarmos mais confortáveis com a pornografia e como isso abriu espaço para que fantasias e desejos viessem à tona.

Por que a Andressa foi escolhida pela Dian?

Muita gente não sabe, mas ela causa furor nos Estados Unidos. Há vários sites e vídeos com entrevistas sobre ela. Ela faz shows lá e tem o seu público. Existe um canal americano de Nova Iorque que transmitiu um programa de uma hora só mostrando os tratamento estéticos aos quais ela se submete. Antes de escrever tive que buscar fotos - os livros da Taschen são muito visuais - mas não foi fácil conseguir, inclusive autorizações, porque nem todo mundo é ligado em livro de arte e não davam muita importância. Consegui com a Playboy a liberação das fotos. Serão oito fotos feitas pelo fotógrafo Jorge Bispo, usadas naquele primeiro especial da Playboy, e acho que mais três fotos de agência.


Antes de você chegar ao livro, quando você começou a se interessar por sexualidade, pelo comportamento humano nessa área?

Sempre gostei desde os tempos de garoto por minhas próprias questões e depois na faculdade segui com esse interesse, acho fascinante. Na própria faculdade, na PUC, descobri estudiosos como Mirian Goldenberg, Regina Navarro Lins e Helen Fisher. Cada uma estuda o comportamento humano de uma maneira. Fiquei fascinado com os trabalhos da Regina porque ela une experiências de consultórios, como psicanalista, e seus trabalhos como sexóloga. Li também alguns de seus bestsellers, "A cama na varanda" e também "O Livro de Ouro do Sexo". Já a Mirian fala muito do corpo, de como somos atraídos fisicamente e das relações afetivas e sexuais em sociedade. Ela é ótima e tem estudos fantásticos onde comprovou que, por exemplo, a bunda é preferência em 70% dos homens entrevistados quando aponatavam a parte do corpo que mais os atraem. Uma pesquisa feita na década de 90. Acho que isso estará na introdução do capítulo da Melancia.

Por Juliana Lopes

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