O feminismo de hoje

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Foto: Divulgação

O assunto ganha visibilidade sempre que há uma manifestação feminista, uma intervenção, uma aparição na mídia. Mas o que se sabe sobre o movimento e suas mudanças ao longo do tempo? As pessoas mudaram, assim como a sociedade e sua visão de mundo, e isso contribuiu para que o feminismo ganhasse novas adeptas ao longo dos anos.

Com origem na convenção de direitos da mulher, na Nova Iorque de 1848, o movimento feminista chegou ao Brasil em meados do século XX, ganhando mais força a partir da década de 60. Hoje, o movimento se constitui de mulheres jovens, politizadas, divertidas e inovadoras.

Bila Sorj, professora titular de sociologia da UFRJ, se surpreende: "Achei que o feminismo desapareceria com a morte das militantes dos anos 80, 90. Mas se percebe que ele renasceu, se recriou nesses últimos três, quatro anos, sendo original, com muito humor e manifestações cheias de performances, trazendo o corpo exposto como forma de protesto", conta.

A Marcha das Vadias é um desses movimentos do moderno feminismo que reacende as discussões. "Elas retomaram várias das reivindicações feministas da década de 60, 70. Por exemplo, a descriminalização do aborto, a violência doméstica, o controle da sexualidade feminina, os padrões impostos. E isso é feito de uma maneira muito interessante, de modo que o corpo delas é uma ferramenta política", explica a professora.

Ela afirma que o feminismo sofreu mudanças desde que se instalou por aqui. Antes, composto majoritariamente por mulheres de classe média e escolaridade mais elevada, o movimento se concentrava mais nos centros urbanos. Com o passar dos anos e pouco a pouco, ele foi penetrando outras camadas sociais e, hoje, em todas as partes do Brasil, há quem lute pelos direitos das mulheres.

Direitos, esses, que pregam a liberdade e a igualdade, pregam que as mulheres possam ter os mesmos direitos e oportunidades que os homens. Por exemplo, o IBGE aponta que para cada US$1 recebido por trabalhadores homens, US$0,73 é pago a mulheres na mesma função e as organizações que buscam os direitos das mulheres lutam para que essa diferença seja cada vez mais reduzida.

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Foto: Reprodução/ Facebook/ Marcha das vadias/ Raphael Grizilli

Mas muitas mudanças aconteceram. "O feminismo passou a ser reconhecido pelo estado. Hoje há uma secretaria com status de ministério que lida com a igualdade de gênero, política de proteção às mulheres, reconhecimento da luta", afirma a professora, que completa: "Há maior reconhecimento social e, apesar de ainda haver muito preconceito, ele foi se diluindo ao longo do tempo".

E até os homens se engajaram na luta. "Acho muito bom que eles possam ser feministas, é uma ajuda grande na luta e esses homens estão bastante cientes de que o feminismo também é bom para eles. Nenhuma relação onde há um que domine e outro dominado dá certo. Em toda relação de opressão, ambos estão presos. Os homens têm que entender que não precisam ser oprimidos pelo padrão de masculinidade imposto, que é muito duro e difícil de atender", explica ela.

"O casamento tradicional, no qual as mulheres ficam confinadas à esfera do lar, apenas cuidando dos outros e dedicadas aos afazeres domésticos, mostrou não ser o modelo mais adequado para que a expressão feminina aconteça livremente, para que essas mulheres possam exercer sua liberdade. Esse é o padrão que o feminismo procurou combater", continua.


Mas elas devem, sim, poder assumir essa identidade sem que sejam julgadas por quaisquer dos lados da história. "As mulheres saíram para o mercado de trabalho e querem continuar inseridas nele. Mas existem, sim, muitas maneiras de se realizar casamentos com parceria em todos os aspectos da vida", desmistifica Bila Sorj.

A luta feminista, hoje, concentra-se na liberdade das mulheres para que possam agir como mais lhes apetecer. Seja se vestir como quiserem, optar por sair do trabalho para cuidar dos filhos ou, até mesmo, vender seu corpo sem serem julgadas quando isso for, de fato, uma escolha pessoal.

O importante não é que os gêneros sejam tratados da mesma forma, mas que tenham suas diferenças respeitadas para que alcancem os mesmos direitos e liberdades. É por isso que o feminismo continua a lutar.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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