O amor segundo o Kama Sutra

O kama sutra dedica nada menos do que três capítulos inteiros a morder e fazer marcas com as unhas. Embora alguns achem que o capítulo que trata de arranhar atribua importância exagerada aos aspectos sadomasoquistas do amor, a obra enfatiza que essas coisas devem ser feitas somente se causarem prazer em quem as recebe. Admitindo que a dor tem papel a desempenhar no sexo, reconhecem que o que é prazer para alguns pode ser doloroso para outros, e que boa parte da habilidade na arte de fazer amor reside em saber até onde se pode ou se deve ir para satisfazer o parceiro.

Por mais estranho que pareça a ouvidos ocidentais, os antigos conselheiros sexuais da Índia acreditavam no poder das unhas, fazendo cócegas, arranhando e, em alguns casos, até fazendo marcas profundas durante as preliminares.

Dentre os momentos considerados melhores para arranhar está aquele na qual, ambos os parceiros, estão absortos pelo desejo. Quando o amor fica intenso, as unhas podem ser utilizadas para arranhar o corpo do parceiro. Para eles, os arranhões podem variar desde movimentos leves, nas nádegas, costas e nas coxas, até marcas mais profundas.

As marcas, da mesma forma que os beijos, são classificadas por intensidade e também pelas formas. Os arranhões mais superficiais objetivam produzir um tremor gostoso na pessoa em que são feitos. Os mais profundos devem ser usados com cuidado, quando se estiver no auge da paixão, com o consentimento de quem as recebe.

Tal como beijar e arranhar, o Kama Sutra categoriza as mordidas amorosas quanto à intensidade e ao método. Os lábios, o rosto, o pescoço e os seios são alvos das maiores atenções. A mordida escondida é feita carinhosamente e produz uma discreta vermelhidão na pele. A mordida inchada é feita beliscando-se a pele, de modo a deixar nela uma marca mais forte. Mordiscar a pele com dois dentes chama-se “O Ponto”, e uma série destes chama-se “Lenha de Pontos”.

Mais apaixonadas são o “Coral” e a “Jóia”, a “Nuvem despedaçada” e a “mordida do javali”, todas dadas sugando a pele usando os dentes e os lábios para produzir as marcas do tipo “mordidas de amor”. A mordida mais famosa, e que exige muito treino para ser aperfeiçoada, é a mordida de coral, uma apaixonada e demorada união dos dentes de um homem com os lábios de uma mulher, da qual fazem parte as chupadas e as mordiscadas.

As mordidas, como os arranhões, vale a regra de cessar o que estiver fazendo em caso de a situação fugir do controle. O kama sutra diz que quando morder faz parte das preliminares, uma mordida de um parceiro deve ser retribuída com outra.


“Assim, se os homens e mulheres agirem de acordo com os desejos de cada um, seu amor não diminuirá nem mesmo depois de cem anos”.

Um grande beijo a todas!!!

Fátima Mourah é “Personal Sexy Trainer”, professora de artes sensuais e autora dos livros “Sexo pra mulheres casadas” e “Sexo, amor e sedução”. Dá palestras e cursos de striptease, pompoarismo, pole dancing, como atingir o orgasmo e massagem erótica.

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