Namoro longo, longuíssimo

Namoro longo longuíssimo

Eles namoraram por mais de cinco anos - e o casamento passava longe dos planos. E nem era porque eles eram contra a vida a dois sob o mesmo teto. Ou porque se gostavam pouco. O fato é que manter o namoro era mais conveniente para os dois, sem que os planos de futuro juntos fossem sinônimos de mais felicidade.

Paula e Junior terminaram antes de saber se o casamento salvaria a relação. Preferiram desistir antes de insistir. Para Léa Michaan, psicóloga e terapeuta de casais, a história de Paula e Junior é reflexo da nova cara dos relacionamentos modernos: assumir virou complicação. “Compromisso com o parceiro pode acarretar prestação de contas. Além disso, assumir é escolher uma pessoa e abrir mão de todas as outras. É muito difícil porque significa renunciar a todas as outras possibilidades”.

Um pouco disso é reflexo da cultura. Se antigamente as mulheres não trabalhavam fora e tinham como objetivo de vida casar e formar família, hoje vivem a liberação sexual sem medo. “A vida moderna oferece outros interesses e objetivos além de formar uma família”, analisa Léa.

Um pouco também tem a ver com o papel do homem na relação. Muitos sentem o casamento como uma prisão que toma a liberdade de transitar entre várias. E questão financeira também interfere. “No universo consumista, as necessidades aumentaram e muitos casais optam em estender o namoro por mais tempo até fazerem seu pézinho de meia”.


Mas aí a relação acaba se desgastando, pela falta de um plano comum de futuro juntos. Se o casal possui um plano, sabem onde estão e caminham em direção ao objetivo de vida em comum. Neste caso, segundo Léa, a união tem propósito. “Caso contrário, há o desgaste da relação porque eles nem sabem para que estão juntos”.

Na medida em que o casal se conhece melhor, o ideal dá lugar ao real. E então, como acredita a psicóloga, há dois caminhos: se relacionar com a pessoa real e fazer o luto da imagem idealizada, vivendo então uma relação saudável e madura, ou não ser capaz de abrir mão da fantasia do parceiro ideal e, portanto passar por sucessivas frustrações que levam ao desgaste da relação. “Na realidade, as pessoas costumam oscilar entre estes dois estados, o que vai determinar a maior maturidade da relação será a capacidade da pessoa distinguir se está se relacionando com o parceiro real ou com a imagem que tem deste”.

Além disso tudo, há ainda o fascínio natural pela novidade. Nesse sentido, o tempo não só desfaz a novidade como também acarreta tanta familiaridade entre o casal que o amor apaixonado transforma-se em amor fraternal. E ninguém precisa se casar com um amigo, né?

Mas na hora de dar um passo à frente, em direção ao altar, quem será que pressiona mais? Homem ou mulher? Léa avalia que não é possível generalizar, mas é mais comum a mulher querer evoluir para o próximo passo. E isso se explica um pouco pela genética e outro pouco pela história. “Desde a idade das cavernas as mulheres cuidavam das crias e os homens da caça e dos territórios. Então, ela carrega no gene a tendência de casar e formar família, enquanto o homem a lutar pelo sustento. Além disso, o organismo feminino é formado para conceber - portanto ela mais predisposta a casar do que o homem”.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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