Namoro iô-iô: quando dar um basta?

Namoro iôiô quando dar um basta

Constantes términos e recomeços. São poucos os relacionamentos que resistem a altos e baixos. Há casais que se gabam por nunca terem passado por esse tortuoso processo. Mas os que se deparam com ele precisam de cautela para superá-lo com maestria.

O termo popular "namoro iô-iô" é atribuído ao casal que enfrenta dificuldades para alcançar estabilidade e compromisso. Segundo a psicoterapeuta Beatriz Cardella, autora do livro "Laços e Nós" (Editora Ágora), as pessoas só conseguirão se livrar desse tipo de relacionamento quando colocarem em prática as palavras convívio e entrega. "Ninguém alcança um elo de amor, confiança e cumplicidade se não construir isso. Não há um relacionamento pronto, esperando por nós", afirma.

A jornalista Julia Duarte viveu essa experiência e resolveu compartilhar com outras mulheres por meio do livro "Relacionamento iô-iô" (Editora Matrix). "Tive três relacionamentos desse tipo e eles estão relatados na publicação. A minha experiência foi boa para aprender que namoro iô-iô é o triunfo da esperança sobre a experiência, porque quem se envolve numa relação assim normalmente sofre muito."

Carência e falta de autoconhecimento

Para Beatriz, as pessoas que costumam entrar nesse tipo de namoro têm medo de se envolver, apresentam dificuldades relacionadas à intimidade, falta de confiança em si mesmas e no parceiro, inseguranças quanto a relacionamentos estáveis e duradouros, além de pouco conhecimento dos próprios sentimentos e projetos de vida.

Não se pode generalizar, mas essas pessoas podem ainda carregar referências de relações infelizes em sua família de origem. "Elas possivelmente também têm medo de traição, podem não ter alcançado a experiência de confiança ou estarem inseguras quanto aos próprios sentimentos, precisando de experiências afetivas diferentes para se conhecerem melhor", acrescenta.

Julia define essas "namoradas iô-iô" como carentes. "Elas são as mais suscetíveis, pois aceitam qualquer relação só para não ficarem sozinhas ou até mesmo para se casarem." No livro da jornalista, há histórias verídicas de mulheres que viveram na pele essa situação. "Uma das entrevistadas disse que preferia ser divorciada a ser solteira... O discernimento de uma mulher carente é quase nulo e ela se envolve em relacionamentos-cilada só para dizer que tem alguém", completa.

Colocando na balança

Como todo tipo de experiência, o namoro iô-iô tem seu lado bom. "Porém, só é benéfico se as partes envolvidas tomarem consciência de suas dificuldades. A partir daí, o casal deve buscar ajuda para se conhecer melhor e identificar se há medos e sofrimentos relacionados ao amor e à intimidade", ressalta. "Essa atitude vai tornar o elo mais estável e profundo", garante.

O lado ruim aparece quando essas tais idas e vindas se tornam costumeiras, levando o casal a viver sem alcançar a entrega, ingrediente fundamental de uma relação amorosa. "E quando a vida a dois perde o sentido e o respeito, é hora de dar um basta na situação", aconselha Beatriz.

Mas, para Julia, essa tomada de decisão não é tão simples assim. "A gente sempre acha que uma hora vai funcionar. Mas o ponto final depende do limite de cada mulher, do grau da autoestima e da maturidade. Senão, ela corre o risco de ficar numa relação e aceitar as migalhas que o outro tem para oferecer."

Se você é do tipo de mulher que fica cheia de dúvidas na hora de iniciar um relacionamento, fique tranquila. Segundo a psicoterapeuta, isso é normal, uma vez que esta tal insegurança faz parte do processo de amadurecimento de uma relação. "Aprender a conviver com ela é fundamental para alcançar o amor profundo. Não há amor sem renuncia e entrega", afirma.

Beatriz aproveita para fazer uma crítica: hoje em dia as pessoas não têm a paciência necessária para namorar e conhecer o outro. "Os parceiros não conseguem tolerar uma frustração e quando discutem, colocam a relação em risco. Logo pensam em terminar e partir para outra, na ilusão de que encontrarão uma relação sem dificuldades. Isso não existe, assim como não existe o parceiro perfeito", afirma.

Para que um relacionamento não se torne um carma, segundo Beatriz, é necessária uma mudança de mentalidade. Isso porque as pessoas querem a garantia de que uma relação dará certo, de que o parceiro é a "tampa da panela", mas não querem investir seu tempo e sua energia na construção de um relacionamento. "Elas não percebem que da forma que agem nunca conseguirão alcançar o que buscam, pois não se dão, não se entregam e não querem correr os riscos necessários para que o amor possa nascer."


Julia Duarte acha que as mulheres devem assumir o que querem e falar para o outro, mesmo sabendo que correm o risco de perdê-lo, no caso de não quererem a mesma coisa numa relação. "Elas deveriam mesmo é ficar sozinhas, em vez de presas a um relacionamento iô-iô. Assim, ficam disponíveis para achar alguém que realmente queira se relacionar."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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