Namoro e sexualidade na infância

Namoro e sexualidade na infância

Faz tempo que os namoricos não são coisa só de adultos. Cada vez mais cedo, o assunto surge entre os filhotes. E, apesar de as crianças normalmente encontrarem na escola os primeiros namoradinhos, é papel dos pais orientá-las e acompanhá-las para que a brincadeira não se torne um problema.

Pois é. Se algumas décadas atrás a infância era sinônimo de inocência, brincadeira e ausência de grandes responsabilidades, hoje as coisas andam diferentes. Os meninos e meninas do século 21 - em especial os que vivem em grandes cidades - são superantenados, têm mais contato com as mídias e informações de forma instantânea e conversam bastante entre si. Como tudo é muito rápido, "existe uma precocidade no vivenciar de situações, parece que a infância se tornou mais curta", diz a psicopedagoga Maria Irene Maluf.

Assim, ficou comum ouvir uma menina de 10 anos falando sobre o beijo que deu no namorado. De acordo com a especialista, é preciso tomar cuidado quando a curiosidade do filho passa de meras dúvidas e chega até as atitudes. "Quando a cabecinha dos pequenos, que deveria estar voltada para o aprendizado, se volta para questões do corpo, é preocupante."

Como tudo na vida, os namorinhos durante a infância têm um lado bom e outro ruim. O bom é a parte do treino. A infância é o período em que treinamos as situações. Crianças costumam brincar de imitar profissões e aquilo que observam os pais fazendo. Então, podem brincar de papai e mamãe, por exemplo - e isso será apenas uma situação do imaginário infantil.

Mas, se a coisa ficar séria, pode ser um alerta de que algo está errado. "Eu não aconselho que os pais deixem os filhos brincarem com adultos ou mesmo coleguinhas, mais velhos ou não, sem um responsável por perto", afirma Maria Irene.

Ou seja, a palavra de ordem é supervisão. O pequeno veio ao mundo e precisa que alguém lhe apresente as situações, e diga se farão bem ou não. Além do mais, na companhia de um adulto, fica difícil que a criança seja enganada por estranhos.

Algo útil para ser ensinado quando os assuntos são relacionamentos e sexualidade é sobre o corpinho dos meninos e meninas. Cada um precisa saber que o corpo é seu, e que outras pessoas não podem tocar em algumas partes dele. Existem limites que devem ser respeitados.

De qualquer forma, os pais devem estabelecer um canal de diálogo com seus pequenos, desde cedo. Isso permitirá que eles tenham segurança para perguntar a respeito de qualquer coisa e liberdade para contar suas experiências aos responsáveis - o que poderá evitar constrangimentos e até decisões que ponham o filho em perigo.

"Existe uma estratégia que os pais dificilmente lançam mão: é a leitura de obras infantis junto com suas crianças. Tal atitude cria um caminho maravilhoso para debater não só a sexualidade e namoro, mas todos os demais assuntos", sugere a psicopedagoga.


Outra coisa: os responsáveis não devem esquecer que a dignidade de seu próprio comportamento é muito importante para os filhotes. Então, antes de condenar uma pergunta ou reação do menino ou menina, vale analisar o exemplo que é dado para ele ou ela. E, se for o caso, conversar e explicar qual a melhor conduta em determinadas situações.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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