Mutilação genital feminina: cultura ou abuso?

Mutilação genital feminina

Imagem da campanha europeia pelo fim da mutilação genital feminina. Foto: Divulgação

Algumas culturas podem ser muito opressoras, principalmente com as mulheres. Escondidas sob o lençol religioso ou de verdades seculares e absolutas podem estar atitudes invasivas, assim como a mutilação genital feminina, que acontece em países da África e da Ásia.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que existam, atualmente, cerca de 125 milhões de meninas (sim!) e mulheres com órgãos genitais cortados e costurados inteira ou parcialmente. O órgão entrou em campanha, nessa quinta-feira (6), pelo Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

De acordo com um relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), as explicações dadas pelos simpatizantes da prática são de que ela reforça a virgindade, castidade e fidelidade das mulheres, favorecendo higiene, aceitação sexual, melhores propostas de casamento, mais prazer sexual aos homens e aprovação religiosa. A mesma pesquisa mostra que a maioria das mulheres aceita a mutilação como parte de um "ritual de formação feminina".

A advogada da luta contra a prática pela Equality Now, Efua Dorkenoo, diz que a parte externa dos genitais femininos é vista como algo feio, sujo e que precisa ser removida. Alguns locais do Egito chegam a crer que o clitóris possa crescer e ficar semelhante a um pênis, caso não seja retirado.

Os traumas físicos consistem em infecções crônicas, sangramentos, abscessos e pequenos tumores benignos no nervo, causando extrema dor. Infecções do trato reprodutor (devido a obstruções do fluxo menstrual), infertilidade e dificuldades no parto também estão entre os resultados do ato. Os efeitos psicológicos, mais difíceis de serem identificados, incluem ansiedade, terror e humilhação.

Em 2008, a ONU lançou um programa em 15 países africanos para coibir a mutilação vaginal através da educação. Até 2013, mais de 10 mil comunidades voltaram atrás e disseram "não" à chamada circuncisão feminina, abaixando a porcentagem de mutilação em 53%.

Durante o dia 06 acontece uma campanha social no Twitter contra a mutilação genital feminina, com a hashtag #EndFGM (Fim da Mutilação Genital Feminina). ONGs, instituições de caridade e imprensa estão trabalhando juntas para apoiar a causa, pedindo assinaturas em petições contra a prática. E você também pode colaborar, assinando uma das petições ativas, como essa do site coletivo "ThunderClap".

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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