Mulheres relatam casos de abuso nas redes sociais

mulheres relatam casos de abuso

Chega de silêncio, mulheres colocam relatos sobre seus abusos nas redes sociais. Foto/Midia News

"Não usava qualquer item de roupa provocante, até que percebi um senhor vindo em minha direção, me encurralando. Quando estava bem ao meu lado, fez um comentário impróprio sobre minha genitália", contou Samille Figueiredo, 31, professora. Quem é que não conhece alguém que passou por uma situação semelhante de abuso? E assim caminha a humanidade para as mulheres.

Dados alarmantes de pesquisas e relatos de abusos sofridos na rua sendo postados diariamente nas redes sociais mostram que as mulheres estão literalmente colocando a boca no trombone e estão cansadas de se manterem passivas diante de uma realidade: está difícil ser mulher no Brasil.

Elas contam que, para se sentirem melhor, dividem isso com outras mulheres que precisam saber que isso acontece, e ainda como forma de extravasar a revolta que sentem. Certos homens acham que podem dizer o que quiser a uma mulher e saírem impunes. Pior, tem gente que acha isso normal.

O machismo e o conformismo ainda imperam, posto que, usar roupa curta e decote não significa que quem quer que seja está autorizando que alguém a assedie. O corpo da mulher não é público, ele pertence a ela, e a ela cabe decidir como viver e se vestir. Algo que parece ainda muito complexo para muitos homens e mulheres entenderem.

No ponto de ônibus, em shoppings, no trabalho, na faculdade, todo lugar parece ser campo fértil para alguns homens se acharem no direito de atacarem, seja fisicamente ou verbalmente, qualquer mulher.

Além dos assédios na rua, há também os abusos no trabalho, "De modo geral, os abusos que aconteceram comigo foram no trabalho com chefes misóginos, clientes bêbados, no transporte público, ou cantadas de estranhos na rua. Já recebi proposta, fui humilhada, e me ofenderam. Uma vez um cara puxou meu cabelo", nos relatou Marcia Marin, 29, hostess da noite paulistana.

Segundo uma pesquisa feita pela jornalista Karin Hueck e publicada no site Think Olga produzido por outra jornalista, Juliana Faria como parte de uma campanha, a "Chega de Fui Fiu" (que ganhou destaque na imprensa nacional) na segunda quinzena de 2013, 98% das mulheres já foi assediada na rua. Ainda temos um resumo da apuração geral: 80% em lugares públicos como parques, shoppings e cinemas; 77% na balada; 64% no transporte público; 33% no trabalho.

Outra pesquisa cheia de dados bem preocupantes feita pela ONU (Organização das Nações Unidas) com as repostas de mulheres de 56 países, afirma que 70% das mulheres já sofreu algum tipo de violência.

A realidade nada fácil precisa ser combatida, mas como? Talvez com educação focada nessa área desde cedo, ou ainda uma ação mais atuante da polícia ao tratar possíveis denúncias. As mulheres precisam denunciar, contar para suas amigas, combater com coragem, não há outra forma de combater, além do fim do silêncio.


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