Mulheres no mercado adulto

Mulheres no mercado erótico

Produtora Mayara Medeiros durante a exibição do filme Loira do Banheiro. Foto/Thiago Marzano

Elas não só representam a maioria dos consumidores, em torno de 70%, como também contribuem para que cresça em todo país a produção de filmes, conteúdo para canais de televisão, além da fabricação e comercialização de produtos eróticos. 

Uma delas é a atriz pornô Sarah Lopez, 24 anos, que começou a entrar nos sets de gravações adultos por acaso. Antes de mostrar o seu corpo de 64 cm de cintura, 96 cm de bumbum e 85 cm de seios para as câmeras, ela já fazia shows sensuais. Mas o empurrãozinho para o cinema foi através de Morgana Dark, ex-atriz pornô conhecida pelos seus filmes pornôs ao estilo 'hard', isto é, com cenas mais explícitas, sem histórias longas, nem conotação mais romântica. 

Depois de 30 filmes, Sarah resolveu produzir e atuar em seu próprio longa-metragem. Trata-se do Esposa Devassa, lançado recentemente durante a Erotika Fair. "Fui atrás de fatos verídicos, bastante ricos e cheio de detalhes, que ajudem a apimentar as relações, principalmente casamentos mais longos. O filme tem cenas de sexo a três e de sexo anal, pois muitas mulheres têm curiosidade em saber como faz".

Casada há seis anos, a atriz diz que o marido não sente ciúmes da sua profissão. "Ele sempre me apoiou desde o início". A atriz, que chega a gravar até três horas uma única cena, diz que sente prazer durante a atuação e conta que gravações em praias, na areia ou nas pedras, foram as mais difíceis que ela já fez. Sarah ressalta que sempre mostra um exame completo de DST´s no início de todas elas - este é mostrado aos outros atores e vice-versa. Além de continuar com as produções, ela pretende montar uma grife de lingeries sensuais.

Já atrás das câmeras trabalha Mayara Medeiros. A produtora é especialista na pornografia alternativa, ou alt.porn, em que o mundo do fetiche é mais explorado, ou seja, participam mulheres com tatuagem, piercing ou até mais gordinhas. Segundo a produtora, tudo começou na década de 80, com pessoas ligadas ao rock e à música eletrônica, e ganhou espaço em clubes de rock, raves, até que chegou também na internet e nas produções cinematográficas.

Mayara conta que faz de tudo um pouco, desde a direção artística até a parte financeira. "É um mercado que precisamos usar a criatividade com pouco recursos que temos. Montamos a história, mas claro que muita coisa muda na hora H, isso que é bacana. No sexo, tudo pode acontecer". Antes de trabalhar na produtora X-Plastic - para se ter uma ideia só existem oito no Brasil - ela não era consumidora de filmes pornôs. Hoje já tem sua preferência. "Gosto sim de filmes mais femininos onde há o envolvimento". Mesmo porque ela também é a produtora-executiva do EVA (Erotika Video Awards), que tem como objetivo premiar e revelar a produção adulto-cinematográfica. Em sua segunda edição, a única Mostra de Cinema Adulto no Brasil acontece essa semana e reúne workshops relacionados à produção audiovisual com profissionais do mercado, debates com acadêmicos e público, além da mostra competitiva - cuja premiação é resultado da escolha popular. Entre as categorias, estão "melhor cena entre homens" e "melhor cena entre mulheres", cena mais bizarra, entre outras.

Cosméticos sensuais

Segundo o Mapa do Brasil Erótico, pesquisa realizada pela A.T.E.N.A.S (Agência Tecno-Estratégica para Negócios e Ação Segmentada) em 2009, as mulheres estão em grande número não só no consumo como também à frente de seus negócios, além de trabalharem como vendedoras, estas representam 68% em Sexy Shops.

Tatiana Venturini é uma das poucas designers de produto no mercado erótico. Atualmente, ela trabalha na Sexy Fantasy, um dos 30 fabricantes de artigos sensuais e eróticos do país e um dos poucos que fazem os próprios itens. "Distribuímos para sexy shops, casas de lingeries e motéis, ao todo são 900 clientes. Mais de 80% dos produtos são nossos", ressalta. Quando começou, isso há cinco anos, Tatiana não encontrou nada de interessante em lojas nacionais, realidade que está bem diferente nos dias de hoje. "Hoje digo que nós temos produtos de qualidade assim como lá fora, pelo menos em cosméticos, afinal, como experiência também em treinamentos, observo que as mulheres querem uma fórmula mágica que não existe no mercado, algo que salve o casamento ou mude a relação", ressalta.

Um dos seus primeiros produtos foi uma linha de cartões eróticos. E seu último lançamento, que está nesta Erotika Fair, foi o pó corporal com aromas de caipirinha e morango, elaborado em 30 dias. "Eu vi algo semelhante em Los Angeles e resolvi colocar aromas". A design conta que para elaborar a composição dos produtos ela conta com a ajuda de um laboratório. "Nunca indicamos a pessoa engolir, por isso, o termo ‘beijável’". O layout das embalagens, além das ilustrações fica por conta dela.

Conforme a profissional, a fase de testes é a que demanda mais tempo. Geralmente eles são feitos com os próprios clientes, proprietários de sex shops, ou mesmos com o público final. "A linha de géis foi a mais complicada por conta dos testes. Imagina eu vender um anestésico que promete uma relação sem dor que não cumpre a sua função?", aponta.

Eliana Bertipaglia, diretora da fabricante Hot Flowers (maior do segmento na América Latina), também tem a mesma preocupação. Depois de seis anos no mercado à frente da empresa junto com o seu marido Edvaldo Bertipaglia, ela diz que utiliza produtos da rotina feminina e os adapta para o mercado sensual. "A ideia do sabonete íntimo em garrafas de champanhe veio da França".


Para a diretora, a burocracia que envolve a aprovação de um produto no mercado, principalmente por parte da ANVISA, é benéfica para que se tenha algo de confiança. No caso das próteses genitais, ela segue as mesmas normas e regulamentações de segurança dos fabricantes de brinquedos - NBR 11786. 

"Usamos materiais de primeira qualidade, 100% atóxico, fabricados por grandes empresas como a Solven e Brasken", destaca. Assim como a Sexy Fantasy, os produtos também passam por testes com clientes e muitas das ideias são indicadas por eles mesmos. "Fora os testes que eu faço com o meu marido. Se eu não gosto, não entra no mercado", completa.

Por Juliana Lopes

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