Movimento feminista

Movimento feminista

Foto/Divulgação

Mulheres freqüentando universidades, muitas delas depois de ganhar o tão sonhado diploma, recebendo os mesmos salários que os homens ou exigindo o seu direito de votar. Sem contar a liberdade sexual conquistada depois da pílula. Grande parte dessas vitórias se deve ao movimento feminista.

Escritoras e intelectuais enfrentaram de peito aberto o simples direito de conquistar um tratamento justo para ambos os sexos na sociedade, algumas chegaram a enfrentar o estigma de que feministas eram mulheres mal amadas.

Trazido da Europa, o movimento tem vários estudos e publicações a seu respeito. Um deles é o o Dicionário Crítico do Feminismo, primeira obra do gênero publicada na França que visa discutir não só o significado de conceitos relacionados ao movimento feminista, mas também atitudes sociais e políticas públicas adotadas em relação à hierarquia dos sexos em diferentes culturas.

O livro foi traduzido para o português e chegou ao Brasil recentemente pela Editora Unesp. Foi organizado por um grupo de pesquisadoras dedicadas ao estudo das diferenças sociais relativas ao sexo. São elas: Helena Hirata, Françoise Laborie, Hélène Le Doaré e Danièle Senotier.

No Brasil, o que mais se divulga sobre o início do feminismo é o direito ao voto, isso nos anos 30. Mas antes disso, no século 19, já se encontravam as primeiras manifestações. Nísia Floresta Brasileira Augusta foi uma das primeiras mulheres a publicar textos em jornais da chamada "grande" imprensa. Seu primeiro livro, intitulado "Direitos das mulheres e injustiça dos homens", de 1832, é também o primeiro no Brasil a tratar do direito das mulheres à instrução e ao trabalho, e a exigir que elas fossem consideradas inteligentes e merecedoras de respeito. Depois vieram os primeiros jornais só para elas e revistas nitidamente feministas.

O século XX chega e elas clamam pelo direito ao voto, ao curso superior e à ampliação do campo de trabalho, pois queriam não apenas ser professoras, mas também trabalhar no comércio, nas repartições, nos hospitais e indústrias. Entre as que trabalharam para isso, destaca-se o nome de Bertha Lutz (1894-1976), formada em Biologia pela Sorbonne, uma das mais expressivas lideranças na campanha pelo voto feminino.

Na Semana de Arte Moderna, artistas não só se destacaram pelo seu talento. Escritoras aproveitaram o momento vanguardista para lançar as suas ideias em obras como Virgindade inútil - novela de uma revoltada (1922), de Ercília Nogueira Cobra (1891-1938), essa responsável por levantar temas polêmicos como a exploração sexual e trabalhista da mulher. Nos anos 70, o movimento também fica em evidência com o reconhecimento de 8 de março como Dia Internacional da Mulher, por iniciativa da ONU, e a instituição do Ano Internacional da Mulher, isso em 1975. Congressos e encontros foram promovidos a fim de refletir sobe o papel das mulheres e, principalmente, trazer melhorias para o mercado de trabalho.


De lá para cá muita coisa mudou. Do direito ao voto, hoje já se busca até a criação de um partido só para elas, à legitimação do divórcio, da entrada maciça nas universidades ao reconhecimento da competência no trabalho, isso se deve muito as feministas. Mas claro que o movimento também trouxe outras conseqüências. Em tempos de pós-modernismo é preciso saber lidar com a exigência de ser a melhor mulher, mãe e profissional. Amadurecer com tranqüilidade, sem tantas cobranças. Agora só mesmo um novos comportamentos, novas atitudes, para mais uma vez a mudança acontecer.

Por Juliana Lopes

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