Motel adaptado para cadeirantes

Motel adaptado para cadeirantes

Alinne Moraes, Paloma Bernardi e Vanessa Romanelli. Reprodução Blog "Sonhos de Luciana"

Na ficção, a personagem de Aline Moraes, em Viver a Vida, começa a encarar de frente a vida em cima de uma cadeira de rodas, principalmente depois de conhecer Camila, interpretada pela atriz Vanessa Romanelli, cadeirante fora da trama também. No bate papo entre as duas, exibido esta semana, Luciana descobre que há novas formas de explorar a própria sexualidade, a partir da experiência de Camila, que é casada.

O assunto vai desde paquera e chega à acessibilidade em motéis e baladas. No blog "Sonhos de Luciana", onde novela e vida real se misturam, Camila conta o que funciona na hora da conquista. "No Brasil, o bumbum tem um apelo sexual muito grande. Se você está sentada o tempo todo, o cara não vê seu bumbum, já pensou nisso? Daí você tem que usar outros recursos: explorar pernas, colo, braços…".

Cris Costa, cadeirante há 11 anos, isso depois de bater a cabeça em um mergulho na piscina, afirma que na paquera muda sim o fato dela estar em uma cadeira de rodas. "Você tem que chamar atenção para outros atributos, porque o bumbum e o rebolado ele não vai ver tão cedo (risos). Então é um decote, um charme diferente, pedir uma ajuda com a cadeira... os homens ajudam e curtem isso, acredite!".

A publicitária Juliana Carvalho, de 28 anos, cadeirante desde os 19 anos, costuma freqüentar baladas. Solteira, ela convive com os percalços no jogo da paquera. "Em um sábado, durante um passeio com minhas amigas, enquanto eu estava ao volante vários rapazes me encararam, flertando. As meninas inclusive brincaram que era para eu passar um pouco de mel. Engraçado, depois que eu troquei de automóvel e encarei a night na minha cadeira de rodas, os olhares sumiram. Por que será?", desabafou em seu blog "Sem barreiras".

Ela afirma que o preconceito ainda existe sim, mas hoje em dia consegue passar bem por isso e mantém relacionamentos, além de ter uma vida sexual ativa. "Fiquei cinco anos sem transar, afinal, muda muita coisa no corpo. Existe a falta de movimento e sensibilidade, enfim, levei tempo para redescobrir como sentir prazer, mas valeu a pena", conta. Para retomar a sua sexualidade, ela teve que voltar a frequentar barzinhos também afim de conhecer novas pessoas. "A maioria dos locais tem escadas e banheiros estreitos. Fico com opções reduzidas e opto sempre por locais que tem acesso. Aqui em Porto Alegre indico "O Segredo" e o "Oito e Meio".

Motel adaptado para cadeirantes

Juliana Carvalho. Foto/Guerreiro

Já no Rio de Janeiro, Cris afirma que a questão das rampas melhorou, mas que chega a contar nos dedos os locais cujos toaletes são adaptados. "Aqui no Rio indicaria o Rio Scenarium ou o Lapa 40º. São lugares bacanas pra quem gosta de um sambinha e acessíveis", recomenda.

Juliana, que no próximo mês vai lançar o livro "Na minha cadeira ou na tua?", conta que na sua cidade, Poá, ela não conhece nenhum motel adaptado. "Mas em Brasília, o Flamingo (localizado na Asa Norte) tem até banheira com barras para facilitar o acesso. No entanto, o pessoal esqueceu de colocar uma cadeira higiênica para que a pessoa tome banho!", aponta.

Já na capital fluminense, Eduardo Camara encontrou uma suíte adaptada no motel Rosa da Vila, que é mais simples, porém possui cadeira de banho. Ele não chegou a freqüentá-lo, mas o indicou em seu blog "Mão na Roda", o qual Cris também participa.

O carioca namora há três anos com Bianca Marotta "andante, mas ainda não consegue empinar uma cadeira de rodas", como ela mesma se intitula no diário virtual. Ela conta que o casal chega a freqüentar motéis, mas sem acessibilidade "que tem garagem comum e elevador, mas nos quartos geralmente a porta do banheiro é mais estreita e nada de barras de apoio. Acredito que adaptar um quarto de motel não é tão complicado assim, ele precisaria de portas mais largas e espaço para circular melhor com a cadeira de rodas, além de cama com altura adequada e barras de apoio nos banheiros", opina.

Como mulher de um cadeirante, Bianca conta que não existem dificuldades. "Alguns pontos do seu corpo perderam a sensibilidade, mas ereção, libido e tesão existem como em qualquer outra transa". A diferença acontece mesmo em relação às posições, que são mais limitadas. Ela conta que depois de conhecer melhor o corpo de Eduardo se concentra nos pontos de mais sensibilidade e na hora H deixa o resto acontecer naturalmente.

Segundo a publicitária, além da ausência de sensibilidade, nas mulheres há também o fato do déficit de lubrificação. Para ela, a questão do espelho em motéis, é algo bastante importante para os cadeirantes. "Com ele dá para explorar as partes que não se sente. O estímulo visual ganha uma atenção especial. Falar coisas sensuais também atiça os ânimos. Conseguimos ter orgasmo mesmo sem sentir os órgãos sexuais, é possível atingir o clímax, sim", garante.


Para Cris, isso não acontece de um dia para o outro, é necessário reconhecer o corpo. "Com alguém que se gosta e confia faz diferença. Ah, tem que se entregar, se permitir e esquecer como era antes da lesão". Segundo ela, o corpo pode mudar, mas é possível ter prazer "e muito".

Em São Paulo, o motel Swing, no Morumbi, também possui quarto adpatado para cadeirantes, com direito a barras nas laterais dos quartos, na sauna e na hidromassagem.

Por Juliana Lopes

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