Mercado erótico para elas

Mercado erótico para elas

Baralho (Hot Flowers), Kit Erótico e Dadinhos (Revelateurs)

Mais livre das amarras e tabus impostos pela sociedade, muitas mulheres estão decididas a conhecer as suas vontades quando o assunto é sexo. O mercado erótico brasileiro já percebeu isso e busca cada vez mais produtos especialmente para satisfazer os desejos delas.

No mercado de filmes pornôs, eles ainda são maioria, representam cerca de 80% dos consumidores, homens entre 35 e 60 anos, conforme a Associação Brasileira do Mercado Erótico (Abeme). Mas com a internet, elas também procuraram as produções pornôs, pois não correm mais o risco de serem vistas comprando um DVD cuja trama é erótica. Na privacidade que a rede proporciona, muitas delas buscam enredos que as agradam mais.

“Isso também se deve ao fato da própria influência da mídia, que estimula a mulher a conhecer melhor sobre sexualidade. Se você visualizar as dez maiores publicações dirigidas ao público feminino verá em destaque palavras como: orgasmo, prazer, tesão e sexo. É reflexo da gama de informações que chegam abertamente no dia-a-dia das brasileiras”, opina Evaldo Shiroma, diretor da Abeme.

Dessa forma, as produções mudaram o seu foco principal. Nas tramas femininas, o objetivo é o prazer da mulher e a realização das suas fantasias, sem que mulher seja tratada como objeto. Os roteiros são mais elaborados, ou seja, existe uma história que envolve as personagens, atrizes que não têm aparência de mulher de filme pornô, sem silicone nem maquiagem carregada.

Com o passar dos anos, Evaldo começou a perceber que a preferência por filmes nacionais, tanto entre homens e mulheres, é principalmente por títulos que envolvem atores mais conhecidos na mídia, como Alexandre Frota, Vivi Fernandes, Rita Cadilac, Mateus Carrieiri e Gretchen. Segundo a associação, o custo médio de um filme nacional gira em torno de 25 mil reais, e o cachê de uma atriz é dez mil reais em média. Para o mercado americano fica mais barato realizar algumas produções por aqui, pois o custo com a mão de obra é mais reduzido. “O que também atrai os produtores é o bitipo da mulher brasileira”, acrescenta.

Com a intenção de alavancar a produção nacional, a Abeme promoveu em maio deste ano a primeira premiação de filmes pornográficos do Brasil. Oscar do cinema pornô, a Erotika Video Awards (EVA) aconteceu durante a Erotika Fair de 2009. Além das categorias comuns, as produções também concorreram a melhor filme fetiche, sexo oral e anal, cena de sexo gay, ator passivo e ativo, e melhor filme de bonekas.

Mercado erótico para elas

Calda Quente (Feitiços Aromáticos)

Por enquanto ainda não foi implementada uma categoria nacional voltada ao público feminino, mas Evaldo lembra que mais tarde isso poderá se tornar realidade, afinal, a televisão já mostra bons resultados em programas que falam sobre sexualidade. “É uma mostra que elas também querem assistir a um bom filme erótico”, comenta.

Ao passo que a internet abre mercado para as mulheres buscarem filmes pornôs de todos os tipos, a rede também faz com que muitas videolocadoras fechem as suas portas. A pirataria também é outro concorrente. Entretanto, as sex shops vão muito bem. “Apesar do crescimento do mercado evidentemente o preconceito ainda existe, mas diminuiu muito se compararmos há mais de dez anos (em 2007, elas não represetavam nem 5% dos consumidores). Para se ter uma ideia, hoje elas são 70% da demanda, mulheres entre 25 e 45 anos, preocupadas em manter um relacionamento íntimo e não só pelo prazer", diz.

Entre os itens preferidos, Evaldo cita aqueles de cosmética íntima (géis e óleos para massagem), lingeries, fantasias, algemas e chicotes. A maioria deles é importada, 75% em média, que veem dos Estados Unidos, China e Europa Ocidental. Renata Bertacini, proprietária da Mimo Sexy que tem 50% do seu estoque de fora, viaja pelo menos quatro vezes ao ano em busca de novidades. “Sempre que vou aos EUA me deparo com muitas coisas novas. Esse mercado não para de crescer”, comemora.

Mercado erótico para elas

Estimulador, vela sabor tutti fruti e vibrador (Mimo Sexy)

A empresária procura reunir produtos de qualidade, premiados em férias e exposições internacionais, e com tecnologia, como os vibradores que dispensam o uso de pilha. Localizada em Alphaville, região nobre da Grande São Paulo, a loja recebe mulheres principalmente das classes A e B. Dados na Abeme confirmam a grande procura. Somente na cidade de São Paulo, os sex shops movimentam entre 40 e 50 milhões de reais por ano, sendo a região Sudeste a responsável por concentrar 80% deste mercado.


Mulheres em busca de trazer de volta a química, a paixão e o desejo, segundo a Vilamiga Keidy, opinião compartilhada e cometada por Lucia, em seu blog. "Na maioria das vezes é o preconceito que as impede, elas se perguntam: E se alguém me ver saindo de lá, o que eu vou dizer? O que meus amigos vão pensar?. Mas tudo isso é tabu, devemos fazer o que realmente nos faz bem e não o que os outros querem que façamos", opina.

Por Juliana Lopes

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