Limusines eróticas

O mercado erótico-romântico supera-se diariamente. Antigamente namorados contentavam-se com banheiras de hidromassagem em suítes de motéis com decoração duvidosa.

Mais tarde os hotéis românticos com um toque zen que incluíram em seus pacotes massagens para casais a quatro ou seis mãos, ofurôs, tratamento de banho de pés com pétalas de rosas e brincadeiras similares.

Hoje, além de milhares de instrumentos eróticos vendidos inclusive a domicílio e em sex shop, fica realmente difícil dizer por qual experiência erótica ainda não passou (ou escolher qual deseja realmente experimentar).

Uma modalidade me espanta pelo nível de mediocridade: trata-se da transa sobre quatro rodas. Não o bom e velho malho em local deserto entre dois adolescentes no carro “emprestado” do pai , nada disso.

A transa nas limusines vem sendo alardeada como o máximo em matéria de sensualidade. Funciona assim: dois ou três casais se juntam para esquentar uma balada a bordo de uma limusine equipada com champanhe etc.

Pela bagatela de 3.000 reais todos tem direito a rodar pela cidade, bebendo champanhe no trânsito até achar que está calibrado o suficiente para desembarcar pra valer em alguma balada. Uma espécie de lotação da classe média para ir a baladas, se é que me entendem.

Caso deseje bancar sozinho a noite, o sujeito (ou moça) terá direito a mais privacidade, uma vez que apenas o motorista poderá eventualmente testemunhar os afagos e malhos que se espalham pelo banco e chão do carrão.

Eu hein !? Se me permite um palpite, não aceite (e jamais nem proponha) algo assim. Fuja de um mico desses! Isso não é e nunca será sofisticado. Por volta dos anos 50 e 60 os chefes da máfia e grandes figurões de origem e reputação pra lá de perigosa utilizavam as limusines para poder se locomover (fugir, melhor dizendo) enquanto faziam negócios etc.

Só depois é que esses veículos começaram a ser alugados para levar noivas que não tivessem um carro com espaço suficiente que lhes permitisse espalhar a cauda do vestido no grande dia.

Cá pra nós: transar no chão de uma limusine achando que está se aproximando do que convencionou-se chamar de “mercado do luxo” ou nova experiência é um engano tão grande quanto achar que basta usar uma roupa de grife para ser elegante.

Pois é. Atualmente sobra variedade nos estilos das transas e falta muito do resto. Que resto? O resto. Aquilo que hoje, vem depois que o casal confere se está com o corpo malhado, se o outro tem sinais de ter grana suficiente (e muitas vezes são só os sinais mesmo) e depois de uma rápida avaliação para ter certeza de que está se “investindo” menos do que recebendo.

O resto é aquele detalhe ínfimo, raro na cultura da pressa e do descartável, mas capaz de detonar em qualquer transa os famosos fogos de artifício de tesão ao simples olhar e um orgasmo com o mais sutil dos toques: cumplicidade e intimidade.

Jornalista, escritora e palestrante, Claudia Matarazzo é autora de vários livros sobre etiqueta e comportamento: “Visual, uma questão pessoal”, “Negócios Negócios - Etiqueta faz parte”, “Amante Elegante - Um Guia de Etiqueta a Dois”, "Casamento sem Frescura", "net.com.classe", "Beleza 10", "Case e Arrase - um guia para seu grande dia", "Gafe não é Pecado" e "Etiqueta sem Frescura"

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