Erotismo literário e poesia

Confira algumas dicas de livros e poesias com conteúdo erótico

Foto: Reprodução/© OlafSpeier

Tá, eu me entrego. Li toda a saga de "Cinquenta Tons de Cinza". E, ao lado de uma amiga maravilhosa, também fui ao cinema assistir ao filme protagonizado por Christian Grey. Simplesmente não dava para me esquivar do fenômeno que sacodiu o mercado editorial mundial. Fiquei curiosa, oras! Vou me isentar de opiniões pessoais sobre a obra, ok? Apenas ressaltar o aspecto positivo sobre o conteúdo narrado por Anastasia Steele que,  enriquecedor ou não, impulsionou o hábito da leitura em mulheres que antes não gostavam de ler nem ao menos bula de remédio. 


Partindo deste princípio, avancemos! Afinal, falar sobre erotismo literário acabou mesmo se tornando um dos assuntos prediletos nas rodas femininas. Há de se ressaltar que esse tipo de texto não se refere à pornografia, mas à expressão natural do desejo, verdadeiro campeão de audiência! E nas prateleiras das livrarias há excelentes publicações, das mais picantes diga-se de passagem, escritas por autores renomados que muita gente nem desconfia.

Quem aqui, por exemplo, já leu "O amor natural", livro de poemas eróticos de Carlos Drummond de Andrade (sim, amiga, o próprio!)? Bom, o autor mineiro escreveu 40 poemas pra lá de ousados publicados postumamente, com uma visão despojada e fascinante sobre o sexo e a sensualidade. Drummond demonstra, nesses poemas, que o amor e a sexualidade caminham juntos e trata o sexo como algo natural do ser humano. Ele desbrava o corpo humano com a plena consciência dos limites entre o erotismo e a pornografia. 

E aí você descobre que as palavras têm vida e corpos, sim! E são capazes de cada coisa... E que a poesia é mágica porque você a interpreta do jeito que quiser, de olhos fechados, ao lado de alguém ou simplesmente imaginando-o ali, dizendo aquelas rimas todas no seu ouvido, em breves sussurros. E como dizia a Rita Lee, ai de mim que sou romântica!!!

Ah, entre os poemas do Drummond, estão "Amor - pois que é palavra essencial", "A língua lambe" (ficou curiosa, hein?) e "Para o sexo expirar", do qual você pode ler o trechinho:

"Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.Amor, amor, amor — o braseiro radianteque me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo".

Adriana Cocco é jornalista e professora, adora bater papo e escrever sobre a comunicação entre as pessoas. É daquele tipo a quem você acaba de ser apresentada, mas parece que já conhece há anos! E espera sempre sua participação nesta coluna por meio do adrianacocco@hotmail.com !

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