É Festa! Parte Final - Em dose dupla

É Festa Parte Final  Em dose dupla

Foto: Tetra Images/Corbis

Assim que saiu do banheiro olhou em volta. Avistou a amiga, que conversava com um grupo e assim que percebeu sua presença ao longe, acenou. Respirou fundo e foi em frente tentando, enquanto caminhava até a amiga, encontrá-lo naquele mar de máscaras.

Ao aproximar-se da outra, uma surpresa... Conversando com sua amiga, entre outras pessoas, estava o dono dos lábios que a pouco percorreram seu corpo. No entanto, será que já havia bebido tanto assim para ver coisas em dobro? Esfregou os olhos para ver melhor. Não era um, mas dois belíssimos homens exatamente iguais. Senão gêmeos certamente irmãos...

Por um instante, totalmente desconcertada ficou muda e parada sem conseguir dar sequer mais um passo. De repente tudo parecia fazer sentido. E uma avalanche de pensamentos invadiu sua mente.

Provavelmente, aquele que havia esbarrado com ela mais cedo era um, e o que abordou outro. Por isso o que ela beijou pareceu não entender a abordagem (apesar de ter se aproveitado bastante da confusão) e o segundo, apesar de terem se esbarrado antes, não entendeu a intimidade dela e foi bem comedido até chegar aos finalmentes.

Ainda pensou em dar meia volta e fugir de mansinho, mas a amiga, vendo que se aproximava, disse - "Chegue mais querida, preciso te apresentar meus novos amigos." E então, todo o grupo voltou o rosto em sua direção, inclusive eles, para seu desespero.

Ambos sorriram, e disseram quase ao mesmo tempo - "Já nos conhecemos...", olhando-se surpresos imediatamente após a declaração. Aparentemente, um não sabia do outro.

Quis derreter de tanta vergonha. Sequer conseguia levantar os olhos. O que eles estariam pensando dela? Uma mulher fácil, daquelas que dão para qualquer um?

E a amiga, que realmente parecia não notar seu constrangimento, apenas continuou - "Então vamos apresentá-la ao que ainda não conhece", fazendo as honras.

Ainda com o olhar baixo, percebeu a calça levemente molhada de um deles, podendo felizmente reconhecer, pelo menos, aquele que a fizera gozar minutos antes, percebeu também que ele era mais alto. Conseguindo de alguma maneira diferenciá-los.

Enquanto o mais baixo, que parecia mais jovem, aparentava divertir-se com seu constrangimento, o outro ficou quase mudo e compenetrado, respondendo em monossílabos quando questionado.

Havia um peso em seu estômago, uma sensação desagradável, sentiu certo enjôo, falta de ar, começou a ver tudo rodar e depois não viu mais nada.

Acordou em um quarto lindo, luxuoso... Ao seu lado a amiga segurava sua mão, bastante preocupada, perguntando se estava bem e comentando do desmaio que, no instante seguinte, quase provocou uma briga entre os donos da festa, os irmãos super gatos.

Donos da festa... Como assim? E a amiga continuava - "Parece que sua pressão baixou. Não foi nada de mais, mas eles preferiram trazê-la aqui para cima. E ainda estão lá fora... Não sei o que aconteceu entre vocês, mas... Os dois estão preocupados esperando você acordar. Será que você poderia me explicar o que aconteceu?"

Neste momento, duas batidas na porta interromperam a conversa. Eles entraram e puderam, enfim, se ver sem máscaras pela primeira vez.

O mais alto parecia um pouco mais velho, olhar mais suave e também mais sério. O que parecia mais novo, além de mais baixo, tinha um olhar brincalhão. Era clara a diferença. Igual, só mesmo o porte físico e o sorriso. Como pôde confundi-los? Nem gêmeos eram...

Discretamente a amiga se afastou para que os três pudessem conversar. Um de cada lado segurou sua mão. E no meio daqueles homens lindos ela balbuciou - "Preciso dizer que eu não sabia... Estou envergonhada, muito... Definitivamente, eu não sou assim."

E sorrindo, o mais alto fez um gesto, tocando de leve seus lábios - "Shhhhh... Já entendemos o que aconteceu... Nós é que pedimos desculpas." E o mais novo completou - "Passe a noite aqui com sua amiga. É o mínimo que podemos fazer depois dessa confusão!"

Muito sem graça, mas também sem forças ela aceitou ainda constrangida. Vendo a amiga simular um "Yes!" baixinho, por trás deles. Ela não tinha jeito...

Olhou para cada um daqueles rostos lindos, lembrou dos deliciosos lábios, sentiu o calor das mãos deles nas suas e corou com seus pensamentos.


Quem diria que em um baile de máscaras, suas próprias máscaras cairiam? Ela não só esteve com outro homem, mas com dois desconhecidos. E o pior, ou melhor, teve prazer com ambos. Justo ela...

Definitivamente, acaso ou não, sua caixa de pandora fora de alguma maneira aberta, mas... Só pensaria nisso amanhã. Por hora, apenas dormir e, quem sabe, sonhar com o que não foi sonho, mais uma vez...

Beth Vieira é designer de moda por formação e webwriter por paixão. Uma loba em pele de cordeirinha que desde 2003 escreve sobre erotismo e comportamento sexual na web. Contato:beth.vieira@gmail.com

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