É FESTA! PARTE 2

É FESTA PARTE 2

Foto: Studio DL/Corbis

Chegando ao evento teve que admitir. A mega festa não era uma propaganda enganosa. Sem sombra de dúvidas estava em um dos ambientes mais lindos e requintados da cidade, com comida e bebida de qualidade, repleto de pessoas interessantes à sua volta... Definitivamente aquela não era uma festa qualquer, mas realmente "a" festa.

Enquanto os homens passeavam imponentes em seus smokings e máscaras negras, as mulheres desfilavam em vestidos longos, com muitas cores, tecidos, formas e, sobretudo, decotes enaltecendo os atributos visíveis.

Sentia-se bonita. Nunca havia atraído tantos olhares, o que era um grande exercício para sua autoestima tão abalada com a traição. Era interessante ver que, uma vez com o corpo praticamente coberto e usando máscaras que só deixavam lábios, colo, ombros e pescoço à mostra, aos olhos dos homens estes mínimos itens apresentavam-se como mistérios a ser desvendados.

Nem bem chegaram, a amiga logo acreditou ter reconhecido um produtor de cinema influente e colou no indivíduo, deixando-a só, para o seu alívio. Era uma boa amiga, mas tanto deslumbramento a incomodava às vezes.

Uma vez sozinha pôde enfim observar o ambiente com calma. Aquele clima de mistério era extremamente excitante. O espaço, decoração, a iluminação difusa, tudo ajudava a intensificar um clima sedutor...

Entre uma e outra taça de champanhe, começava a distrair-se, embevecida com a festa. Desvencilhando-se eventualmente de bêbados chatos que insistiam dizer que a conheciam de algum lugar. Poderiam ao menos escolher outra cantada, pensava...

E quando mais uma vez sentiu a proximidade de alguém a seu lado, já pronta para sair pela tangente, virou o rosto descontente. Foi então que sentiu uma mão tocar delicadamente em sua cintura. E a poucos centímetros de sua face, deparou-se com um sorriso lindo, delineado por grossos e apetitosos lábios, do homem mais deliciosamente cheiroso e charmoso que já havia visto, mesmo que apenas parcialmente. A máscara era só um detalhe a mais.

Meio desconcertada com o corpo daquele homem tão próximo ao seu, não disse nada, mas por instinto sorriu em retribuição, baixando o rosto e fazendo charme mesmo sem perceber. Sequer conseguia pensar direito. Eram segundos que pareciam, ou deveriam, durar uma eternidade, tamanho o turbilhão de sensações que provocava.

E então, quebrando o silêncio deliciosamente constrangedor daquele momento vai e não vai, ele educadamente fez uma leve pressão em sua cintura e falou baixinho em seu ouvido - "Moça linda, estou amando ficar aqui, encostadinho em você, mas... Realmente preciso passar para o outro lado do salão e você está no meu caminho. Poderia me dar licença?"

"Idiota", pensou de si mesma. Não havia percebido, mas estava bem no meio da passagem... Muito sem graça com a gafe pediu desculpas e liberou o caminho, mas correu ao toalete para esconder a face afogueada de vergonha. E pensar que quase deu um passa fora no dono daquele sorriso mais lindo. Até agora, o único que lhe provocara algum frisson naquela festa.

Em um baile de máscaras, antes de uma boa conversa, olhares e sorrisos eram as únicas pistas para encontrar alguém interessante. E ele definitivamente era.

De repente, aquele jogo anônimo do baile de máscaras passou a ter um encanto especial. Até podiam estar de rostos cobertos, mas aquele olhar, boca, queixo... Algo naquele homem mexeu com ela, a ponto de incomodá-la de uma maneira estranhamente excitante. Talvez fosse o champanhe que começava a fazer efeito, talvez não...

A frase - "Moça linda, estou amando ficar aqui, encostadinho em você, mas..." ainda ecoava em seus ouvidos. Sentiu-se uma adolescente boba por ter corado ao tê-lo tão próximo. Triste admitir, mas estava desacostumada ao flerte. Aliás, será que ele realmente havia prestado atenção nela ou tudo não passou de um gracejo?


Olhou-se no espelho para conferir o visual e sorriu feliz, sentia-se linda. A máscara trazia um detalhe charmoso. O cabelo preso em uma trança frouxa caía displicente em seus ombros e dava um charme a mais ao vestido tomara que caia pérola, que emoldurava perfeitamente seu corpo.

Retocou então o batom e saiu curiosa, à procura do misterioso homem de belo sorriso.

Leia o primeiro capítulo: É festa! Parte 1: A Oportunidade

Beth Vieira é designer de moda por formação e webwriter por paixão. Uma loba em pele de cordeirinha que desde 2003 escreve sobre erotismo e comportamento sexual na web. Contato:beth.vieira@gmail.com

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