Diário erótico

Diário erótico

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Ela venceu o preconceito e escreveu, sem pudores, um livro de contos eróticos. Mais do que isso, escreveu um diário. Isso mesmo. O livro de Fabíola Colares, “Diário Erótico”, lançado em 2006 (Editora Recanto das Letras), traz muito da experiência pessoal dela. Dos 20 contos que fazem parte do livro, nove são pessoais. Os outros são resultados de muita pesquisa (mais de 100 casais) e altas doses de imaginação.

Fabíola foi casada por quase dez anos, com o pai do filho, que tem nove. Separou-se dele há cinco, mas em 2006 se casou novamente. É mineira de coração capixaba, tem 34 anos, é homossexual assumida e convive em harmonia com a opção. “Nunca vi isso como um empecilho e, talvez por agir de maneira natural, as pessoas não costumam me discriminar”, conta.

No livro apimentado, os contos vencem as fronteiras do gênero - e tratam homens e mulheres como iguais. “A única diferença que temos em relação aos homens é o órgão sexual. Quando desejamos alguém e lançamos mão para conquistar, não vejo diferença alguma”, opina.

Mas Fabíola conta ainda que não foram raras às vezes em que ouviu homens falarem para que usasse um pseudônimo masculino, já que escrevia sobre um tema “voltado a esse público”. E também já viu mulheres comprarem seu livro com descrição, quase com vergonha. A autora não concorda com as atitudes e acha bobagem mitificar o desejo.

Contos eróticos

Divulgação (ilustração do livro "Diário Erótico")

Para o Vila Mulher, a autora - que acha que o ser humano é movido a sexo - fala um pouco sobre seu “Diário”, coloca erotismo e pornografia em casas diferentes e conta de onde nasce tanta inspiração. Seu livro coloca ainda em cheque as relações afetivas modernas e discute o amor descartável.

“Diário Erótico” traz um tema polêmico. Por que escrever sobre erotismo?

Tenho uma teoria, muito pessoal, de que o ser humano é movido a sexo. Seja por ter ou não, tudo que faz é voltado para a sensualidade, para o desejo de conquista. Nascemos e morremos por isso. É tudo por causa do sexo ou pela falta dele.

De onde nasce a inspiração para escrever um livro com contos eróticos?

O "Diário" nasceu de um romance estarrecedor que tive. Depois dele, minha vida nunca mais foi a mesma. A inspiração vem da minha vontade de narrar a sutileza das coisas. Tudo o que me chama a atenção, numa relação entre duas pessoas, independente da opção sexual delas, é justamente o detalhe, o toque na pele, a sensação causada. Isso me inspira muito. Gosto da beleza dos corpos juntos e gosto de olhar para as pessoas e imaginá-las fazendo amor, sexo...

Como é escrever sobre erotismo? Percebe muito tabu quanto ao tema?

Não é fácil escrever sobre erotismo. As pessoas, principalmente as que não me conhecem, tendem a pensar que sou uma depravada, que todos aqueles contos são meus e que minha imaginação é voltada apenas para escrever patifarias. Acho graça quando ouço comentários desse tipo.

Erotismo e pornografia. Qual a diferença entre os dois gêneros?

Não sou adepta ao desnecessário, por isso não gosto de pornografia, coisa que acho dispensável. Mas há, é claro, uma linha muito tênue que separa as duas coisas. Descrever uma situação sem ser vulgar, mas sem omitir detalhes, instigando às pessoas ao desejo, é erotismo. É a arte de descrever o desejo sem voltar-se para a depravação. Pornografia é o erotismo sem essa capa de glamour.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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