Desejar é preciso

Desejar é preciso

Mais preocupadas em serem desejadas do que com o próprio desejo e dependentes de afeto atrelado à vida sexual, as mulheres brasileiras ainda necessitam de autoconhecimento quando o assunto é sexo. Ainda assim, estimuladas pelas informações que as cercam e na busca cada vez mais cedo de orientação para suas dúvidas e inquietações, o comportamento sexual feminino está em evolução.

A análise é do psicólogo especialista em sexualidade humana, Paulo G. P. Tessarioli. Segundo ele, pensar em sexo, fantasiar e até mesmo se masturbar ainda são atividades pouco comuns às mulheres. "Para elas, ser atraente é mais importante do que se sentir excitada, e o orgasmo é mais para provar para o outro e para si mesma que é boa de cama. É preciso mudar!".

A cobrança social de um corpo perfeito é um dos fatores que interferem de forma negativa para a sexualidade das mulheres, que acabam sentindo-se obrigadas a acompanhar o padrão de beleza exigido de épocas em épocas. "O mito do corpo perfeito está no imaginário das mulheres e também dos homens. Basta perceber ao longo das décadas que o ideal de corpo perfeito foi mudando. De mulheres magras e bronzeadas para mulheres com curvas e formas e até mesmo a pele com tom natural, pois o sol envelhece... É duro ser mulher, não é mesmo?", diz Tessarioli.

Diante do mito das diferenças entre o prazer atingido por homens e mulheres, ele ressalta o grande desencontro entre parceiros e parceiras. "Espera-se que ele seja viril, superior e ativo. Já elas ainda temem demonstrar reações e desejos na hora do sexo. Preferem ser seduzidas e muitas vezes não deixam claro o que gostam ou esperam sexualmente".

Sexo anal? Virgindade? Masturbação? Os tabus ainda existem, mas às vezes, de forma invertida, diz o psicólogo. Virgindade, por exemplo, dependendo da idade, virou motivo de preocupação. "Atualmente, espera-se que a virgindade deixe de existir na adolescência.


Caso isto não ocorra, é comum que o meio social ou até mesmo a pessoa virgem tenha dúvidas sobre sua sexualidade, principalmente sobre sua orientação. Será que sou lésbica?"

Por Adriana Cocco

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