Das palavras e o sexo

Algumas pessoas são visuais. Veem algo e acham o máximo, apaixonam-se, ficam excitadas, enfim, reagem ao que estimula os olhos. Alguns precisam de movimento, filmes, danças, caminhadas.

Outros precisam de toque: carinho, mãos dadas, beijos.

Outros precisam de palavras.

Frases, declarações, detalhes de cada um dos vocábulos, a sonoridade de uma sentença, a boca proferindo amores, a língua trabalhando em prol da comunicação.

E daí vemos declarações de amor, em cartas, em voz. Fernando Pessoa já dizia que todas as cartas de amor são ridículas, mas todos são ridículos. Por quê? Quando se ama, aquelas palavras tão ridículas ganham um novo significado.

E as palavras também servem para excitar. Contos eróticos são o que, afinal? Apenas sexo em estado "palavrístico". Às vezes, como a parte física do sexo, deliciosos; às vezes, uma porcaria.

Registrar o querer bem, o amor, o sexo é bom. Mas pode ser problemático. É preciso verificar se a pessoa para quem se registra merece essa delícia.

Ou registra-se para si próprio. Para guardar os momentos como tesouros e depois revivê-los lendo as palavras com calma.

Ler com calma, bebendo cada uma delas.

Isso é aproveitar as palavras. De novo, cada uma delas, com calma exasperante.

Mudando a direção, terminarei dizendo: na maior parte das vezes, todas as pessoas são tudo isso acima.

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