Cirurgias íntimas - intervenção médica ou estética?

Quando cirurgia íntima é necessária

Foto: João Cotta/Divulgação TV Globo

Rolam por aí boatos de que a ex-BBB Monique teria feito uma cirurgia íntima antes de iniciar seu ensaio sensual para a revista Sexy. A moça nega, mas fontes que acompanharam a sessão de fotos revelaram que Mona era bastante complexada com esta questão. Mas será que a cirurgia íntima deve ser realizada por indicação médica ou é puramente estética?

Para a cirurgiã plástica Ana Paula Polato o limite da intervenção íntima está em se manter a saúde da região genital e não alterá-la em nome da estética exclusivamente. E comenta: "A vaginoplastia, por exemplo, não é tão procurada quanto a cirurgia para implante de silicone, por exemplo, mas vem crescendo o número de intervenções.

Este aumento foi comprovado no Reino Unido. Segundo notícia publicada no site da BBC Brasil, em agosto de 2011, um estudo divulgado na Revista Internacional de Obstetrícia e Ginecologia revelou que os médicos britânicos estavam preocupados com o aumento do número de cirurgias íntimas realizadas pelo sistema público de saúde: cinco vezes em 10 anos.

Analisando as dimensões dos lábios vaginais de 33 mulheres interessadas no procedimento no país foi constatado que os tamanhos eram considerados normais, o que descartava a necessidade de cirurgia. A média de idade das mulheres analisadas era de 23 anos, sendo que uma delas tinha apenas 11. Entre as razões que as levaram ao interesse pela cirurgia estavam melhoria da aparência, da autoestima e das relações sexuais. A insatisfação havia nascido por meio dos comentários do parceiro sexual e de programas de TV sobre cirurgia plástica.

Entre os tipos de cirurgias íntimas estão a vaginoplastia e a labioplastia. A vaginoplastia corresponde à correção da musculatura interna da vagina, não sendo visualizada externamente. Portanto, não se trata de uma cirurgia estética. "Já a labioplastia, tanto de pequenos como de grandes lábios, é usualmente estética", explica Dra. Ana Paula.

A cirurgiã ressalta que a vaginoplastia tem o intuito de "reforçar" a vagina, que se tornou frouxa ou solta pelo parto ou por envelhecimento. É realizada em ambiente hospitalar, com anestesia peridural ou local com sedação. "São realizados pontos internos, visando o estreitamento do canal vaginal."

Quem tem interesse em alterar o tamanho dos lábios vaginais, tanto os grandes (externos) quanto os pequenos (no interior da vagina), recorre à labioplastia. A cirurgia pode ser realizada por si só ou com vaginoplastia. A labioplastia altera o tamanho ou forma destes lábios, tornando-os menores ou corrigindo a assimetria entre eles.

"A labioplastia de pequenos lábios consiste na redução e/ou simetrização dos mesmos. Realiza-se a retirada cirúrgica do excesso de um ou dos dois lados, e ‘costura-se’ a região com pontos absorvíveis", esclarece a especialista. Na intervenção dos grandes lábios normalmente se realiza a retirada de uma pequena quantidade de gordura através de uma lipoaspiração. Após lavar e filtrar a gordura retirada, o cirurgião enxerta a mesma nos grandes lábios para deixá-los mais "cheios".


Os procedimentos duram de 40 minutos a 1h30 e os valores médios, exceto gastos hospitalares, variam de R$ 2.500,00 a R$ 4 mil. Para fazer a cirurgia é necessário fazer eletrocardiograma e exames de sangue e de urina. "Deve-se também sanar as infecções antes da cirurgia", lembra a Dra. Ana Paula.

Após a intervenção os cuidados são basicamente locais, de higiene. No caso da labioplastia de grandes lábios o local doador de gordura precisa de cinta compressiva e drenagem linfática por cerca de um mês. O retorno ao trabalho se dá de 48 a 72 horas após a intervenção. Atividades físicas são liberadas entre 15 e 30 dias e relações sexuais só depois de 30 ou 40 dias.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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