Ciência explica cochilada masculina depois do sexo

Ciência explica cochilada masculina depois do sexo

Depois de uma boa relação sexual repleta de preliminares e carinhos, é bem comum o homem fazer uma coisa que a maioria das mulheres odeia: virar de lado e dar uma boa cochilada. Mas não pense que isto significa que ele não gostou da sua performance ou não está a fim de ouvir o que você tem a dizer.

Segundo a sexóloga Magda Gazzi, esta "soneca" se deve à prolactina, hormônio responsável por reduzir os níveis de testosterona no organismo. Ele é capaz de inibir o desejo sexual e desencadear a sonolência. "Na hora do orgasmo, há um aumento de prolactina. Ele atua no organismo ainda na fase de relaxamento e continua assim até uma hora depois da ejaculação. Por isso, os homens após o orgasmo, além do relaxamento causado pelo prazer, também sentem sono", explica.

Mas a prolactina é somente o fim desse processo. "Tudo começa pela testosterona na fase do desejo. Depois ocorre o aumento da adrenalina e noradrenalina (responsável pelas sensações de humor, ansiedade, sono e alimentação) e da ocitocina (hormônio do amor) na fase da excitação", diz Dra. Magda.

A passagem da fase do orgasmo para a fase da resolução é muito rápida para o homem. É como se eles descessem do topo de uma montanha-russa rumo ao relaxamento. "Na mulher essa passagem é mais lenta", lembra Magda. "A famosa cochilada pode acontecer quantas vezes forem os orgasmos naquele período. E devido ao desgaste físico que o sexo proporciona, esse cansaço pode ser acentuado e mais longo após algumas relações", completa.

E acredite: essa cochilada traz muitos benefícios para o casal. Por meio dela, o organismo masculino se recupera da energia gasta durante o ato sexual e tem um tempo de preparação para uma nova relação sexual. E depois da cochilada, o homem torna-se uma caixa de surpresas. Isso porque a "segunda rodada" pode ser ainda melhor. Ou ser igual. "Após uma cochilada e um período de pequeno repouso, esse homem pode se sentir mais disposto ao sexo e, com isso, se dedicar mais às preliminares com sua parceria", conta Dra. Magda.

O tempo médio desse momento relaxante, também conhecido como "período refratário", varia de homem para homem, sendo de minutos até horas ou dias. "Na mulher, essa ‘pausa’ não existe. Por esse motivo, a mulher pode estar preparada para uma nova relação sexual imediatamente e não sofre tanto essa influência do hormônio prolactina", conta Dra. Magda.

Diálogo ajuda a minimizar reclamações

A radialista Angela, de 38 anos, diz que uma atitude masculina depois do sexo abominada por ela é a tal pressa. "Assim que o ato termina, eles correm para o banheiro para tomar banho. É como se tivesse desesperado para ir embora", reclama.

Ligar a televisão para assistir ao jogo de futebol, sair da cama ou levantar para ir até a cozinha tomar água são outras situações citadas por Angela. "A mulher é mais romântica e gosta de conversar, saber se foi bom. Mas, infelizmente, nem sempre o homem gosta disso", aponta. A radialista acredita que o tempo de relacionamento faz com que esses problemas sejam minimizados. "Conforme o tempo passa, você tem a liberdade de conversar com o parceiro e pedir para que ele mude alguns comportamentos."

Dra. Magda afirma que as mulheres odeiam quando os homens fumam ou bebem depois do orgasmo. E ratificando as palavras de Angela, garante que algumas dessas atitudes podem ser modificadas por meio do diálogo. "As coisas só vão mudar quando a mulher explicar para o homem como se sente. Cobrar uma postura, ou dizer que ‘ele faz tudo errado’ talvez não seja o melhor caminho. Acho que vale a parceira tentar falar o que realmente sente quando o homem faz isso ou aquilo", comenta.

Na hora do sono, sugere a sexóloga, talvez seja melhor a mulher aproveitar e cochilar um pouquinho também, quem sabe deitando no ombro do parceiro. "Agora se o cigarro incomoda, é bom negociar com ele. Com uma dose de boa vontade e diálogo, com certeza tudo vai ficar muito bom para ambos."


Dra Magda lembra que homens e mulheres foram educados de maneira diferente em relação à sexualidade e relacionamento e, por isso, não vão pensar ou agir de maneira igual. "É importante que ambos entendam a beleza de serem diferentes e respeitem isso. Essas mesmas diferenças são muitas vezes naturais ou adquiridas pela educação", comenta. "E é por isso que buscamos no outro um pouco daquilo que achamos que falta em nós."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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