Cefaléia Sexual

Sexo dá dor de cabeça

"Meu marido precisa ouvir isso. Ele não acredita em mim e insiste na relação sexual, acha que estou mentindo, que não estou com enxaqueca". Essa é uma queixa freqüente no consultório do neurologista especialista em dor de cabeça, João José Carvalho, que resolveu investigar a fundo o famoso pretexto da dorzinha usada como desculpa para evitar o sexo.

O estudo feito no Núcleo de Pesquisa e Assistência em Cefaléia do Ceará mostrou resultados interessantes. Conforme o coordenador, 67% das mulheres com enxaqueca têm suas vidas sexuais prejudicadas pela doença, entretanto apenas 24% já interromperam uma relação sexual por causa de uma crise. Aquelas que realmente têm dor de cabeça não a usam para dar uma escapadinha e representam 10% da pesquisa. 30% delas admitiram que se valeram dela para sair pela tangente, sem ter a dor de fato.

"As mulheres enxaquecosas geralmente não interrompem o ato sexual mesmo com dor, isso quer dizer que as mulheres que sofrem de enxaqueca usam muito menos este clichê do que as que não sentem dor de cabeça", diz o profissional que é membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia.

O neurologista também concluiu que as mulheres com dores de cabeça primárias (enxaqueca ou cefaléia tensional) têm mais fantasias sexuais do que as não apresentam. Em entrevista ao Vila Dois, Carvalho acrescentou que se a dor está no início, a atividade sexual até melhora. "Se ela é leve, a relação até contribui, conforme 40% das entrevistadas, assim como acontece se usarmos as terapias modernas com medicamentos. 17% delas disseram que isso é indiferente, mas quando a dor e forte e intensa, sem dúvida, o sexo não ajuda", ressalta.

Em muitos casos, a dor está relacionada diretamente com a atividade sexual. Por mais estranho que pareça, existe uma doença chamada cafaléia benigna do sexo, também conhecida como cefaléia sexual ou cefaléia coital. Claro que isso não é comum, e atinge uma pequena parcela da população. Os homens são mais atingidos, conforme o neurologista.

A dor pode aumentar, principalmente na nuca, assim que a excitação cresce e se torna ainda mais intensa durante orgasmo. Ou ainda, apenas acontecer nessa hora, no ponto alto da relação. Em alguns casos, ela vem acompanhada de náuseas e vômitos. "A pessoa pode ter um único surto, ou várias deles, ao longo da vida. Em alguns casos, a dor representa indícios de um aneurisma, ou um rompimento arterial, por isso é importantíssimo buscar um neurologista assim que a pessoa sentir algo", alerta.

Segundo Carvalho, muita gente acredita que a enxaqueca comum e, conseqüentemente, as dores, acontecem por conta da má alimentação, estresse, entre outros motivos, mas ele ressalta que a doença ocorre por conta de uma disfunção genética. "Trata-se de uma desregulação cerebral. Claro que manter uma boa alimentação e uma vida regular é importante, mas não isso que vai ajudar. É preciso buscar um diagnóstico e o tratamento com remédios para conviver sem dores. Posso dizer que 60% dos meus pacientes conseguem viver sem dor".


Assim como a cefaléia, as dores durante o sexo são uma herança genética, as orgásticas, principalmente, se estabilizam se o sexo for interrompido. Na maioria dos casos, apenas com medicamentos antes das relações, a dor é abolida, afinal, sexo é saudável sim, e faz bem.

Por Juliana Lopes

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