Catherine Millet - das aventuras sexuais ao ciúme doentio

Catherine Millet  das aventuras sexuais ao ciúme d

Foto/Editora Agir

Ousada, a romancista Catherine Millet chocou o mundo após a publicação de "La Vie sexuelle de Catherine M" (A Vida Sexual de Catherine M. Ediouro, 2001), autobiografia erótica que revela em detalhes suas aventuras sexuais - contos pornográficos com temas que vão desde a perda da virgindade até as orgias com 150 homens.

Depois de vender mais de um milhão de exemplares pelo planeta, com tradução em 45 idiomas, a obra chocou os leitores principalmente por causa da preferência de Catherine pelo sexo grupal, mais ainda pelo fato de a autora ser também a fundadora da respeitada revista francesa "Art Press".

Em meio a tudo isso, ela viveu o casamento com o escritor Jacques Henric, que não participava das experiências de sexo em grupo, e está com a escritora até hoje. Sem pudor algum, a escritora falava abertamente sobre os seus relacionamentos extraconjugais e expôs exatamente como eram as suas relações sexuais. Preferia não observar os rostos dos homens, tampouco saber os seus nomes.

Catherine dizia seu corpo era divido em dois. O físico servia apenas para se explorar o prazer, a prática do sexo em qualquer lugar, seja no cemitério ou até no escritório da revista em que trabalhava. E o amoroso era reservado apenas para o marido, com quem vive há cerca de 30 anos.

Entretanto, o mais surpreendente da sua própria vida não são apenas as experiências sexuais, mas sim a sua crise avassaladora de ciúmes que viveu quando descobriu a infidelidade do marido. Como qualquer mulher, a romancista descobriu o gosto amargo da traição e conta no seu mais recente relato autobiográfico "A outra vida de Catherine M" (Editora Agir) o que sentia quando o espionava: seja lendo suas cartas ou e-mails.

O título original é "Jour de Souffrance", uma expressão francesa com dois significados: “dia de sofrimento” e ainda “janela que se pode abrir para a propriedade do vizinho, deixando passar a luz, sob a condição de que seja guarnecida de uma vidraça fixa e opaca”. Mais fiel a sua vida impossível. O lançamento da tradução desta obra será durante 7ª edição da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), realizada até o dia 11 de julho.

Como ela mesma revela em entrevistas, a sua filosofia libertária em relação ao corpo e ao sexo não a impediu de sentir o ciúmes, e por conta disso, afinal a sua vida sempre foi um livro aberto, ela se sentiu na obrigação de relatar também os sentimentos de uma mulher ciumenta.


"Existe uma expressão em francês: 'Eu ponho as cartas na mesa'. É a única forma de tentar tornar as coisas interessantes. Se você negá-las, elas te devoram".

Por Juliana Lopes

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