Casas de Swing: Mulheres contam as histórias

Histórias reais, sem pudores

Swing histórias de quem se diverte nesse playgrou

Swing é lugar de diversão adulta para solteiros e casais desprendidos. Foto: Corbis/Rainer Elstermann

As casas de swing são um território quase proibido para alguns e um playground para outros. Quando se fala no assunto, surge uma ponta de curiosidade e um tabu para um número incontável de mulheres e casais. E nós vamos te contar como funciona esse universo.

Você pode estar se perguntando o que leva uma mulher, um homem, ou um casal a procurar uma casa de swing? Para apimentar a vida sexual. Segundo as entrevistadas pode ser um estilo de vida, isso quer dizer, pode ser uma diversão constante.

Porém, é importante ressaltar: se você tem namorado e quiserem ir juntos, antes da balada, é bom ter uma boa conversa e esclarecer se isso agradará aos dois. Swing não é lugar para se discutir relação e nem para brigar.

Nós conversamos com 4 mulheres que frequentam casas de swing e gostam do clima de sedução. Elas nos contaram o que gostaram e o que não foi tão legal assim.

*Roberta - paulista de 23 anos

A liberdade e a desinibição costumam vir à tona nesse ambiente, e aí está o principal atrativo, "tudo é permitido, mas nada é obrigatório", essa é a definição de Roberta*, que frequenta o swing há um ano com amigos e o namorado, e apesar de ter gostado do clima e da festa, ainda se sente insegura. "Da primeira vez, acabei não curtindo, principalmente pela atitude do meu namorado que acabou se empolgando um pouco, mas se não fosse isso, eu teria adorado de cara. A partir daí, e depois de conversar seriamente com meu namorado, fomos outras vezes e nos divertimos muito".

O que gostou - "Eu curto os shows de striptease e a música e da energia que os outros casais adeptos há mais tempo, que passam segurança para quem está começando, como eu. É importante para mim me relacionar com casais que sejam casados. Gostaria de ir mais vezes".

O que não gostou - "Há muitas mulheres solteiras. Se eu estiver acompanhada, a outra pessoa também tem que estar".

Samara*, paulista de 33 anos

Ela começou a frequentar o swing há um mês e adora ter privacidade para realizar suas fantasias. "Em casas de swing sérias você só será abordada pela mulher do casal, que perguntará se você tem intenção ou não. A atmosfera do local torna o lugar bastante fetichista e, pelo menos para mim, foi erótico, tanto que acabei ficando com o amigo que me levou. Você pode ir para os locais reservados para observar outros casais se beijando e até mesmo praticando sexo, ou ir para um quarto individual e deixar ou não a luz acessa para que outros possam também observar".

O que gostou - "A privacidade. Ninguém te aborda quando você não quer e há a possibilidade de apimentar uma relação, mesmo sem fazer a troca de casais".

O que não gostou - "Se há muitos homens sem parceiras, o ambiente se torna uma espécie de "puteiro", mas sem ter que pagar por uma relação". Ela também prefere continuar frequentando swing.

Camila*, paulista de 32 anos

Começou a frequentar por curiosidade numa fase de solteira quando não tinha que dar satisfação a ninguém: "Eu estava sozinha e não tinha vínculo com alguém que, por acaso, poderia não gostar da brincadeira. Isso já faz alguns anos e sempre fui com amigas ou casais de amigos, ou ficantes, e lá conhecia pessoas. Sempre achei dessa forma muito mais divertido".

Em um swing acontecem coisas surpreendentes, a gente imagina, tanto que pode até mesmo se fazer uma amizade: "Rola de tudo! Desde uma amizade (acredite, isso já aconteceu comigo) até algo mais íntimo, seja lá na casa ou não. Porém, como muitos ainda pensam, tudo de forma consentida e com muito respeito. Cada um na sua, indo atrás da sua fantasia", nos conta Camila.

O que gostou - "A sensação de liberdade, de estar com pessoas que não te julgam por estar lá e que buscam a mesma coisa que você - sexo com diversão, o que é para ser".

O que não gostou - "Algumas pessoas confundem e acabam sendo meio chatas e insistentes. O lance das casas é se soltar, porém respeitar e ser respeitado. Quando isso não acontece a brincadeira fica chata".

Camila parou de ir ao swing, mas está com saudades, "Não me conformo de nunca ter dado essa ideia ao meu namorado. Com respeito dá para levar tudo numa boa, como um estilo de vida".

Gabriela*, paulista de 36 anos

Não costuma ir sempre, mas quis ir por curtir o clima de fetiche. "Na primeira vez, fui com um namorado. Se você for com uma amiga, em algumas casas, as duas entram de graça. Se for casal, o preço fica pela casa dos R$ 90, mas se o homem for sozinho, ele paga de R$ 300 a 500. Por isso, muitos, na falta de uma parceira que os acompanhe, acabam chamando garotas de programa. O que eu, particularmente, não acho legal. Não pelo fato de serem garotas de programa, mas pelo fato de não serem casais genuínos, que estão ali porque gostam daquilo. A meu ver, tira a autenticidade da coisa".

Ela nos contou detalhes bem interessantes do que acontece, o lance é se divertir e desfrutar. "Na porta, uma recepcionista pede para que a gente deixe celulares, máquinas ou quaisquer outros objetos que possam por acaso intervir na privacidade dos frequentadores, na chapelaria. O lugar (ao menos, o que eu fui) parece uma casa noturna com mesas, sofás, um balcão e pista de dança. O flerte é mais direto, afinal todos estão ali com um único objetivo bem claro. Há pequenos shows eróticos, poledance e striptease.

Ao contrário das baladas normais, todos abordam todos. Homens abordam homens, mulheres abordam homens e mulheres e o mais curioso são homens que oferecem suas acompanhantes/mulheres/namoradas para outros homens. Esses são os voyeurs, que adoram assistir a transa de suas companheiras com outros e vão ai somente para assistir".

Antes de partir para a ação os casais conversam como em qualquer baladinha, e depois, começa o show, pois a exibição é livre por lá. "Depois do beijo, os casais se direcionam a alguns quartos, cujas paredes são de vidro" comentou Gabriela, que ainda nos contou sobre um petisco bem legal para os homens, os "glory holes", que são buracos ou frestas onde os homens podem colocar seus órgãos genitais e mulheres as mãos, e tocar nas pessoas dentro do quarto sem ter que entrar nos quartos.

Alguns homens também recebem sexo oral pelos glory holes. A tendência é que, ao longo da noite, fiquem cada vez menos pessoas assistindo, enquanto os quartos ficam cheios. Difícil alguém ficar totalmente nu, mas acontece. Os homens costumam somente abaixar as calças, e as mulheres, preferem as saias e os vestidos para facilitar".


O que gostou - "Eu curti tudo, o clima, e a sedução, a coisa de poder ficar com quem eu quisesse, com quantos eu quisesse, a hora que quisesse. Ao mesmo tempo, à medida que fui frequentando, aquilo começou a ficar banal pra mim. Acho que prefiro muito mais um swing casual, do que ir a uma casa, só para isso. Mas dá para apimentar a relação, depende de cada casal, se eles forem desprendidos".

O que não gostou - "Alguns caras que não queriam usar camisinha. Incrível, mas tinha mulher que topava".

*nomes trocados para manter o anonimato das entrevistadas.

Por Giseli Miliozi

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