Casais que fogem do sexo

Vocês fogem do sexo

O tempo que se tinha para alimentar as relações afetivas está cada vez mais curto. Com o dinamismo da sociedade moderna, os casais se veem cada vez menos e, quando chegam na cama, cansados de um dia estressante de trabalho e de trânsito intenso, pouco conversam e acabam pegando no sono antes mesmo de trocarem carícias.

A impressão que se tem hoje é que o sexo também entrou no ritmo contemporâneo. Assim, a rapidinha, que para alguns acontece de vez em quando para apimentar a relação, acaba virando solução para não deixar a intimidade passar em branco. As preliminares, a troca de olhares, o beijo apaixonado e o toque cuidadoso são esquecidos. É como se o casal fugisse do sexo demorado, calmo.

Segundo o psicoterapeuta Victor Dalla Nora Araujo é normal que com o tempo, a frequência sexual diminua e que o casal não se procure tanto como no tempo em que havia "um mundo para ser descoberto". Mas a partir do momento em existem muitas desculpas que encubram e impossibilitem o coito - dores inventadas, compromissos inesperados, problemas no trabalho, filhos - a relação a dois deve ser revista.

O psicólogo e sexólogo Paulo Bonança pensa que o casal costuma levar para a cama o que vivencia ao longo do dia. Caso ele tenha sido estressante e cansativo, provavelmente não haverá disponibilidade para investimento na relação. "As pessoas estão mais preocupadas, mais estressadas, demoram mais para se deslocar de um lugar a outro. Todos esses fatores podem impactar de alguma forma no relacionamento na cama".

Enquanto algumas pessoas utilizam o sexo como forma de aliviar as tensões do dia a dia, outras não conseguem se desvencilhar destas situações e têm seu desempenho sexual prejudicado, tanto por disfunções sexuais, como por sequer haver a tentativa do ato. Dr, Victor comenta: "Diante disso, é normal que ocorra uma redução, mas é necessário refletir até que ponto essa situação de deve às questões externas ou ao distanciamento efetivo-afetivo do casal"

Por conta dessa corrida constante contra o tempo os casais têm confundido qualidade com quantidade de sexo. Avaliando esse quadro, Dr. Paulo acredita que se os amantes não aproveitarem ao máximo o pouco tempo que dispõem para ficar juntos, na cama a relação tende a se desenrolar de maneira desfavorável. "O que acontece na cama também é reflexo de outras áreas afetivas. E é necessário saber como o casal circula por elas. "Ele namora? Troca abraço, o beijo? Investe em tempo para desfrutar da vida junto? O resultado dessas reflexões pode esclarecer o motivo pelo qual não existe mais a satisfação na cama", diz.


É importante lembrar que essas queixas precisam ser claramente anunciadas. Com o tempo, certos casais têm a mania de achar que um já sabe tudo o que se passa na cabeça do outro, pensamento que não é nenhum pouco correto. "Um precisa deixar claro para o outro o que está sentindo dentro da relação. Nenhuma parte da relação tem a obrigação de adivinhar que o outro está descontente", ressalta o sexólogo. "A questão é que há um moralismo muito grande no que diz respeito tanto às praticas de discussão do sexo. Desse modo, as pessoas levam vidas sem uma efetiva realização sexual, porque muitas vezes fogem do assunto", lamenta Dr. Victor.

Uma forma de reacender o desejo, na opinião de Dr. Bonança, é procurar retomar tudo de bom que aconteceu no começo da vida a dois. "O que eles faziam que já não fazem mais? Quais planos tinham no passado que ficaram esquecidos? Este exercício pode ser difícil, mas o casal precisa administrar melhor as atividades do dia e caminhar junto".

Dr. Victor dá outra opinião: "O casal pode inovar situações de convívio como ir a ambientes que não costumam ir, fazer jantares românticos, viajar, ter algum cuidado com o corpo (sem exageros), manter a higiene e dar vazão às fantasias, sempre com a compreensão do parceiro. O sexo não se dá apenas no momento do ato", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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