Amor X Sexo

Amor X Sexo

A eterna discussão “homens fazem sexo, mulheres amor” é algo que rende assunto horas a fio, principalmente depois do livro de Allan e Barbara Pease. Baseado em pesquisas, os autores afirmam que muitas de nossas condutas são resquícios da vida nas cavernas, dos nossos ancestrais.

O homem tinha três objetivos na vida: caçar, proteger a prole e disseminar seu sêmen entre o maior número de fêmeas possível. Já a mulher é uma chocadeira; seus objetivos: dar à luz o maior número de bebês possível, e criar a prole.

Mas o mundo está em constante evolução, homens e mulheres também. Revolução Industrial, movimentos feministas, pílula, AIDS, orgasmo, enfim, diferente de antes, as mulheres estão explorando o sexo, algumas querem ser iguais aos homens, como já disse Cláudia Riolfi, psicanalista e professora da Faculdade de Educação da USP, ao Vila Mulher, “o desafio agora é inventarmos um mundo onde haja lugar para os dois sexos”.

Para Ana Canosa, especialista em educação e terapia sexual, as mulheres estão começando a experimentar o sexo pelo prazer “agora estão buscando de fato, experiências de prazer físico, sem a relação de compromisso”, acrescenta.

Em entrevista, ao Vila Dois, a também diretora de publicações da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, editora responsável pela Revista Brasileira de Sexualidade Humana e coordenadora da pós-graduação em educação sexual do Centro Universitário Salesiano - UNISAL, explica o paradoxo que vive a mulher atualmente, em busca de um amor verdadeiro, mas também na descoberta do prazer sexual.

Como as mulheres vivem com o conflito: sexo ou amor?

As mulheres foram induzidas pela cultura e de que só podiam fazer sexo se amassem alguém. Hoje em dia, elas continuam a dar valor para o amor e um sentimento ligado ao compromisso - de aprender amar ao outro, de querer bem. Ao mesmo tempo desenvolvem outros comportamentos, como experimentar o prazer. Neste mundo novo, tecnológico, fugaz, rápido, que muda o tempo todo, elas estão começando a se adaptar e sobreviver diante de compromissos decadentes. Não sei se elas estão indo contra a própria natureza, de manter algo sólido, agora estamos em fase de transformações, talvez vamos comprovar isso mais adiante.

Amor X Sexo

Ana Canosa - especialista em terapia sexual

Quais outros reflexos da vida contemporânea, como inserção no mercado de trabalho e, conseqüentemente, independência financeira, trouxeram à vida sexual feminina?

Ela também teve mais chances de conhecer outros homens. Antes, nossas mães ou avós tinham contato com pessoas próximas, da vizinhança, amigos, enfim, o universo era mais restrito e elas acabavam se casando com esses homens. Quando ela começa a entrar no mercado, conhece homens, de várias personalidades. Dessa forma, ela busca experimentar o sexo simplesmente pelo desejo e o tesão. Transam mais hoje do que antigamente.

Mas quando elas fazem isso, no final das contas, não se sentem exploradas?

Acho que isso tem mais a ver com o “mito de ser a escolhida”. Assim como as princesas de antigamente, elas gostam de saber que foram as preferidas entre as outras, que no dia seguinte o cara que elas conheceram na balada vai ligar e continuar o compromisso, mesmo sem saber ao certo se elas gostam realmente dele ou não. A mulher precisa saber o que quer, ao invés de ser sempre a escolhida.


Quais são os tabus sexuais que ainda persistem na cabeça das mulheres?

Embora elas comecem aos poucos a se conhecerem melhor, nunca tiveram um estímulo cultural para se masturbar, se tocar, acham que só pertence aos homens. Descobrem aos poucos sobre penetração e orgasmo. Muitas delas acham que o orgasmo somente acontece se houver penetração, mas várias pesquisas revelam que a maioria das mulheres têm orgasmos clitorianos, entre 80% e 85%. O pior que muitas delas têm receio de falar isso aos parceiros e fingem orgasmo quando há a penetração. É preciso ficar claro para elas: se fazem sexo com amor, por amor (para satisfazer o outro) ou sem amor, pelo desejo.

Por Juliana Lopes

Comente