Abstinência sexual por opção?

Abstinência sexual por opção

Todo mundo sabe dos benefícios do sexo, de como ele melhora a circulação sanguínea, ajuda no sistema imunológico, queima calorias. Fora as boas novas fisiológicas, faz bem à alma, já que pressupõe contato, melhora a intimidade e dá aquela super ingestão de gás na autoestima, interferindo até o humor. Isso, claro, se levando em consideração o bom sexo, prezeroso, feito com vontade.

Pra muita gente, esse tipo de sexo faz falta, é necessidade do corpo e da mente. Mas há também quem viva feliz da vida na abstinência. E isso que pode parecer sinônimo de gente "assexuada", velha, sem amor próprio, passa longe de ser um problema. É a mais pura opção. Roberta*, 49 anos, por exemplo, está separada há mais de 15 e, depois que o casamento acabou, não se envolveu profundamente com mais ninguém. E deixou o sexo para trás. "Não me faz falta, não me sinto menos mulher porque não transo. Não estou fechada a novas relações, mas o sexo simplesmente não rolou até agora", conta. E não pense que ela não é sensual, não fala sobre o assunto ou não encanta homens. "Fui casada por muito tempo, tenho três filhos, já fiz muito sexo. Hoje, quero outro tipo de envolvimento", explica. A polêmica Lady Gaga vai nessa mesma onda e diz que evita sexo porque ele "afetaria" sua criatividade.

Quem não é tão bem resolvida como Roberta (ou Gaga) pode sentir mais. Vale lembrar os casos públicos, como Rita Cadilac, que garantiu sofrer no ano que ficou sem sexo e da ex-BBB Anamara, que contava os dias sem a prática dentro da casa do reality da Rede Globo. A modelo e atriz Luiza Brunet declarou, em abril, que estava há dois anos sem sexo e confessou que sentia falta. "Ainda mais eu, que sempre fui casada. Mas, na verdade, eu estou mesmo sem ninguém porque quero", falou em entrevista o jornal "O Globo". Capa recente da revista Vip, Gisele Itié contou que ficou também sem praticar quando estava sem namorado, por 1 ano e meio.

A abstinência significa também abster-se de um contato mais íntimo com outra pessoa e induzir um isolamento. Por isso é preciso cuidado para não cair nessa e sofrer consequências como baixa autoestima, melancolia ou até depressão. As mulheres citadas acima resolveram tudo com generosas pitadas de amor próprio.

Mulher, assim como o homem, também sofre quando fica sem sexo. E mesmo com toda liberação feminina, fica difícil resolver a falta física com encontros casuais. "Já fiquei quase dois anos sem sexo. Acabei um namoro e demorei para conseguir me entregar a outro homem. Nesse tempo, nem a masturbação ajudava", revela Mariana*, de 28 anos. "Ficava pior numa balada, se bebia um pouco e dançava com alguém. A vontade era gigante, mas eu me controlei sempre, para não ir para cama com qualquer um".

Luana*, que se considera louca por sexo, está feliz da vida agora que tem um homem para chamar de seu. Mas antes dava um jeito no desejo com ajuda dos sex shop. "No começo eu me achava maluca, ninfomaníaca mesmo, descontrolada. Mas percebi que era uma necessidade e passei a comprar brinquedinhos que me ajudavam a liberar o prazer. Não vejo nada de errado em me satisfazer, mesmo que sozinha".

É fato que a falta de relações sexuais nunca matou ninguém e não há crime algum em optar por não fazê-lo - seja qual for o motivo. O risco de consequências ruins existe apenas quando essa abstinência é forçada - e não voluntária, consciente. Qualquer pessoa pode ter prazer em outras áreas da sua vida que não a sexual.


"Elas desviam as suas endorfinas e vão buscar prazer em outras coisas. No fundo, são compensadas", garante a sexóloga Rosário Gomes. Se tiver em mente que quem legitima a vontade (ou a falta dela) é você mesmo, a abstinência deixa de ser um problema.

*nomes alterados a pedido das entrevistadas

Por Sabrina Passos (MBPress)

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