50 Tons de Cinza: um convite para repensar a sua sexualidade

50 Tons de Cinza repense a sexualidade

Um trampolim para repensar a própria sexualidade e a relação com o parceiro. Essas são algumas das propostas que, consciente ou inconscientemente, a trilogia criada por EL James, '50 Tons de cinza', traz. Com boas doses de sexo picante e romance típico de filme, a obra tem feito milhares de mulheres - e de homens curiosos - mergulharem nas descobertas de Anastacia Steele sobre o sexo e o amor.

Mais do que uma história de ficção, ‘50 Tons de Cinza’ incentivou o público feminino a parar e pensar: será que minha vida sexual é (ou será) assim tão apimentada? Será que um cara como Christian Grey existe somente na imaginação de EL James ou pode estar perdido por aí? Será que dá para viver uma história assim, mesclando olhares apaixonados e orgasmos intensos?

Entre tantas mulheres que não param de comentar sobre saga, algumas delas frequentam a escola de artes sensuais de Lu Riva, personal sexy trainer que foi motivada a ler o livro por causa das alunas. "Um dia desses uma das meninas me perguntou eufórica se eu já tinha lido o livro. Como a resposta naquele momento foi não, ela e outras alunas começaram a falar da história, o quanto era envolvente e excitante. Conclusão: comprei o livro para ler e participar da ‘discussão acalorada’", conta.

Segundo Lu, o que mais tem chamado a atenção das alunas é a fantasia e a postura de um homem como Christian Grey. A professora lembra também que uma das alunas comentou que daria o livro para os homens lerem e aprenderem como devem tratar uma mulher, que submissão e humilhação são coisas diferentes. "Elas falam das frases quentes do livro, como quando Christian diz para Anastacia: ‘eu não faço amor, eu fodo e com força’. É o que as mulheres desejam em um homem, atitude".

A personal pensa que a obra inspirou a mulher a se reconhecer, uma vez que Anastacia é uma moça como muitas de nós. "O misto do medo da personagem e ao mesmo tempo o desejo de se permitir viver novos prazeres e conhecer novos sabores, tem incentivado as mulheres a fazerem o mesmo. Ou no mínimo a sonhar com uma sexualidade melhor", defende.

O contrato de dominador/submissa oferecido à virgem Anastacia pelo sedutor Christian Grey em certo ponto vem na contramão do poder e da independência que a mulher contemporânea luta para ter no dia a dia. Mas a personal sexy trainer pensa que na cama as coisas mudam. "O que traz segurança para a mulher é ela se sentir amada, desejada e cuidada. Quando se sente valorizada pelo seu homem ela faz de tudo para apimentar cada vez mais o seu romance".

E quem está devorando o livro sabe: Anastacia está cada vez mais entregue ao romance por conta do zelo desmedido que Christian tem por ela. Não é um tipo de relação que podemos chamar de tradicional, mas povoa a mente de muitas leitoras. "Toda mulher quer um homem só para ela. Pode até sentir alguma dor, mas como diz uma amiga que gosta de fetiches, a dor antes do prazer potencializa o orgasmo. Mas tudo feito com muito cuidado, porque a dor e o machucar são coisas diferentes", explica Lu.

Recorrer ao sadomasoquismo tal como está no livro vai da decisão de cada leitora, mas uma coisa é certa: as cenas descritas nas páginas de ‘50 Tons de Cinza’ podem ajudar a apimentar a relação. "A história de Christian e Anastasia mexe com o imaginário. Quem nunca sonhou em ser amarrada, amordaçada e até um pouco ferida para depois sentir muito prazer, que atire a primeira pedra", dispara Lu Riva sorrindo.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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